segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O super secretário de Sartori.




Um ex-secretário de Sartori, quando ele foi prefeito de Caxias do Sul, contou-me que o atual governador do Estado tem por hábito consultar o seu reduzido núcleo de confiança antes de tomar decisões importantes.  Formado por pessoas do seu círculo de amizades pessoais, estes assessores servem de bússola para o norteamento das convicções de Sartori.

Mas por que digo isso? Porque um desses consultores confiáveis está por se tornar um super secretário. Trata-se do secretário geral de Governo, Carlos Búrigo, que segundo os corredores palacianos irá absorver as atribuições de secretário do Planejamento. Caberá a ele, um técnico e não um político, coordenar o programa de extinção, venda e fusões de estatais.

Dentre suas atribuições estará o convencimento dos parlamentares para a aprovação das iniciativas encaminhadas à Assembleia Legislativa. Ocorre que estas iniciativas foram geradas com a sua participação direta, o que significa explícita aceitação e concordância do seu amigo e chefe Sartori. E é assim, na condição de fiel escudeiro do governador, que ele irá defender os projetos apresentados ao poder Legislativo.

E é aí que está o “furo da bala”. Como alguém que coloca o amizade com o governador acima das questões de Estado, sem expertise política e parlamentar, pode servir de interlocutor com os deputados e com servidores diretamente afetados pelos projetos de lei? 

Ah, mas para isso é que serve o líder do governo, dirão alguns. Ledo engano. O líder do governo nada mais é do que um intermediário, um vendedor de produtos acabados. O que realmente tem significado, valor e importância é a decisão política de propor e executar. E isso Búrigo tem de sobra. Arrisco dizer até que ele tem carta branca para decidir.


Foi assim em Caxias, me confidenciou o ex-secretário caxiense, e tudo indica será assim no governo do Estado. Resta saber qual será a reação do Parlamento gaúcho, dos servidores e da sociedade. Obediência fiel e irrestrita, à la Búrigo, ou posicionamento consciente e socialmente responsável? É ver para crer.

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