E o Brasil pende para
a esquerda.
O resultado das eleições municipais deste ano
confirma uma tendência que se consolidada pleito a pleito: o eleitor
brasileiro, cada vez mais, está votando nos partidos de esquerda. Levantamento
realizado pela colunista Rosane de Oliveira sobre os partidos mais votados nas
eleições deste ano, mostra o PT como campeão de votos, com 27 milhões votos
recebidos. Em segundo lugar aparece o PMDB, com 23,1 milhões, depois o PSDB, com
16,5 milhões e, em quarto lugar, o PSB com 15,3 milhões. A surpresa nesse
apanhado é o PSB, até então um partido que aparecia sem maior destaque.
Mas será que o mérito do crescimento da esquerda é mesmo
dela, pela diferenciação positiva em relação aos partidos da chamada
centro-direita? Ou será que PMDB, PSDB, PDT, PP e DEM, para ficar apenas nos
mais conhecidos, é que perderam a sintonia com o eleitor? Aposto na segunda
hipótese. Explico. Como se percebe no levantamento realizado por este blog,
relativo à conquista das capitais, onde os partidos tradicionais não venceram,
quem ganhou foram partidos até então inexpressivos ou novatos. No primeiro caso
o PSOL e o PTC. No segundo, o PSD. Dos três, dois são de esquerda.
Mas o que tem levado o eleitor a preferir os
partidos de esquerda? São muitos os motivos. O principal, em minha opinião, é o
fim da diferenciação ideológica provocado, principalmente, pela montagem de
governos pluripartidários de origem distintas. Se todo mundo é igual, na hora
de votar o eleitor ou mantém tudo como está ou vai buscar uma alternativa nos
partidos que ainda não tiveram oportunidade de ocupar o poder. E aí é que
reside a sabedoria dos partidos de esquerda: eles conseguem, ao contrário dos
demais, produzir uma mensagem que se identifique com o desejo do eleitor. Isto
é habilidade político-eleitoral. Ou seja, a esquerda tem sido mais eficiente (no
discurso) no convencimento do eleitor do que os partidos de centro e de
direita.
Outro fator que beneficia a esquerda, no caso o PT,
especialmente na eleição presidencial, é a figura altamente popular de Lula. Nenhum
outro partido tem uma liderança do porte dele. É o populismo de esquerda. E
tudo indica que o indicado de Lula, ou ele mesmo se quiser, será o vencedor da
eleição de 2014. Talvez seja este o motivo do PMDB, mesmo tendo o maior número
de prefeitos do Brasil, se conformar em continuar servindo de linha auxiliar do
PT no Palácio do Planalto. Na ausência de um nome competitivo deixa tudo como
está. Esquece, porém, que agindo assim estará cada vez mais distanciado da
conquista do poder, razão maior da existência e um partido político.
Já o PSDB, que possui um patrimônio eleitoral
respeitável a nível nacional, sabedor do desgaste de Serra e Alckmin (que já
perderam para Lula e Dilma), parece que irá optar pela novidade eleitoral:
deverá ter Aécio Neves como candidato a presidente da República. Ao meu ver mais
por ser sobrinho de Tancredo Neves do que por ser senador e ex-governador de
Minas Gerais. Mas se a aposta na novidade é considerada um atrativo para o voto,
outro candidato lembrado, agora pelo PSB, é o do governador de Pernambuco,
Eduardo Campos. Se concorrer, será uma aposta na continuidade do crescimento
nacional do PSB. E se conseguir o feito de se eleger, será mais um exemplo da
preferência dos brasileiros pelos partidos de esquerda.
É por todos estes fatos e fatores que não visualizo,
a curto prazo, uma alternativa para a mudança do atual status quo do cenário político
nacional. E a médio e longo prazo só vejo uma alternativa: uma mudança radical
dos partidos de centro-direita. Ou muda a direita ou praticamente desaparece. O
DEM que o diga. Para isso, um importante avanço seria a união dos partidos de
direita para um grande debate sobre o seu futuro.
Imagem: juventudepolitica.tumblr.com

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