Quando a incompetência é a regra.
Falta água. Falta
luz. Falta ônibus. Falta governo. E não me venham com essa história de que
estamos tendo um dos verões mais escaldantes dos últimos tempos. Muito menos
que a greve dos rodoviários é um problema entre sindicato e empresários. Aqui
no Rio Grande do Sul se sabe que quando chove muito tudo alaga. Quando chega o
verão tem estiagem ou faz muito calor. E quando chega janeiro tem dissídio dos
rodoviários. Tudo previsível, portanto. Então por que os problemas se repetem?
Por que não são evitados? A resposta é múltipla. Porque falta planejamento.
Porque falta gestão. Porque falta governo competente.
Se governar é eleger
prioridades, como pode um sindicato se sobrepor à necessidade de uma cidade
inteira? Como pode serviços concedidos, como é o caso da energia e comunicação,
serem prestados de maneira ineficaz? Como pode o abastecimento de água, com
predomínio estatal, deixar milhares de habitantes sem acesso ao líquido da
vida? Mas não é só transporte, energia, comunicação e saneamento que estão
devendo em eficiência. As áreas da saúde, da segurança e da educação também. Falta
médico, remédio e leito. Falta efetivo policial e presídios. Falta escola em
boas condições e professores e alunos motivados.
O que esperar então
de um estado onde falta luz, água, ônibus, saúde, segurança e educação? É um caos que sangra a esperança. E não
adianta colocar a culpa na falta de recursos. É óbvio que as demandas serão
sempre maiores do que os recursos. Sempre foi assim e sempre será. Daí a
importância de termos gestores responsáveis e competentes. De que adianta um
governo que defende o interesse das minorias e se sente desobrigado com o
atendimento das necessidades da imensa maioria da população? E para complicar
ainda mais a situação, de que adianta uma Justiça que não é obedecida. Vide
greve dos rodoviários.
Até quando vamos
tolerar tanto desmandos? Onde está o brio revolucionário dos gaúchos? Onde estão
as nossas façanhas modelares? Como é possível ficar impávido diante de uma meia
dúzia de marginais que incendeiam ônibus, picham prédios, trancam ruas, enfim,
que fazem o que bem entenderem sem nenhuma interferência policial? Será que já
não temos motivos suficientes para dar um basta a tudo isto? Estamos esperando
o quê? Chega de desfaçatez e incompetência. Está mais do que na hora de
pegarmos nossos destinos com as próprias mãos. Não, não estou pregando o
anarquismo. Isso os atuais governantes já estão fazendo. Refiro-me ao poder de
usar a mãos, no caso o dedo, para escolher melhor os nossos representantes.
Votando certo.
Chega de engodo. Em
época de avanço tecnológico, de aumento da expectativa de vida, de
desbravamento do universo, não temos o direito de agir como idiotas. Façamos
valer nossa vantagem de seres pensantes. É o mínimo que podemos fazer a nosso
favor. Xô incompetência! Esse deve ser o grito das urnas.

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