O veraneio a moda gaúcha.
Começou.
Estamos nos aproximando do final do ano e já se intensifica o vai-e-vem de
veículos nas estradas que conduzem as praias do litoral do Rio Grande do Sul, o
que significa a reedição da tradicional epopeia migratória dos sul-rio-grandenses.
Confesso que
nunca entendi bem essa fixação dos gaúchos pelo mar. Claro que o motivo maior é o calor
escaldante e sufocante do verão aqui dos pampas. Mas cá entre nós, mesmo a
beira-mar o calor também é grande. E nem mesmo a água do mar serve de incentivo
maior para a busca do litoral, haja vista que na imensa maioria do tempo ela é
fria e de tonalidade marrom, dando-lhe um aspecto de suja.
Da mesma forma
a areia da beira-mar nada tem nada de atrativo. Grossa e na maioria das vezes
entremeada por entulhos provocados por pessoas mal educadas, a extensa faixa de
terra de nosso litoral só serve mesmo como passarela de “beldades” e palco para
bronzeamento. Ah, e para a prática de esportes inadequados a áreas ocupadas por
dezenas, centenas e às vezes milhares de turistas de ocasião, como futebol,
vôlei, frescobol (que nome esse) e até mesmo bocha. Mas também não dá para
reclamar disso, afinal, são tão poucas as áreas de lazer de nossas praias.
E qual é a
opção senão a beira-mar? Muitas. Circular por ruas esburacadas e
congestionadas, que depois de uma chuva ficam alagadas. Ou caminhar por
calçadas também esburacadas e cobertas de lixo e mato. Ou frequentar
restaurantes, shoppings e outros estabelecimentos comerciais superlotados.
Neste caso é preciso estar preparado para duas coisas: a falta de
estacionamento e a institucionalização da fila obrigatória. Superados estes
obstáculos, quando finalmente o “cristão” consegue um lugar à mesa, passa a ser
vítima de garçons e atendentes despreparados para a função e dos preços
abusivos.
Mas há a
alternativa de ficar em casa, curtindo a família. Jogando canastra, dominó, videogame
ou outro jogo qualquer. Assando um churrasquinho. Descansando numa rede. Ou jogando conversa fora. Maravilha não? Há
controvérsias. Se a família for numerosa provavelmente terá problemas com a
rede de esgoto. E se a praia estiver muito cheia de gente poderão ocorrer
apagões energéticos eventuais. E até mesmo falta d’água. E não raros problemas
com a coleta do lixo.
Maravilha não?
E pensar que os veranistas tem tudo isso (minimizados é claro) nas suas cidades
de origem. E que alguns mantêm uma casa ou apartamento no litoral apenas para o
“desfrute” de algumas semanas/ano ou no máximo 30 dias de férias. No caso de
donas de casa ou aposentados, três meses. É por isso que tenho dificuldade de
entender essa preferência litorânea dos gaúchos. Só se for pela aventura. Bem,
ai vale tudo. Até mesmo passar trabalho e sofrer.
Mas se você
acha que estou exagerando e desconhecendo a importância do turismo para a
economia do estado e da região litorânea fica as seguintes perguntas: Por que estes
problemas citados ainda perduram? Por que o poder público ou a iniciativa
privada ainda não investiram como deveriam na infraestrutura da região
litorânea? Por que o litoral gaúcho ainda não se transformou num atrativo turístico para os 365
dias do ano?
Para não dizer
que quase nada foi feito, a exceção fica por conta da construção civil, que
prepara incessantemente o terreno para a vinda de mais veranistas sofredores. Mas a situação é cada vez mais difícil, pois nem mesmo vendo a Rota do Mar e a BR-101
servindo de corredores de passagem para as praias de Santa Catarina as coisas
melhoram. Ah, e tem as praças de pedágio
localizadas nas vias de acesso ao litoral. Estas sim, funcionando
maravilhosamente bem. Para as concessionárias.
Sendo assim,
só me resta desejar um bom veraneio aos turistas gaúchos. Aproveitem bem o
nosso litoral, se puderem. Estarei torcendo por vocês de algum paraíso turístico
do nordeste.
Imagem: zerohora.clicrbs.com.br

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