O dilema do
PMDB.
Independente
das dificuldades enfrentadas pelo PMDB-RS nas últimas eleições, caracterizadas
especialmente pela demora na definição dos seus candidatos a governador e a senador,
o grande desafio da sigla para a eleição deste ano será o de apresentar-se ao
eleitor como a alternativa para a implantação de uma gestão administrativa
eficiente e moderna, capaz de solucionar os problemas deixados por governos mal
sucedidos. Inclusive os seus, já que nos últimos 30 anos, desde a volta das
eleições diretas para governador, esteve 12 anos no poder.
Nesse
período, o governo Simon foi criticado pelas chamadas “estradas de papel”; o
governo Britto pela privatização e pelos pedágios; e o governo Rigotto pelo
imobilismo da gestão “paz e amor”. Desta
vez a aposta do PMDB - sob o argumento de que o Rio Grande precisa de alguém
com reconhecida capacidade administrativa -, tende a ser o ex-prefeito de
Caxias do Sul, José Ivo Sartori.
Desconhecido
pela maioria do eleitorado gaúcho, o grande desafio do partido de Pedro Simon
será dar visibilidade eleitoral à Sartori. Tanto pessoal como política e
administrativamente. E para isso o tempo urge. Em ano de Copa do Mundo no
Brasil, com pouquíssimo tempo de campanha, convenhamos, trata-se de um esforço
hercúleo. Talvez a grande motivação venha da possibilidade de uma terceira via
para a esperada polarização entre o PT de Tarso e o PP de Ana Amélia Lemos. E a
lembrança da eleição de Rigotto em 2002, que pode ser considerada uma “zebra”,
talvez esteja estimulando o otimismo do PMDB-RS. Situação semelhante ocorre com
o plano B dos peemedebistas, caso Sartori seja substituído pelo presidente da
Confederação Nacional dos Municípios e ex-prefeito de Mariana Pimentel, Paulo
Ziulkoski.
Numa análise
fria da situação o recomendável seria a aliança do PMDB com outro grande
partido. Talvez o PP ou o PDT. Mas as duas siglas já decidiram ter candidatura
própria. Outro nó a ser desatado pelos peemedebistas é o que define o apoio do
partido no Rio Grande do Sul para o candidato à presidência da República. Uma ala
tem preferência por Dilma e outra por Eduardo Campos. Na eleição de 2010 essa divergência interna
fez com que o PMDB gaúcho decidisse pela neutralidade, fato este que lhe trouxe
grande prejuízo eleitoral.
Apesar de todas
essas dificuldades não se pode subestimar as chances do PMDB gaúcho. E nem
poderia ser diferente. Com elevado número de prefeitos, vice-prefeitos,
diretórios municipais e filiados, o partido contará com uma máquina eleitoral
de respeito. Daí a expectativa de ser o “azarão” da eleição. Se dará certo ou
não só as urnas poderão dizer. Mas que vai ser muito difícil fazer com que seus
poucos conhecidos candidatos (Sartori ou Ziulkoski) consigam superar os
conhecidos e populares Tarso Genro e Ana Amélia Lemos, ah isso vai. Para tanto,
precisará contar muito mais com os possíveis erros dos adversários do que com o
seu esforço próprio ou com a sorte.
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