sexta-feira, 2 de outubro de 2020

 

O eleitor merece ser respeitado nos debates

 


Eu estava pronto para detalhar, a exemplo do que fiz com o debate da Rádio Gaúcha, o primeiro debate televisivo entre os candidatos à ´prefeitura de Porto Alegre. Dá um trabalhão danado sintetizar o que dizem treze candidatos, mas sempre tem algo que vale a pena destacar. Mas desisti. O debate promovido pela Band RS foi muito do “já te vi antes”. Ou seja, o aproveitável já tinha sido dito no debate da Gaúcha.

Ainda sem a ferramenta do programa eleitoral de rádio e televisão, onde brilha a criatividade dos marqueteiros, o debate da Band serviu mais para que o eleitor fizesse um descarte das chances de votar em alguns candidatos do que praticamente decidir seu voto.  Não falo da peneira dos projetos e programas, mas da postura comportamental dos candidatos. E nisso a seriedade, a serenidade e o respeito ao adversário contaram pontos valiosos. Foram, digamos, um diferencial “a olhos nus”.

Mas por que isso importa? Por vários motivos, mas um dos principais é que o temperamento de um prefeito influencia na tomada das suas decisões e isto se reflete diretamente nas ações do seu governo, nos relacionamentos institucionais e, consequentemente, na sensação do porto-alegrense de estar bem ou mal representado na prefeitura. Prova dessa importância foram as diversas acusações feitas ao prefeito Marchezan, no debate da Band, de que ele não sabe lidar com o contraditório, que é inepto para o diálogo e cruel e injusto para com seus adversários, muitos deles ex-colaboradores.

Até mesmo ataques pessoais, citando inclusive familiares dos candidatos, tiveram espaço no rinque de absurdos no qual alguns participantes transformaram o debate. Aliás, é de se indagar o que eles fazem num debate midiático, onde o objetivo é a apresentação de propostas para a resolução de problemas crônicos da cidade, se só sabem derramar suas bílis de ódio e de ressentimento? É preciso que os organizadores dos debates sejam mais criativos e inovadores, para que estes espaços não percam o interesse do eleitor. Onde as boas ideias possam ser melhor desenvolvidas e as contradições melhor exploradas. Não dá para esperar o segundo turno, se houver, para fazer isto. 

Com edições estaduais realizadas no mesmo dia e horário, o debate da Band RS ganhou projeção nacional não pela qualidade do seu conteúdo, mas pela bizarrice de um dos seus participantes, que no início do programa, ao ter a oportunidade de questionar o seu adversário sobre o que ele pretende fazer caso seja eleito, saiu-se com a seguinte pérola: “Fala aí o que tu quiser”. Foi exatamente nesse momento que larguei caneta e papel e decidi que não valeria a pena registrar o que certamente viria pela frente.

Sim, teve coisas boas no debate, em sua maioria já conhecidas (que serão detalhadas oportunamente neste blog), mas também muita coisa desnecessária, que me fez ruborizar de vergonha diante da tela da TV.  Tomara que o eleitor consciente da importância do momento saiba fazer a diferenciação e a depuração necessária para realizar a melhor escolha, pois chega de casuísmo, experiências, utopias e, principalmente, de maus exemplos. Se os candidatos não tem algo propositivo a dizer, que pelo menos nos debates respeitem o eleitor.


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