Não
subestimem a Brigada Militar.
Segurança
pública é coisa séria. Lida com a vida das pessoas. Com o zelo do patrimônio de
terceiros, construído com o suor do seu trabalho. Por isso essa atividade tem
que contar com profissionais competentes, bem treinados e com uma conduta pessoal
irretocável. É por isso que a Brigada Militar, ao longo dos seus 176 anos de
existência, consolidou uma imagem positiva diante da sociedade gaúcha. Quem não
se recorda dos antigos Pedro e Paulo, considerados os amigos da comunidade. As
pessoas respeitavam, confiavam e admiravam o trabalho desenvolvido pelos
brigadianos(as). Qual era o segredo disso tudo? Um treinamento
militarizado baseado na disciplina, hierarquia e foco no interesse público. Uma
fórmula de sucesso que não poderia ser contaminada, sob pena de corroer as
entranhas da corporação.
Pois é isso que
está acontecendo. Aliás, se repetindo. A primeira vez que houve uma tentativa
de partidarizar a Brigada, introduzindo o ingrediente político como o principal
elemento da atuação da instituição foi o governador Olívio Dutra. E deu no que
deu. Oficiais à paisana jogando coquetéis molotov no relógio dos 500 anos do
descobrimento do Brasil. Quebra da hierarquia, quando uma escrivã de polícia
ligada ao MST passou a mandar mais que o secretário de segurança da época, José
Paulo Bisol. E outros absurdos mais.
Uma década após
a superação desse que foi considerado um momento trágico da exitosa biografia da
Brigada Militar, novamente durante um governo do PT, a história se repete.
Agravada. A ordem agora é não se intrometer nos protestos das ruas. “Temos que
colocar a segurança física das pessoas acima da defesa do patrimônio”, determinou o
governador Tarso Genro. Assim, a qualificada e bem treinada tropa de
brigadianos passou a ter uma ação contemplativa e não mais preventiva ou
combativa. E isso só fez aumentar a violência dos protestos e a sensação de
insegurança da população. Ah, e a ousadia dos bandidos, que agora se
encorajaram na execução de seus crimes, praticando assaltos a qualquer hora do
dia e de forma cada vez mais agressiva, a ponto de usarem bananas de dinamite
como “material de trabalho”.
O resultado
dessa nova filosofia de segurança pública é a existência de uma tropa com baixa
autoestima. Isso, aliado aos baixos salários da categoria e a adoção de
critérios políticos para o crescimento na carreira, tem gerado um sentimento de
insatisfação no mundo brigadiano. Como a disciplina ainda perdura, essa
inconformidade ainda se mantém silenciosa. Mas tal qual um vulcão prestes a
entrar em erupção, “a lava fermenta nas entranhas” da instituição.
No que isso
vai resultar não é difícil de prever. Na época de Olívio a corporação votou maciçamente
contra o então candidato petista, Tarso Genro. A tendência é que isso se repita
na eleição deste ano. O incêndio de dez viaturas ocorrido na última madrugada,
dentro de um quartel da Brigada, é um forte indicativo de que a tendência tem
tudo para se tornar realidade. Aliás, não foi a primeira vez que isso aconteceu no governo Tarso. No ano passado duas viaturas da BM foram incendiadas no pátio da secretaria estadual da Segurança.
Que o final
dessa história seja feliz, com o bem se sobrepondo ao mal. Para a felicidade
geral dos gaúchos e para o fortalecimento da briosa Brigada Militar.

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