Casuísmos eleitorais.
Quem já não ouviu um
dia a expressão “que bom seria se todos os anos tivesse eleição”? Claro que não se trata de uma demonstração de
euforia democrática. Tem gente que mesmo sendo obrigatório votar, não vota. Mas
os adeptos da expressão certamente estão se referindo as benesses advindas do
período eleitoral. E isto é
inquestionável. Basta o protagonista ser candidato e encabeçar uma chapa
majoritária, seja prá prefeito, governador ou presidente da República, para que
o baú das promessas e das boas notícias seja aberto. No caso das promessas elas
nem sempre se tornam reais. Com as boas notícias ocorre o contrário.
Quem não se recorda dos
programas sociais lançados às vésperas das duas últimas eleições municipais (2004 –
2008), como o Fome Zero e o Bolsa Família, lançados em 2003 por Lula? E o PAC,
também lançado por Lula em 2007? O mais recente afago popular, não um ano antes
da eleição, mas durante a campanha eleitoral, foi dado pela presidente Dilma
Rousseff na última quinta-feira, véspera do feriadão de 7 de setembro. Em rede
nacional de rádio e televisão Dilma anunciou um corte de 16,2% na conta de luz
das residências brasileiras. Reivindicada havia anos, especialmente pelo
segmento industrial, a pergunta que fica é: por que agora e não antes?
Estou me referindo
apenas as ações federais, mas poderia estar falando também das ações dos
governantes municipais, que preferem iniciar obras durante a campanha
eleitoral. O que me leva a esta abordagem é o apelo eleitoral que este tipo de
atitude gera. Quem não gosta de receber presentes? Todos gostam. Mas presentear
com recursos alheios é diferente. Ainda mais quando estes recursos são
públicos. Ou seja, tem como origem o pagamento de impostos.
Então, o que se
questiona é se é ético represar programas e obras socialmente importantes,
deixando para divulga-los ou inicia-los, somente na véspera das eleições? Se o
objetivo é acelerar o desenvolvimento porque não fazê-lo logo, independente do
calendário político-eleitoral? Mais importante do que eleger seus governantes é
o legado deixado por eles enquando ocuparam o poder.
A passividade do
cidadão durante o mandato de um governante contribui para o retardamento do
desenvolvimento e, consequentemente, da demora na melhoria da sua qualidade de
vida. Executar obras prioritárias não é favor nenhum. É obrigação de quem é
colocado no poder pelo voto popular. Ainda mais quando o país passa por um
surto positivo de evolução econômica.
Se o país e o estado
precisam evoluir, o mesmo pode ser dito do eleitor. É muito fácil digitar o
voto na urna e dar por realizada a sua missão. Exercer a cidadania não é apenas
votar. É fiscalizar a atuação de quem você deu a procuração para representá-lo.
Só assim ele trabalhará a seu favor. A favor da sociedade. E não dos interesses
seu partido ou seu próprio interesse.
Assim, ao decidir em
quem votar, pense se você confia no seu escolhido. Veja se pode confiar nele
durante os quatro anos de mandato. Se ele é daqueles que produzem o tempo todo
ou só na véspera de eleição. Só dessa forma você poderá evitar a incidência dos
improdutivos e enganosos casuísmos eleitorais.
Imagem: ariquemes190.com.br

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