sexta-feira, 14 de setembro de 2012


PT é o fiel da balança na
 eleição de Porto Alegre



Quem poderia dizer que numa eleição desde o início polarizada entre Fortunati e Manuela poderia ser decidida pela participação de um terceiro candidato, praticamente desconhecido pelo eleitorado de Porto Alegre. Pois é, campanha política se presta para estas surpresas. Refiro-me a Adão Villaverde, candidato do PT. Mas vejam bem, o candidato e não a candidatura. Sim, pois a presença do PT na disputa pela prefeitura da capital é uma constante desde o final da ditadura.

Lançado em meio a uma disputa com Raul Pont, presidente estadual do PT e um dos expoentes da DS, até então a maior corrente petista, Villaverde foi alçado à condição de candidato por uma articulação que uniu diversas correntes e se tornou majoritária nas prévias petistas. Uma vez candidato, coube à coordenação de sua campanha superar dois grandes obstáculos: unir e mobilizar o partido para a campanha e tornar Villa, como ficou definido por seus marqueteiros, conhecido do eleitorado de Porto Alegre.

A primeira missão, aparentemente, parecia a mais simples. Afinal, a militância petista sempre se destacou na busca do voto dos porto-alegrenses. Prova disto foi a vitória em quatro eleições consecutivas (1988 – 2000). A segunda não. Participando pela primeira vez de uma eleição majoritária, o deputado e ex-secretário estadual do governo Olívio Dutra, Villa sabia que seu principal problema seria fazer-se conhecido do eleitorado da capital. Como agravante disso, coube-lhe um reduzido espaço na propaganda eleitoral de rádio e TV.

Tentou e está tentando. Mas as pesquisas mostram que não está sendo fácil. Mais, que não está conseguindo. Todas as pesquisas realizadas até agora não conseguiram detectar uma intenção de voto que chegasse a dois dígitos. Esse mau desempenho tem lhe tirado a possibilidade de se apresentar como terceira via da eleição. Como resultado, consolidou-se a polarização da disputa entre Fortunati e Manuela, que apresentam desempenho superior a 30%.

Sem demonstrar desânimo, Adão Villaverde vem cumprindo a risca e com denodo o seu papel de candidato. Só que isso, somado ao péssimo desempenho dos candidatos do PSol, PSDB, PSL e PSTU, está colocando em risco a realização do segundo turno da eleição. Por motivos que este blog já mostrou, o principal dele o crescimento da candidatura de Fortunati e a estagnação da de Manuela.

Pois bem, ocorre que embora Villaverde visualize longe o horizonte da vitória, está em suas mãos a real possibilidade da realização do segundo turno desta eleição. A outra, claro, é o crescimento de Manuela, coisa que até agora não aconteceu. Digo real porque basta que o PT repita a tradicional mobilização, chamada em Porto Alegre de “onda vermelha”, para que ele cresça supere a barreira dos dois dígitos. Se isto acontecer, BINGO, teremos segundo turno. Com Fortunati e Manuela, claro. Mas teremos. E no segundo turno a eleição se modifica completamente. E tudo pode acontecer.

Mas para que a candidatura de Villa ocupe está posição de “fiel da balança” não depende apenas dele. Depende, fundamentalmente, do PT. Se o partido repetir a mobilização e a garra das últimas eleições isto fica fácil de acontecer. O tamanho do PT, por si só, é bem maior do que as pesquisas tem oferecido à Villaverde.

Mas tem que querer para acontecer. Tempo tem. Ainda faltam 23 dias para a eleição. Uma enormidade em se tratando do Exército Petista. Além disso, não dá prá esquecer que Porto Alegre possui papel estratégico para a campanha eleitoral de 2014, onde certamente Tarso Genro irá buscar sua reeleição. Ah! Esperem aí. Será este o motivo para a aparente neutralidade petista? Para não descontentar PDT e PCdoB, aliados de Tarso no Piratini? Pessoalmente não acredito. A menos que o PT tenha mudado. E muito. 

Imagem: jcsgarcia.blogspot.com


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