terça-feira, 4 de março de 2014


O dilema do PMDB.
 

 

Independente das dificuldades enfrentadas pelo PMDB-RS nas últimas eleições, caracterizadas especialmente pela demora na definição dos seus candidatos a governador e a senador, o grande desafio da sigla para a eleição deste ano será o de apresentar-se ao eleitor como a alternativa para a implantação de uma gestão administrativa eficiente e moderna, capaz de solucionar os problemas deixados por governos mal sucedidos. Inclusive os seus, já que nos últimos 30 anos, desde a volta das eleições diretas para governador, esteve 12 anos no poder.

 Nesse período, o governo Simon foi criticado pelas chamadas “estradas de papel”; o governo Britto pela privatização e pelos pedágios; e o governo Rigotto pelo imobilismo da gestão “paz e amor”.  Desta vez a aposta do PMDB - sob o argumento de que o Rio Grande precisa de alguém com reconhecida capacidade administrativa -, tende a ser o ex-prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori.

 Desconhecido pela maioria do eleitorado gaúcho, o grande desafio do partido de Pedro Simon será dar visibilidade eleitoral à Sartori. Tanto pessoal como política e administrativamente. E para isso o tempo urge. Em ano de Copa do Mundo no Brasil, com pouquíssimo tempo de campanha, convenhamos, trata-se de um esforço hercúleo. Talvez a grande motivação venha da possibilidade de uma terceira via para a esperada polarização entre o PT de Tarso e o PP de Ana Amélia Lemos. E a lembrança da eleição de Rigotto em 2002, que pode ser considerada uma “zebra”, talvez esteja estimulando o otimismo do PMDB-RS. Situação semelhante ocorre com o plano B dos peemedebistas, caso Sartori seja substituído pelo presidente da Confederação Nacional dos Municípios e ex-prefeito de Mariana Pimentel, Paulo Ziulkoski.

 Numa análise fria da situação o recomendável seria a aliança do PMDB com outro grande partido. Talvez o PP ou o PDT. Mas as duas siglas já decidiram ter candidatura própria. Outro nó a ser desatado pelos peemedebistas é o que define o apoio do partido no Rio Grande do Sul para o candidato à presidência da República. Uma ala tem preferência por Dilma e outra por Eduardo Campos.  Na eleição de 2010 essa divergência interna fez com que o PMDB gaúcho decidisse pela neutralidade, fato este que lhe trouxe grande prejuízo eleitoral.

Apesar de todas essas dificuldades não se pode subestimar as chances do PMDB gaúcho. E nem poderia ser diferente. Com elevado número de prefeitos, vice-prefeitos, diretórios municipais e filiados, o partido contará com uma máquina eleitoral de respeito. Daí a expectativa de ser o “azarão” da eleição. Se dará certo ou não só as urnas poderão dizer. Mas que vai ser muito difícil fazer com que seus poucos conhecidos candidatos (Sartori ou Ziulkoski) consigam superar os conhecidos e populares Tarso Genro e Ana Amélia Lemos, ah isso vai. Para tanto, precisará contar muito mais com os possíveis erros dos adversários do que com o seu esforço próprio ou com a sorte.

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