sábado, 10 de outubro de 2020

 

Horário eleitoral: semelhança  nas propostas

 e contundência nas críticas




O horário eleitoral de rádio e televisão dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre começou e não trouxe nada de novo, apesar dos discursos de que o novo seria a novidade da eleição. Com uma exceção: a pandemia. E por ser diferente, foi tratada por todos com igualdade de destaque e importância. Com ressalva para o candidato do Pros, Rodrigo Maroni, que se mostrou mais preocupado com o que acontece com os animais do que com as pessoas.

E essa é a grande questão e o grande desafio da eleição. Fazer com que o eleitor consiga definir seu voto não apenas naquilo que é dito, as vezes emoldurado por uma imagem plasticamente atraente e sedutora, mas naquilo que foi feito pelos postulantes ao cargo de prefeito em suas trajetórias como cidadão e político. E, claro, nos ideais defendidos por seus partidos e como eles são aplicados quando seus representantes ocupam cargos no Executivo e no Legislativo.

São mais sensíveis ao atendimento das necessidades da maioria da população, especialmente os mais carentes do auxílio municipal, ou são mais sugestionáveis aos apelos das minorias dominantes, que usam das suas influências econômicas para obter benefícios individualizados?

Mas como fazer essa triagem postural e como detectar essas tendências fisiológicas? Fácil, usando a tecnologia. Melhor dizendo, a Internet. Não há o que o “professor Google” não saiba responder. Claro, há que ter esmero com a fonte de pesquisa. E muito cuidado com as fakes news e com os formadores de opinião de credibilidade duvidosa.

Quando todo mundo oferece os mesmos produtos, como estamos vendo no horário eleitoral, o que diferencia um do outro, quando se trata da política do bem comum, não é a embalagem e muito menos o preço, mas a qualidade. Ah, e não esqueça de levar em conta o componente ideológico, importante num cenário como o que estamos vivenciando, divididos entre radicais de direita, liberais centristas e socialistas. Ter lado definido é fundamental não só na exposição das propostas, mas principalmente na transparência das intenções.

Feito estes alertas e estás ressalvas, vejamos resumidamente o que foi mostrado pelos candidatos no primeiro dia da propaganda de rádio e TV.

Manuela D’Ávila (PCdoB): Apresentou sua trajetória política, dizendo ser um caminho novo; fez referência ao uso da tecnologia pelos eleitores; e exaltou a valorização da diversidade dos porto-alegrenses.

Sebastião Melo (MDB): Utilizou o sentimentalismo como apelo, estratégia adotada com êxito nas campanhas de Rigotto e Sartori, sendo dentre todos aquele que realizou a frase mais intimista, “após uma guerra, precisamos de paz”. Pregou a esperança na retomada do pós-pandemia.

José Fortunati (PTB): Não teve aparição direta, sua voz apareceu numa narrativa de imagens da cidade, com foco na valorização da autoestima da capital.

Nelson Marchezan Júnior (PSDB): Focou na descrição das ações de sua gestão no combate à pandemia, dizendo que elas “foram pensadas, discutidas e ouvidas”.

Juliana Brizola (PDT): Apresentou uma espécie de “Carta Compromisso” com a população, tendo como bandeira principal a Educação, focando na esperança de dias melhores.

Fernanda Melchiona (PSOL): Teceu duras críticas aos governos federal e municipal, a ponto de chamar o presidente Jair Bolsonaro de criminoso.

Valter Nagelstein (PSD): Apresento seu currículo com cidadão e político.

Gustavo Paim (PP): Explicou sua ruptura com o prefeito Marchezan, chamando-o de traidor, e fez críticas ao modo personalista do tucano administrar a cidade.

Rodrigo Maroni (Pros): Defendeu a causa animal como sua única e principal bandeira de campanha.

João Derly (Republicanos): Perguntou ao eleitor qual o tipo de prefeito que ele deseja eleger: extremista, comunista, adepto ao monólogo ou que só pensa na reeleição? Apresentou-se como opção diferenciada.

Montserrat Martins (PV): Não enviou material para ser reproduzido.

Júlio Flores (PSTU) e Luiz Delvair (PCO) não participaram do horário eleitoral porque não são contemplados pelo cálculo dos tempos que leva em conta a representatividade dos partidos na Câmara dos Deputados.

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