STF, a tranqueira invicta do Brasil.
E o vizinho de Lula no Palácio do Planalto, pasmem,
era chefe da quadrilha do Mensalão, responsável, segundo palavras do
procurador-geral da República, Roberto Gurgel, “pelo maior e mais atrevido
escândalo de corrupção de todos os tempos no Brasil”. E quem imputa o título de
chefe da quadrilha ao ex-chefe da Casa Civil de Lula, José Dirceu, não é mais
tão somente a imprensa, os integrantes de partidos que fazem oposição ao PT e Gurgel, mas o Supremo Tribunal Federal, que na tarde desta terça-feira, por seis
votos favoráveis e dois contra (Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli), embora
ainda faltem votar os ministros Celso de Mello e Ayres Brito, condenou-o por
crime da corrupção ativa. E de “nhapa”, condenou também o presidente e o
tesoureiro do PT nacional à época da fraude, respectivamente, José Genuíno e
Delúbio Soares.
Como diz o ditado gauchesco, “foi-se a égua com
palanque e tudo”. Ou seja, não há mais nenhuma dúvida sobre a época em que o PT
perdeu sua “virgindade ética e moral”. Foi no início do governo Lula. Aliás, também
não há mais como aceitar a desculpa do ex-presidente de que nada sabia e que,
por isso mesmo, duvidava da existência do chamado Mensalão. Com a decisão do
STF sabe-se, agora, que seria impossível ele não saber. Podem chamar Lula do que
quiserem, mas a única pecha que não lhe serve é a de ingênuo. Nenhum metalúrgico
simplório chega a presidente da República. Sua responsabilização na execução daquela
que é a maior falcatrua político-financeira da história desse país precisa ser
devida e rigorosamente apurada.
Ainda que sem entrar na fase de dosimetria, quando
se saberá as penas a serem aplicadas aos réus condenados, a atuação do STF pode ser considerada impecável. Tão louvável que deixa a sociedade brasileira com a
certeza de poder contar com um Poder Judiciário competente e confiável. Exemplo
a ser seguido como modelo pelos demais poderes, instituições públicas e
privadas, e pela população em geral. Se a Itália se orgulha da sua Justiça pelo
episódio da Operação Mãos Limpas, que também tratou de crimes de corrupção, o
Brasil igualmente pode se orgulhar da sua, pelo magnífico trabalho realizado
pelo STF.
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