sábado, 22 de outubro de 2016

É preciso frear a barbárie eleitoral.




Confesso que uma das minhas expectativas para este eleição, a primeira após as grandes mobilizações iniciadas em junho de 2013, era como a classe política iria se portar. Se teimariam com a velha e desgastada prática da arrogância, da mentira e do autoritarismo político, ou se evoluiriam para uma campanha mais propositiva e identificada com a vontade popular. Tudo isso em meio ao tsunami provado pela Operação Lava Jato.

Outra curiosidade era se, finalmente, a Internet teria condições de interferir, efetivamente, na campanha eleitoral e, consequentemente, no resultado da eleição.

Pois para minha surpresa, a grande modificação em relação as eleições anteriores foi o protagonismo dado ao radicalismo e ao ódio. Pelos candidatos e, principalmente, pelos defensores de suas candidaturas. E ai vale tudo. Desde pichação, depredação e vidraças quebradas à tiros de comitês, até o bate boca agressivo e predatório da imagem pessoal dos candidatos.

Mas o maior campo de batalha está sendo mesmo as redes sociais, que se transformaram num verdadeiro UFC virtual. Recentemente vi um internauta comparar um dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre a Adolf Hitler. E pensar que até pouco tempo radicalismo era visto como monopólio dos partidos de extrema esquerda.

Antes mesmo das urnas proclamarem sua decisão, concluo que o país está merecendo uma outra reforma, além das conhecidas tributária, fiscal, previdenciária e política. Trata-se da reforma eleitoral. Não dá para considerar como normal tudo o que estamos observando. Isso que estamos assistindo não pode ser considerado como liberdade de expressão. É preciso organizar e disciplinar esse novo momento, sob pena de vermos a anarquia e a barbárie se sobrepor a democracia.

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