O eleitor merece ser respeitado nos
debates
Eu
estava pronto para detalhar, a exemplo do que fiz com o debate da Rádio Gaúcha,
o primeiro debate televisivo entre os candidatos à ´prefeitura de Porto Alegre.
Dá um trabalhão danado sintetizar o que dizem treze candidatos, mas sempre tem
algo que vale a pena destacar. Mas desisti. O debate promovido pela Band RS foi
muito do “já te vi antes”. Ou seja, o aproveitável já tinha sido dito no debate
da Gaúcha.
Ainda
sem a ferramenta do programa eleitoral de rádio e televisão, onde brilha a
criatividade dos marqueteiros, o debate da Band serviu mais para que o eleitor
fizesse um descarte das chances de votar em alguns candidatos do que
praticamente decidir seu voto. Não falo
da peneira dos projetos e programas, mas da postura comportamental dos
candidatos. E nisso a seriedade, a serenidade e o respeito ao adversário
contaram pontos valiosos. Foram, digamos, um diferencial “a olhos nus”.
Mas por que isso importa? Por vários motivos, mas um dos principais é que o temperamento de um prefeito influencia na tomada das suas decisões e isto se reflete diretamente nas ações do seu governo, nos relacionamentos institucionais e, consequentemente, na sensação do porto-alegrense de estar bem ou mal representado na prefeitura. Prova dessa importância foram as diversas acusações feitas ao prefeito Marchezan, no debate da Band, de que ele não sabe lidar com o contraditório, que é inepto para o diálogo e cruel e injusto para com seus adversários, muitos deles ex-colaboradores.
Até
mesmo ataques pessoais, citando inclusive familiares dos candidatos, tiveram espaço no rinque de
absurdos no qual alguns participantes transformaram o debate. Aliás, é de se
indagar o que eles fazem num debate midiático, onde o objetivo é a
apresentação de propostas para a resolução de problemas crônicos da cidade, se
só sabem derramar suas bílis de ódio e de ressentimento? É preciso que os
organizadores dos debates sejam mais criativos e inovadores, para que estes
espaços não percam o interesse do eleitor. Onde as boas ideias possam ser
melhor desenvolvidas e as contradições melhor exploradas. Não dá para esperar o
segundo turno, se houver, para fazer isto.
Com
edições estaduais realizadas no mesmo dia e horário, o debate da Band RS ganhou
projeção nacional não pela qualidade do seu conteúdo, mas pela bizarrice de um
dos seus participantes, que no início do programa, ao ter a oportunidade de
questionar o seu adversário sobre o que ele pretende fazer caso seja eleito,
saiu-se com a seguinte pérola: “Fala aí o que tu quiser”. Foi exatamente nesse
momento que larguei caneta e papel e decidi que não valeria a pena registrar o
que certamente viria pela frente.
Sim,
teve coisas boas no debate, em sua maioria já conhecidas (que serão detalhadas oportunamente neste blog), mas também muita
coisa desnecessária, que me fez ruborizar de vergonha diante da tela da TV. Tomara que o eleitor consciente da importância
do momento saiba fazer a diferenciação e a depuração necessária para realizar a melhor
escolha, pois chega de casuísmo, experiências, utopias e, principalmente, de
maus exemplos. Se os candidatos não tem algo propositivo a dizer, que pelo
menos nos debates respeitem o eleitor.

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