sexta-feira, 21 de setembro de 2012



 Enfim um debate prá valer.



A TVCOM fez jus ontem ao seu conceito de canal da comunidade. Realizou o melhor debate entre os candidatos a prefeitura de Porto Alegre. Disparado. Com um formato que permitiu, predominantemente, a realização de perguntas livres entre os seis candidatos (Érico Corrêa do PSTU não participou por não ter se enquadra ao critério estabelecido pela emissora, que exigia representação política no Congresso Nacional), o debate teve todos os componentes necessários para que o eleitor tirasse suas próprias conclusões sobe aquele que merecerá a sua confiança.  Foi tenso, crítico, por vezes agressivo mas sem baixar o nível, e bastante produtivo. Abordou os principais temas de interesse dos porto-alegrenses. E isentamente coordenado pelo cada vez mais experiente e competente André Machado. Claro que teria sido muito melhor se o número de candidatos se resumisse a dois ou no máximo três candidatos. Mas geraria muitas críticas por parte dos demais concorrentes.  Quem sabe com o tempo um dia isto não possa acontecer. Nossa jovem democracia, com a necessária maturação, há de nos permitir isso.

Pois bem, como é hábito desse blog, farei uma rápida apreciação sobre o desempenho de cada um dos seis participantes.

José Fortunati – Experiente, tentou mostrar que fez o que pode e que pode fazer mais. Sabedor de que é “vidraça”, portanto alvo principal dos demais candidatos se precaveu do tiroteio crítico chamando a atenção do telespectador de que estava sendo alvo de ataque generalizado. Se esta condição de vítima lhe rendeu rendimentos eleitorais não se sabe. Para o meu gosto, Fortunati abusa demais do gerúndio. Estou fazendo. Estamos melhorando. Estamos projetando. Estamos contratando. Estamos concluindo. Estamos licitando. Etc. Mereceu o apelido de ANDO, dado por Manuela. É ANDO demais prá quem representa uma gestão de oito anos. O esperado era de que se ouvisse mais: fizemos, construímos, executamos... Além disso, esse sorriso permanente de Fortunati não combina com os problemas da cidade, especialmente na área da saúde, da segurança e da circulação viária. Será que representa a confiança do “já ganhei”?

Roberto Robaina – Irritantemente polêmico. Conseguiu manter a sua acidez crítica e ainda absorver o papel exercido por aquele que tem sido seu companheiro de “mau humor” nos debates, o candidato do PSTU, Érico Corrêa. Ou seja, foi “dose prá leão”.  Conseguiu fazer com que Manuela D’Ávila, sempre tão controlada e ponderada, saísse do sério é lhe desse respostas diretas e contundentes. Merecidas, diga-se de passagem. A principal delas, a meu ver, foi a acusação de que ele (Robaina) se considera a “única pessoa honesta no mundo, que é dono da verdade”. Não apresentou propostas para Porto Alegre, motivo maior de uma candidatura a prefeito. Ideologizou o debate.

Wambert Di Lorenzo – Surpreendeu pela desenvoltura e desprendimento. Sem experiência em eleições (como candidato), Wambert tem sido autor de várias frases de efeito com bom impacto televisivo. Uma delas foi: “O PT era um partido de ex-presos políticos. Agora será um partido de ex-políticos presos. Mas excetuando o brilhantismo da oratória, o candidato do PSDB continua pecando na simplicidade das suas propostas, como a reformulação da EPTC, considerada por ele ferramenta vital para a “indústria da multa”. Demonstra ressentimento com o PT pelos ataques realizados durante o governo de sua maior defensora, Yeda Crusius. Revanchismo. Talvez seja está à palavra correta para seu comportamento. Independente das suas chances nesta eleição, Wambert mostra um grande futuro político no âmbito do seu partido.

Manuela D'Ávila – Mostrou preparo. Está afiada.  Única mulher na eleição majoritária consegue conciliar simpatia e competência. Ao contrário de Robaina, que federalizou e estadualizou o debate, Manuela se fixou exclusivamente nas questões da Capital. E centrou fogo no Fortunati, seu principal adversário segundo as pesquisas.  Nesse sentido, pegou pesado quando cobrou a divergência entre a cidade da propagando do candidato do PDT e a cidade real do dia-a-dia. Criticou o início de obras e a inauguração de outras em pleno período eleitoral. Como exemplo citou a conclusão do auditório Araujo Viana que, segundo ela, teve sete anos para ser reformado (período Fogaça e Fortunati) mas que só foi concluído e inaugurado durante a campanha eleitoral. Quando precisou reagir, reagiu com força e inteligência. Prá mim ela teve o melhor desempenho entre todos os candidatos. 

Adão Villaverde – Alheio aos resultados das pesquisas, o candidato do PT, esbanjou otimismo e confiança de que estará no segundo turno da eleição. Representante do governo Dilma e Tarso na eleição foi alvo de ataques dos candidatos do PSol e do PSDB. Nada mais natural. São adversários contumazes. Manifestou confiança de que a militância aguerrida do PT fará a diferença no final da campanha. De todos os candidatos é o único que pode avalizar e garantir o apoio dos governos federal e estadual a sua administração. E fez isto no debate. Apesar do poderio partidário, Villa ainda é um dos candidatos com menor conhecimento popular. Precisa de um fato midiático para se sobressair nestas pouco mais de duas semanas que antecedem a eleição. Não é agressivo nas suas manifestações. Sabe ser contundente quando necessário. E é ético sempre, mesmo em se tratando de Manuela D’Ávila, sua principal adversária para disputar o segundo turno com Fortunati.

Jocelin Azambuja – Fez pouca diferença no debate. Reforçou sua principal prioridade que é a Educação (federalização do salário do magistério municipal) e manteve o foco nas suas poucas propostas de melhoria da cidade, especialmente no que se refere ao transporte e circulação viária: nova rodoviária para os ônibus metropolitanos e implantação de novas linhas para o transporte hidroviário (catamarã) e para o aeromóvel.

Imagem: sisalnews.com.br

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