A mensagem das urnas.
A
eleição municipal, recém finda, está a demonstrar uma mudança no perfil da
maioria do eleitorado brasileiro. A primeira delas é a preferência pelos
partidos de esquerda. No Brasil, por exemplo, de todos os grandes partidos (com
mais de 100 prefeituras) que disputaram a eleição do dia 7 de outubro, apenas o
PT e o PSB conseguiram aumentar o número de prefeitos. Todos os demais
decresceram. Nesse aspecto é necessário ressaltar que o partido estreante dessa
eleição, o PSD, já aparece em quarto lugar no total de prefeituras, superando
siglas tradicionais como o PP, o PDT, o DEM e o PTB.
No
Rio Grande do Sul ocorreu o mesmo com o PP, PMDB, PTB e DEM, que tiveram
reduzidos o total de prefeituras, no comparativo com a eleição de 2008. Já com
o PT, PDT e PSB ocorreu o contrário. Aumentaram sua participação no quadro
estadual de prefeitos. Mas isto não impediu que o PT perdesse prefeituras
importantes, como Caxias do Sul e São Leopoldo, por exemplo. Mesmo assim, PP e
PMDB se sagraram campeão e vice, respectivamente, no tocante a conquista do
maior número de prefeitos e vereadores.
Isto,
a meu ver, comprova a necessidade dos partidos realizarem uma profunda análise
da sua identificação com o eleitor brasileiro, do seu estado e do seu
município.
Uma
delas, muito importante, resulta do descrédito do eleitor para com a política e
os políticos - nesta eleição agravado pela Lei da Ficha Limpa - é a nominata dos
candidatos. Nesse aspecto, a eleição
municipal nos mostrou que o eleitor está preferindo aqueles que,
comprovadamente, são bons gestores, honestos, éticos e dedicados às causas
populares. Ou seja, os partidos precisam
selecionar melhor os seus candidatos.
Outra
avaliação que precisa ser feita refere-se a montagem das coligações. Tanto na
eleição majoritária como na proporcional. A busca de parcerias ideologicamente diversas,
sem identidade programática, apenas para agregar tempo na propaganda eleitoral
de rádio e TV, acaba confundindo o eleitor, que não consegue detectar
diferenças significativas entre um partido e outro. E isto ocorre também no
conteúdo das mensagens, um emaranhado de propostas muito parecidas.
Com
tantas siglas e conteúdos semelhantes é de se questionar a viabilidade da existência
de tantos partidos. Bem, mas este é outro assunto. O que importa mesmo para os
partidos, nessa fase de rescaldo da eleição, é identificar os motivos para a
modificação ocorrida no perfil do eleitor gaúcho. Saber o porquê da nova preferência
política e partidária. Afinal, teremos outra eleição daqui a menos de dois
anos.
Imagem: estadao.com.br

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