segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Incompetência ou irracionalidade?



O título desse artigo não deixa dúvidas sobre a causa da decisão tomada pelo presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, de excluir do edital para o transporte coletivo de Porto Alegre a exigência de que todos os ônibus teriam que ter ar-condicionado. E a motivação para a ideia de jerico, tomada em meio ao verão mais escaldante dos últimos setenta anos, foi a de baratear a futura tarifa em dez centavos. Dez centavos para ter o conforto de andar, por vezes mais de uma hora, num veículo superlotado. É ou não é digno do prêmio besta do ano?

Ora, como alguém que deveria estimular o uso do transporte coletivo, numa cidade saturada de automóveis, pode restringir um conforto capaz de influenciar os porto-alegrenses a utilizá-lo? E por míseros dez centavos. E ele, com a fatiota de paladino da mesquinhez, ainda têm a ousadia de dizer chegou à conclusão de que a comunidade quer priorizar a tarifa mais baixa, daí a extinção do ar-condicionado. Como assim? A população foi consultada? Não me lembro? Por isso aposto no achismo e não na convicção.

Trata-se de piorar um serviço que já conta com 36% da frota (1,7 mil coletivos) com ar-condicionado instalado. Ou seja, quando um desses ônibus precisar de substituição ele será trocado por outro sem ar-condicionado. Maravilha, não? Isso é o que podemos chamar de ideia brilhante! E o sabe-tudo da EPTC complementa: “O ar-condicionado aumenta em 25% o gasto com óleo diesel e necessita de manutenção permanente”. Então tá. E para ele isso só deve ocorrer no Rio Grande do Sul. Tá certo, para ele o cidadão que anda de ônibus não quer ter conforto.

Seria bom ele perguntar a opinião da Dilma, que não só oportuniza a compra da casa própria como financia, a juros baixos, a compra de móveis e eletrodomésticos, dentre eles o aparelho de ar-condicionado. Para a felicidade e satisfação da nova classe média. Na contramão, a tese de Cappellari para o transporte coletivo deveria gerar uma espécie de programa popular intitulado “Meu suor, Minha Vida”.


Talvez o presidente da EPTC não tenha pensado na possibilidade de usar a eficiência e a boa gestão para baratear as tarifas. Uma planilha de custos bem elaborada, com pitadas de justiça social, seria bem mais cidadã do que a retirada dos aparelhos de ar-condicionado. Mas isso seria pedir demais. Isto me leva a pensar em como serão os vagões do futuro metrô da Capital. Não terão ar-condicionado, com toda a certeza. Bem, mais isso é coisa prá muito depois. Ainda bem, pois assim temos a chance de não ter mais os especialistas de Fortunati na condução da circulação viária de Porto Alegre.

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