Horário eleitoral: semelhança nas propostas
e contundência nas críticas
O
horário eleitoral de rádio e televisão dos candidatos à prefeitura de Porto
Alegre começou e não trouxe nada de novo, apesar dos discursos de que o novo
seria a novidade da eleição. Com uma exceção: a pandemia. E por ser diferente,
foi tratada por todos com igualdade de destaque e importância. Com ressalva
para o candidato do Pros, Rodrigo Maroni, que se mostrou mais preocupado com o
que acontece com os animais do que com as pessoas.
E
essa é a grande questão e o grande desafio da eleição. Fazer com que o eleitor consiga
definir seu voto não apenas naquilo que é dito, as vezes emoldurado por uma
imagem plasticamente atraente e sedutora, mas naquilo que foi feito pelos
postulantes ao cargo de prefeito em suas trajetórias como cidadão e político. E,
claro, nos ideais defendidos por seus partidos e como eles são aplicados quando
seus representantes ocupam cargos no Executivo e no Legislativo.
São
mais sensíveis ao atendimento das necessidades da maioria da população, especialmente
os mais carentes do auxílio municipal, ou são mais sugestionáveis aos apelos
das minorias dominantes, que usam das suas influências econômicas para obter benefícios
individualizados?
Mas
como fazer essa triagem postural e como detectar essas tendências fisiológicas?
Fácil, usando a tecnologia. Melhor dizendo, a Internet. Não há o que o “professor
Google” não saiba responder. Claro, há que ter esmero com a fonte de pesquisa. E
muito cuidado com as fakes news e com os formadores de opinião de credibilidade
duvidosa.
Quando
todo mundo oferece os mesmos produtos, como estamos vendo no horário eleitoral,
o que diferencia um do outro, quando se trata da política do bem comum, não é a
embalagem e muito menos o preço, mas a qualidade. Ah, e não esqueça de levar em
conta o componente ideológico, importante num cenário como o que estamos vivenciando,
divididos entre radicais de direita, liberais centristas e socialistas. Ter
lado definido é fundamental não só na exposição das propostas, mas
principalmente na transparência das intenções.
Feito
estes alertas e estás ressalvas, vejamos resumidamente o que foi mostrado pelos
candidatos no primeiro dia da propaganda de rádio e TV.
Manuela
D’Ávila (PCdoB):
Apresentou sua trajetória política, dizendo ser um caminho novo; fez referência
ao uso da tecnologia pelos eleitores; e exaltou a valorização da diversidade
dos porto-alegrenses.
Sebastião
Melo (MDB): Utilizou o
sentimentalismo como apelo, estratégia adotada com êxito nas campanhas de
Rigotto e Sartori, sendo dentre todos aquele que realizou a frase mais
intimista, “após uma guerra, precisamos de paz”. Pregou a esperança na retomada
do pós-pandemia.
José
Fortunati (PTB): Não teve
aparição direta, sua voz apareceu numa narrativa de imagens da cidade, com foco
na valorização da autoestima da capital.
Nelson
Marchezan Júnior (PSDB):
Focou na descrição das ações de sua gestão no combate à pandemia, dizendo que
elas “foram pensadas, discutidas e ouvidas”.
Juliana
Brizola (PDT):
Apresentou uma espécie de “Carta Compromisso” com a população, tendo como
bandeira principal a Educação, focando na esperança de dias melhores.
Fernanda
Melchiona (PSOL): Teceu
duras críticas aos governos federal e municipal, a ponto de chamar o presidente
Jair Bolsonaro de criminoso.
Valter
Nagelstein (PSD): Apresento
seu currículo com cidadão e político.
Gustavo
Paim (PP): Explicou sua
ruptura com o prefeito Marchezan, chamando-o de traidor, e fez críticas ao modo
personalista do tucano administrar a cidade.
Rodrigo
Maroni (Pros): Defendeu
a causa animal como sua única e principal bandeira de campanha.
João
Derly (Republicanos):
Perguntou ao eleitor qual o tipo de prefeito que ele deseja eleger: extremista,
comunista, adepto ao monólogo ou que só pensa na reeleição? Apresentou-se como
opção diferenciada.
Montserrat
Martins (PV): Não
enviou material para ser reproduzido.
Júlio
Flores (PSTU) e Luiz
Delvair (PCO) não participaram do horário eleitoral porque não são
contemplados pelo cálculo dos tempos que leva em conta a representatividade dos
partidos na Câmara dos Deputados.

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