Fala Dilma.
Com um currículo irretocável de
boa técnica e eficaz administradora, Dilma Rousseff vinha consolidando, ao
longo dos seus quase dois anos a frente da presidência da República, essa
imagem de boa gestora. Vinha, pois sua omissão diante do quadro de insegurança
que se estabeleceu em São Paulo e Santa Catarina, onde o crime organizado de
dentro dos presídios passou a coordenar a matança de policiais e aterrorizar a
população, assassinando civis e queimando ônibus e carros, está manchando essa
trajetória até então bem-sucedida.
Digo omissão pelo total silêncio
da presidente quanto aos fatos que estão gerando intranquilidade ao país (basta
ver as notícias de que outros estados estão temerosos de se verem envolvidos em
ações semelhantes às de SP e SC) e que são expostos fartamente pela imprensa.
Diante de brasileiros amedrontados (tem trabalhador com medo de andar de ônibus
porque o mesmo poderá ser incendiado), Dilma até agora não deu uma só declaração
sobre o que pensa ou o que pretende fazer para acabar com esse clima lembra uma
guerra civil, onde bandido caça polícia, polícia extermina bandido, com baixas
civis constantes.
Pelo contrário. Os porta-vozes do
seu governo, ao se pronunciarem, só tem aumentado esse sentimento de
insegurança, chegando ao ponto do ministro da Justiça declarar que se pudesse
optar entre ser preso e ir para uma penitenciária ou se matar, escolheria a
segunda alternativa. Ora vejam se isso tem cabimento? Se o sistema carcerário
apresenta problemas ele, como responsável pela área, deveria é buscar solução
para os mesmos e não disseminar a imagem de caos total. Mesmo diante dessa
infeliz declaração não se ouviu nenhum comentário da presidente. O que
demonstra concordância, por suposto.
E também não adianta nada dizer que os Estados são os responsáveis diretos pela busca de uma solução para a crise instalada. É
claro que são. Mas se estamos numa República e dois estados estão tendo problemas
com a segurança pública, isto diz respeito também ao poder central. Ou será que
o imobilismo é porque o governadores de São Paulo e Santa Catarina não são do
PT, partido de Dilma? Ora, se for, pensar em partido numa hora onde a vida das
pessoas está correndo risco é de uma irresponsabilidade desmedida e
inaceitável.
E cá entre nós, a julgar pela
posição adotada pelo PT em relação ao julgamento do Mensalão, quando líderes do
partido questionaram a seriedade das decisões tomadas pelo STF, não sei se a
situação (omissão) seria diferente se SP e SC fossem administrados por
petistas. Talvez a situação fosse até pior, tendo em vista a ótica desfocada de
direitos humanos defendidas pelo PT, simbolizada na declaração do ministro José
Eduardo Cardoso.
Mas este silêncio de Dilma Rousseff
não pode continuar. Ela foi eleita para governar e assumir responsabilidades. E esta é uma hora que ela precisa mostrar
liderança. Fazer jus ao currículo que a levou a ter a confiança da maioria dos eleitores.
Faça alguma coisa para ajudar Dilma. Ou pelo menos diga alguma coisa. Fala
Dilma!

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