segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O Rio Grande precisa de um(a) estadista.




Passado três anos e dois meses o governo Tarso Genro ainda não conseguiu fixar uma marca. Pelo menos no que se refere à gestão, pois do ponto de vista do comportamento da pessoa do governador  já existe um estereótipo popular consolidado: a de que ele não cumpre com a palavra. E muitos são os motivos. Quando prefeito de Porto Alegre prometeu peremptoriamente que iria cumprir todo o mandato e não foi o que aconteceu. Prometeu, na campanha eleitoral, que iria pagar o piso salarial do magistério para os professores gaúchos e não cumpriu. E muitos foram os compromissos de campanha que até agora não foram atendidos. 

Fiel a sua estratégia de tergiversar sobre a palavra empenhada, Tarso começa a descumprir sua afirmação de que se o Governo Federal não aceitasse renegociar a dívida do Estado ele não seria candidato à reeleição. E disse mais, que se a presidente Dilma não priorizasse apenas o palanque petista no RS ele não seria candidato.  Pois Dilma tem vindo várias vezes ao estado, a mais recente neste final de semana na abertura da Festa da Uva, e os assuntos não entram na pauta dos interesses de Tarso. E olha que ele próprio já admitiu que sem a renegociação o próximo governador terá muito pouco a fazer, tal será a precaridade das finanças do Tesouro do Estado.

Então é de se perguntar: É esta a postura de um líder? De alguém que se elegeu para resolver problemas, especialmente os estruturais, que estão asfixiando o desenvolvimento do Rio Grande e impedindo a melhoria da qualidade de vida dos gaúchos.  Claro que não dá para fazer tudo o que precisa ser feito em apenas quatro anos, mas esse tempo é mais do que o suficiente para atacar de frente e decididamente os mais problemas mais graves. E Tarso não fez, não faz e tudo indica que não fará isto.

Mas afinal, para que ele lutou tanto para um dia ser governador? Abdicou da prefeitura de Porto Alegre; impediu que Olívio Dutra disputasse a reeleição; usou a máquina federal (Ministério da Educação e da Justiça) para preparar o terreno para vencer a eleição de 2010, pelo menos é o que diz o seu ex-secretário nacional da Justiça, Romeu Tuma Júnior, no livro “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado”, e muitas outras atitudes, para chegar ao Piratini é realizar essa administração prá lá de modesta. Dá para dizer que essa postura representa o perfil do estadista que o Rio Grande precisa? Respondo por mim: não.

O Rio Grande do Sul precisa sim de um(a) estadista. Mais do que nunca. Mas de alguém que seja um(a) líder de verdade. Que comece por honrar a palavra empenhada. Que cumpra com suas promessas e compromissos assumidos. Que tenha coragem, liderança e criatividade. Que saiba ser um gestor competente, definindo adequadamente o que é importante e o que não é. Que seja um tocador de obras. Que seja probo sem abdicar da ousadia. Que saiba escolher seus comandados. Que seja um democrata na acepção da palavra, priorizando o diálogo sem ser omisso nas suas responsabilidades. E que, fundamentalmente, coloque permanentemente os interesses do estado e dos gaúchos acima de qualquer outro.

E não digam que isso é querer demais. Uma espécie de “príncipe encantado”, na versão dos contos de fadas. É só olhar para a história do Rio Grande que encontraremos vários estadistas. E não pode ser diferente. Esse é o perfil do gaúcho. Lembram: “... povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. Bate forte no coração de cada gaúcho e gaúcha, hoje e sempre, a figura do centauro dos pampas. Do guerreiro farroupilha. E essa deve ser a marca dos nossos governantes. E não é difícil de identificar o melhor para o Rio Grande. Basta comparar as biografias dos candidatos. Suas condutas no poder e fora dele. A forma como se comportam na sua vida pessoal e política.

Teremos eleições em outubro. Faça a sua parte. Vote com o cérebro, mas principalmente com o coração e com a alma do verdadeiro gaúcho. Não podemos mais errar na escolha. Já experimentamos todos os grandes partidos. Não podemos cair mais na balela de focarmos a discussão na estéril disputa entre estatização e privatização. Muito menos no debate ideológico improdutivo. E, principalmente, não podemos mais acreditar nas falsas e sedutoras promessas de campanha.

Queremos o Rio Grande do tamanho que ele sempre foi e com a importância que sempre teve. Indutor de ideias e de atitudes. Muitas vezes servindo de sinuelo para o país. E não o contrário, dependendo da ajuda da União para quase tudo. Se temos direitos – e temos – não podemos mendigar o que é nosso, mas reivindicar e se preciso for, exigir. É por isso que precisamos de um(a) estadista. Comece a pensar nisso. Não deixa para a última hora. Sua família e as futuras gerações precisam da sua ajuda. Eleja um(a) estadista.


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