A eleição de 2014 já começou.
Tal qual os clubes de futebol e as escolas de samba que tão logo terminam
seus campeonatos e desfiles já iniciam os preparativos para a próxima
competição e para o próximo carnaval, também os partidos políticos no
encerramento das eleições já começam a planejar o próximo pleito. É o que se
constata, por exemplo, no Rio Grande do Sul. As urnas das eleições municipais
ainda nem esfriaram (ainda falta a realização do segundo turno em Pelotas) e os
partidos já começam a pensar nas eleições de 2014. Pelo menos é o que se percebe
nos primeiros movimentos do tabuleiro político gaúcho. Se não vejamos.
Tarso Genro, que certamente irá concorrer à reeleição, já fala em
mudanças no secretariado. A desculpa para o rearranjo administrativo é a
readequação de forças devido ao resultado das eleições municipais. Mas não é. O
foco é a eleição estadual. Sabedor da importância do PDT para a sua pretensão,
Tarso dá indícios de que irá oferecer a vaga de vice para os trabalhistas. Mas
como ficaria o PSB, atual detentor do cargo? Tudo indica que ocuparia a vaga
para o senado na chapa majoritária encabeçada pelo petista.
E quanto ao PSB? Beto Albuquerque pensaria novamente num vôo solo? Tudo indica
que seu desejo seria a disputa da vaga para o senado. Em seu benefício está a ocupação daquela que
é a área com mais recursos e maior visibilidade do governo Tarso, a Secretaria
de Infraestrutura. Se a intenção de Albuquerque é mesmo a vaga de senador,
acredito que as chances de uma nova aliança estariam bem encaminhadas. Resta
saber o futuro do atual vice de Tarso, Beto Grill.
E Manuela, aceitaria a missão de
representar o PCdoB numa candidatura
própria? Acredito que não. Mas tenho dúvidas. Teria que, mais uma vez, desfazer
as críticas de que lhe falta experiência administrativa. A menos que queira
usar a eleição estadual como trampolim para a de 2016, quando tentaria, mais
uma vez, a conquista da prefeitura de Porto Alegre.
E o PSol e o PSTU? Ah, esses vão
continuar buscando o crescimento e fortalecimento das suas siglas, apresentando
candidato próprio e com discurso de extrema esquerda. Mas quem seriam seus
candidatos? No PSol aposto em
Roberto Robaina e Luciana Genro (se tiver a ousadia de enfrentar o pai). Mas não descarto Fúlvio Petracco. Já no PSTU os nomes mais conhecidos são Júlio
Flores, Érico Corrêa e Vera Guasso.
Mas e os dois maiores partidos em
termos de prefeituras e vereadores, o PP e o PMDB? Para esses eu não titubeio.
Terão candidaturas próprias. Porque isso é básico para as suas sobrevivências.
Para eles, a busca do poder não é uma alternativa, é uma obrigação. E, no caso
do PMDB, abundam candidatos. Arrisco
alguns nomes e acredito que o candidato sairá dessa lista. São eles: José Ivo
Sartori, Ibsen Pinheiro, José Fogaça e Germano Rigotto. Quanto à Rigotto,
acredito que sua intenção será concorrer ao senado. Mas e o Pedro Simon? Bem,
se Simon quiser concorrer a mais um mandato a vaga é dele. Particularmente não
acredito nessa possibilidade. Acho que a idade lhe pesa e sua saúde não é mais
a mesma. Ai Rigotto entra rachando na disputa pela vaga. Aposto no nome de José
Ivo Sartori como candidato preferencial para a vaga de governador. Resta saber
se o PMDB vai querer ter dois candidatos caxienses na mesma chapa.
Quanto ao PP não tenho dúvidas. O partido joga todas as suas fichas na
senadora Ana Amélia Lemos. A menos que ela não queira. E esse é o maior temor
dos progressistas. Há muito tempo – mais de duas décadas – que os progressistas
não tinham um nome com o potencial de vitória como o de Ana Amélia. Este será o
grande desafio dos progressistas, convencer a senadora a concorrer. Mas ao mesmo tempo em que acredita nas chances de Ana Amélia, o PP sabe da necessidade de encontrar parceiros para a
composição de uma aliança forte. O partido ideal seria o PMDB. Independente de
quem ocupasse a cabeça da chapa, a coligação poderia ser considerada "pule de 10" na eleição. Mas não vejo condições para isso. Tanto PP como PMDB querem ser
protagonistas. E o PP já está de olho nos erros de Tarso. Constituiu um Grupo
de Assessoramento Técnico, coordenado pelo ex-governador Jair Soares, que avalia,
permanentemente, o cumprimento das promessas do então candidato Tarso Genro.
E o PSDB, terá candidato próprio? Se dependesse apenas da existência de
um nome com boa visibilidade, não. As eleições municipais recém-findas, comprovaram que os tucanos, fortes nacionalmente, podem ser considerados um
partido nanico no Rio Grande do Sul. Mas, mesmo assim, acredito que terão
candidato a governador. Por dois motivos. Por interesse da ex-governadora Yeda
Crusius (para aproveitar a campanha para traçar um comparativo entre sua
administração e a de Tarso) e do comando nacional do PSDB (que terá candidato à
presidência da República, muito provavelmente Aécio Neves). O difícil para o
PSDB gaúcho, mais uma vez, será unir o partido internamente e encontrar um nome de consenso.
Sobre o destino do novato PSD,
tudo vai depender do seu “dono” e fundador, Gilberto Kassab. Nesse sentido o
partido, que ainda busca sua estruturação nacionalmente, poderá ter candidato a
governador. Hoje só há um nome de destaque para isto: Danrlei. Tal qual o PSD,
o ídolo gremista também engatinha no cenário político do Rio Grande do Sul,
razão pela qual, se for candidato, será apenas para cumprir missão. Creio que o futuro do PSD estará voltado para
as eleições proporcionais, daí a possibilidade real do partido integrar apenas uma coligação, sem oferecer candidato à chapa majoritária.
Situação semelhante envolve o PTB e o PPS, que ao meu ver, irão priorizar as eleições proporcionais.
Quanto às demais siglas, como PRB,
PV, PSL, PMN, PCB e outras mais, não acredito na possibilidade de candidaturas
próprias. Por vários motivos. O principal deles é a falta de recursos para
bancarem uma eleição majoritária. Entrarão no pleito como meros figurantes.
Esta, ao meu ver, é a fotografia do momento da
eleição de 2014, que tem todos os ingredientes para ser uma das mais acirradas
e emocionantes das últimas décadas. É ver para crer.
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