terça-feira, 9 de outubro de 2012



A mensagem das urnas.



A eleição municipal, recém finda, está a demonstrar uma mudança no perfil da maioria do eleitorado brasileiro. A primeira delas é a preferência pelos partidos de esquerda. No Brasil, por exemplo, de todos os grandes partidos (com mais de 100 prefeituras) que disputaram a eleição do dia 7 de outubro, apenas o PT e o PSB conseguiram aumentar o número de prefeitos. Todos os demais decresceram. Nesse aspecto é necessário ressaltar que o partido estreante dessa eleição, o PSD, já aparece em quarto lugar no total de prefeituras, superando siglas tradicionais como o PP, o PDT, o DEM e o PTB.

No Rio Grande do Sul ocorreu o mesmo com o PP, PMDB, PTB e DEM, que tiveram reduzidos o total de prefeituras, no comparativo com a eleição de 2008. Já com o PT, PDT e PSB ocorreu o contrário. Aumentaram sua participação no quadro estadual de prefeitos. Mas isto não impediu que o PT perdesse prefeituras importantes, como Caxias do Sul e São Leopoldo, por exemplo. Mesmo assim, PP e PMDB se sagraram campeão e vice, respectivamente, no tocante a conquista do maior número de prefeitos e vereadores.

Isto, a meu ver, comprova a necessidade dos partidos realizarem uma profunda análise da sua identificação com o eleitor brasileiro, do seu estado e do seu município.

Uma delas, muito importante, resulta do descrédito do eleitor para com a política e os políticos - nesta eleição agravado pela Lei da Ficha Limpa - é a nominata dos candidatos.  Nesse aspecto, a eleição municipal nos mostrou que o eleitor está preferindo aqueles que, comprovadamente, são bons gestores, honestos, éticos e dedicados às causas populares.  Ou seja, os partidos precisam selecionar melhor os seus candidatos.

Outra avaliação que precisa ser feita refere-se a montagem das coligações. Tanto na eleição majoritária como na proporcional. A busca de parcerias ideologicamente diversas, sem identidade programática, apenas para agregar tempo na propaganda eleitoral de rádio e TV, acaba confundindo o eleitor, que não consegue detectar diferenças significativas entre um partido e outro. E isto ocorre também no conteúdo das mensagens, um emaranhado de propostas muito parecidas.

Com tantas siglas e conteúdos semelhantes é de se questionar a viabilidade da existência de tantos partidos. Bem, mas este é outro assunto. O que importa mesmo para os partidos, nessa fase de rescaldo da eleição, é identificar os motivos para a modificação ocorrida no perfil do eleitor gaúcho. Saber o porquê da nova preferência política e partidária. Afinal, teremos outra eleição daqui a menos de dois anos.

Imagem: estadao.com.br

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