domingo, 2 de março de 2014


Quanto riso, ó quanta tristeza...

Se eu tivesse que escolher uma fantasia para brincar neste carnaval, tendo como tema o momento por que passa o país, certamente escolheria a de pierrô triste. Aquele que tem uma lágrima pintada sob um dos olhos. Seria uma variação da tradicional fantasia de palhaço, preferida nos anos anteriores. Por um simples e derradeiro motivo: a decepção tomou o lugar da alienação. Os movimentos espontâneos das ruas mostram, claramente, que os brasileiros cansaram de se fazer de ingênuos. De bobos alegres. Depois de ver o medo vencer a esperança (Revolução militar de 1964); de ver a democracia vencer a ditadura (Diretas Já em 1985); de ver a corrupção vencer a probidade (Eleição de Fernando Collor de Mello em 1989); de ver a hiperinflação ser derrotada (Plano Real em 1994) pela competência; e de ver a esperança vencer o medo (2002 – eleição de Lula), chegamos à fase atual, onde a revolta pelos maus serviços públicos, pelas promessas de campanha não cumpridas, e pela corrupção endêmica, está vencendo a esperança. Pior, está mostrando que os interesses do PT governista estão se tornando mais importantes do que o do povo brasileiro. Logo o PT, aquele que historicamente disse ser o salvador da Pátria. Mas como é carnaval e tem eleição em outubro, mesmo vestindo a fantasia de pierrô tristonho, vou manter o sorriso no rosto. Quem sabe no ano que vem eu possa tirar do armário a velha e sempre bem-vinda fantasia da esperança. E já estou até ensaiando a marchinha: “Quanto riso, ó quanta alegria ...”

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