quinta-feira, 27 de setembro de 2012


Por que o 2º turno é necessário?



Porto Alegre é uma capital com cerca de dois milhões de habitantes. E como toda cidade desse porte tem seus problemas. Muitos problemas. Muitos deles resolvidos pelo próprio cidadão ou pelas próprias famílias. Mas tem problemas que fogem da sua alçada. E que por isso mesmo são de responsabilidade do poder público, no sentido mais amplo da denominação. Segurança pública, saúde e educação, são os principais exemplos. E, nestes casos, a obrigação maior recai sobre a União e os Estados. Mas isto não tira do município sua responsabilidade social sobre estes e outros problemas. No caso de Porto Alegre, por exemplo, existe a guarda municipal. Existe o ensino público municipal. E postos de saúde. Tem até um hospital para atendimento dos servidores públicos municipais.

Pois bem, a pergunta que fica é: os porto-alegrenses estão bem servidos nestas áreas? Não, claro que não. E são muitas as deficiências e carências. Isto sem falar no crescente e preocupante problema da circulação viária, seja no trânsito de veículos, seja no transporte de passageiros. E o problema da habitação, gerado pela carência de moradias populares? Como falar em cidadania se o princípio básico de qualquer cidadão, que é ter um endereço, não é atendido? Claro que todos os prefeitos da capital fizeram algo para minimizar os problemas. Impossível ficar quatro anos à frente da prefeitura sem nada realizar. Mas o que se questiona, neste momento de eleição, é se fizeram o que poderiam ter feito? Este é o julgamento que o eleitor deve fazer na hora de depositar seu voto na urna.

Sem querer imputar ao atual prefeito a pecha de culpado por todas as mazelas existentes, é visível que Porto Alegre enfrenta um histórico atraso no atendimento de suas necessidades. Que deveriam ter tido um enfrentamento, seja ele direto ou indireto, mais contundente. É inadmissível, por exemplo, que obras viárias importantes, como a construção de viadutos e elevadas, demorem tanto para serem executadas. E os casos mais significativos nesta área são a construção da segunda ponte sobre o Guaíba e a implantação do metrô.

Vê-se agora – e tão somente agora – pela propaganda eleitoral gratuita de rádio e TV que várias ações do executivo municipal foram e estão sendo executadas. Mas por que só agora? É obrigação de todo administrador responsável prestar contas de suas atividades, especialmente aquelas que demandam o uso do dinheiro público. Transparência 24 horas. E não apenas durante a campanha eleitoral. Aliás, existe verba orçamentária para esse tipo de publicidade.

Pois bem, já que a prestação de contas está sendo feita durante a eleição, nada mais justo do que fazê-la com adequada cautela. Sem afogadilho. Afinal, como saber se tudo o que aparece na propaganda é verdade? Além disso, eleição é planejamento do futuro. Daí que as propostas apresentadas pelos respectivos planos de governo, de cada candidato, devam ser exaustivamente apresentadas. Se não há tempo para isso, que pelo menos os dois candidatos de maior preferência do eleitorado tenham um tempo adicional para esmiuçarem suas propostas. E é para isto que existe o segundo turno das eleições.

Resumindo na prática. Se Fortunati mostra uma cidade modificada positivamente por sua administração (é bom não esquecer que são oito anos – seis como vice e dois como prefeito) e promete fazer mais, é preciso debater, pelo menos, a eficácia do ritmo empregado, já que os principais problemas permanecem. Por outro lado, se existem projetos diferentes, defendidos por outros candidatos, nada mais justo do que a realização de um debate mais cauteloso sobre a viabilidade e oportunismo dos mesmos. Daí a importância de que pelo menos um dos representantes da oposição tenha tempo igualitário, no segundo turno, para a apresentação do seu plano de governo. Coisa que não teve no primeiro turno.

Imagem: tse.jus.br

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