Interesse público
ou privado?
Em meio a confissão
de grandes empresários de que houve uma parceria espúria com os representantes
do Estado visando a apropriação ilegal e imoral de recursos públicos,
descoberta pela Operação Lava Jato, a Agenda 2020 e o MBL, entidades que
defendem o enxugamento da máquina pública com a absorção, pela iniciativa
privada, dos serviços hoje administrados pelo poder público, realizam hoje e
amanhã encontros para manifestar apoio ao pacote de maldades do governo
Sartori.
No primeiro encontro a classe empresarial oficializa ao Governo do
Estado total apoio às medidas visando a extinção de estatais, com a consequente
demissão de servidores, e a supressão de direitos trabalhistas. No segundo, por
ocasião do Tá na Mesa, da Federasul, empresários irão solicitar aos principais
líderes da base governista na Assembleia Legislativa que seus partidos aprovem
as referidas medidas.
As duas reuniões
dos empresários com o Governo e com os deputados divergem frontalmente da
postura adotada pelo Palácio Piratini e pela Assembleia, que em momento algum
priorizaram o debate com as categorias representativas do funcionalismo público
estadual. Pelo contrário, fizeram de tudo para agilizar a votação dos projetos
de lei para não dar tempo à que os servidores públicos pudessem se articular
fazer oposição ao pacote governamental.
A grande questão,
que a população precisa avaliar com clareza é: O que é bom para a iniciativa
privada, que objetiva tão somente o lucro, é bom para a sociedade, que espera
receber a contrapartida do pagamento de seus impostos através de serviços
eficazes e de baixo custo? E mais, por que os atuais governantes e
parlamentares são tão sensíveis aos interesses da iniciativa privada e tão
pouco acessíveis ao clamor dos servidores públicos?
É ou não uma
situação estranha num momento estranho? Dá para confiar na sinceridade e nas
boas intenções dessa parceria institucional público-privada? Que o exemplo
nacional, resultante da Operação Lava Jato, sirva de consciência para os
gaúchos e para os seus representantes. Enquanto ainda há tempo.

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