Porque o PT afronta a Justiça?
Nada
como um dia após o outro. Quando o Partido dos Trabalhadores ainda era um
partido aspirante ao poder era comum ver suas lideranças clamando por justiça
para punir seus adversários políticos, alvos preferências de denúncias
efetuadas pelos próprios petistas. Bastou o PT ascender ao poder (seja em que
esfera for) para que tudo mudasse. Agora o respeito às decisões judiciais (seja
em que instância for) só ocorre se o(s)
réu(s) não forem petistas. Se forem, sai de baixo.
É
o que se tem observado a nível nacional, regional e municipal. Dentre os casos
mais recentes estão as declarações públicas da direção nacional do PT (em nota
oficial) sobre a decisão do STF no caso
Mensalão e a manifestação dura do presidente do PT-RS, Raul Pont, que
classificou de “absurda e inadequada” a decisão do STE de impugnar a vitória de
Tarcísio Zimmermann na eleição de Novo Hamburgo. Até mesmo a nível estadual já
se ouviu e continuamos ouvindo declarações de representantes do Executivo,
contrários as decisões do TJ, onde o Estado foi derrotado após ter aprovado
leis no plenário do Parlamento gaúcho. E
olha que o governador do Estado já foi ministro da Justiça.
Não
fosse a divergência nas suas atitudes (antes e depois de chegar ao poder), o
confronto do PT com as decisões da Justiça se contrapõe a dois conceitos
basilares: o de que decisão judicial não se contesta (ainda mais as do STF) se
cumpre e o de que no regime republicano é
imprescindível o respeito a independência e autonomia dos poderes.
O
que houve afinal para que o PT colocasse, repentinamente, a Justiça brasileira
na sua alça de mira? Ou melhor. O que mudou? O PT ou a Justiça? Não sei se o PT
acha que o Brasil não consegue mais viver sem ele no poder, mas sei que a
democracia não sobrevive sem o poder da Justiça. Já diziam os mais velhos:
respeito é bom e preserva os dentes. É
por ai.
Imagem: nacionalpress.blogspot.com

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