segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Subiram as cancelas e foi dada a largada.



A partir de hoje, 30 de dezembro de 2013, não existe mais estrada pedagiada controlada pela iniciativa privada no Rio Grande do Sul. E para comemorar o feito, o governador Tarso Genro irá até o município de Carazinho, mais precisamente na praça de pedágio da BR-285, para declarar a independência do RS dos pedágios privados. Esperem ai. Mas a promessa dele na campanha eleitoral não foi a de acabar com os pedágios? Então é só para os privados? Os públicos não? Ah tá! Público pode. Então é por isso que as praças de cobranças privadas estão sendo encampadas pela Empresa Gaúcha de Rodovias. Paga-se um pouco menos, mas se mantêm a cobrança. É o tal pedágio comunitário. Ah bom! Mas o que é mesmo isso? A comunidade escolhe onde serão aplicados os recursos obtidos na praça de cobrança. Como é? A maioria que indica onde serão realizados os investimentos não será composta pelo segmento que irá pagar o pedágio? Como assim?

E outra. Como fazer mais com menos recursos? Claro, pois se com uma arrecadação maior as empresas privadas não tiveram condições de fazer investimentos de grande vulto, como isso será possível com uma arrecadação reduzida? E ainda. O preço baixo irá se justificar com a supressão dos serviços de socorro médico e mecânico, anteriormente praticados? E não adianta dizerem que a SAMU e os bombeiros irão suprir essa necessidade. Numa situação de “cobertor curto”, se levarem as escassas ambulâncias e carros de bombeiros para as estradas, quem irá atender as ocorrências urbanas? Outra. Se a arrecadação da praça pública é suficiente para fazer os serviços de conservação, por que o governo do Estado está se socorrendo de recursos do caixa único (obtido pela cobrança de tributos de toda a população, inclusive de quem não tem carro) para que a EGR possa realizar serviços emergenciais? Apesar de todas estas indagações, o certo é que vai ter festa e discurso hoje em Carazinho.

Existe uma máxima nacional que diz que “governar é construir estradas”. Se isso é verdadeiro, é possível afirmar que o Rio Grande do Sul carece, havia muito tempo, de administrações competentes. De bons gestores, diria eu. Simples. Atualmente o RS é o estado brasileiro com menor percentual de estradas pavimentadas em relação a sua malha rodoviária total. Apenas 7,3%. Sabem o que é isso? Que proporcionalmente temos menos rodovias asfaltadas que o estado de Rondônia. Então como alguém, sendo o estado lanterna em rodovias asfaltadas, pode se sentir alegre a ponto de soltar foguetes pelo troca do comando de uma praça de pedágio de privado para público? Ah, mas faltam recursos para construir estradas. Bulhufas! O RS é a quarta unidade mais rica da Federação. Nada justifica sua humilhante posição nacional no ranking que compara as malhas rodoviárias estaduais.

Se o dia de hoje realmente significa uma nova fase para o rodoviarismo gaúcho só o tempo dirá. Mas a julgar pela situação das nossas estradas o tempo será curto. Do tamanho da paciência dos usuários. E se os discursos de hoje não se transformarem rapidamente em realidade, é bem provável que a retórica se transforme em decepção. E ai a coisa vai para o buraco. Não das estradas. Mas das urnas. Bem, ai a conversa é outra.


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