Por que agora?
Antes que me acusem de não gostar de animais vou avisando que desde criança já tive tudo que foi tipo de animal de
estimação. Desde peixe, passarinho, tartaruga, coelho, gato, até cachorro de todos
os tamanhos. Ainda hoje tenho um poodle que está comigo havia 15 anos. É o
Bidú. Cego e com sério problema cardíaco, recebe de mim, diariamente, cuidados
especiais. Desde passear na rua até alimentação especial.
Feita esta ressalva, me sinto a
vontade para criticar o anúncio feito ontem (3) pelo prefeito José Fortunati,
de que irá construir o primeiro hospital público para animais do Brasil. E deu
até nome: Hospital Veterinário Vitória. Mesmo que a intenção seja meritória,
não há como não questionar o anúncio. Por que fazê-lo agora, em meio à eleição?
E por que o nome Vitória? Ingenuidade demais pensar que se trata de simples
coincidência. Aliás, será casuísmo também a série de obras que estão sendo
iniciadas em plena campanha eleitoral?
No caso do hospital veterinário, há
que se indagar por que Fortunati não fez o anúncio um ano atrás, quando criou a
Secretaria Especial dos Direitos Animais? Não vale a tradicional desculpa da
falta de projeto. O mesmo pode ser dito em relação às obras viárias recém-iniciadas,
como a duplicação da Voluntários da Pátria e o viaduto da Avenida Bento
Gonçalves, dentre outras. Fortunati assumiu a prefeitura em 30 de março de
2010, ou seja, há dois anos, cinco meses e quatro dias. Por que só agora iniciou
as obras?
Ao adotar está atitude (iniciar
obras durante a campanha), Fortunati assume o ônus da desconfiança e da crítica.
Normal. Quando as pesquisas demonstram que a principal reivindicação dos
porto-alegrenses é a melhoria do atendimento à saúde, como explicar o anúncio
da construção de um hospital municipal veterinário? Como não rotular o início
das obras como uso da máquina pública em prol da tentativa de reeleição?
A meu ver, Fortunati coloca em
prova a máxima de que o gaúcho é o povo mais politizado do país. E as pesquisas
são uma ótima ferramenta para medir o impacto desses anúncios. Com maior tempo
de propaganda eleitoral gratuita e ocupando a cadeira de prefeito, utilizando
todas as prerrogativas do cargo, Fortunati deveria estar em primeiro lugar nas
pesquisas, distanciado do segundo colocado. Não é o que se vê. Em todas as
pesquisas, feitas por diversos institutos, ele aparece empatado tecnicamente
com a candidata do PCdoB, Manuela D’Ávila.
É por isso que esta eleição
deverá ficar na história. O que poderá acontecer nos 33 dias que faltam para o
dia 7 de outubro? A meu ver, tudo!
Imagem: clicrbs
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