Subiram as cancelas e foi dada a largada.
A partir de hoje, 30 de dezembro
de 2013, não existe mais estrada pedagiada controlada pela iniciativa privada
no Rio Grande do Sul. E para comemorar o feito, o governador Tarso Genro irá
até o município de Carazinho, mais precisamente na praça de pedágio da BR-285,
para declarar a independência do RS dos pedágios privados. Esperem ai. Mas a
promessa dele na campanha eleitoral não foi a de acabar com os pedágios? Então
é só para os privados? Os públicos não? Ah tá! Público pode. Então é por isso
que as praças de cobranças privadas estão sendo encampadas pela Empresa Gaúcha
de Rodovias. Paga-se um pouco menos, mas se mantêm a cobrança. É o tal pedágio
comunitário. Ah bom! Mas o que é mesmo isso? A comunidade escolhe onde serão aplicados
os recursos obtidos na praça de cobrança. Como é? A maioria que indica onde
serão realizados os investimentos não será composta pelo segmento que irá pagar
o pedágio? Como assim?
E outra. Como fazer mais com
menos recursos? Claro, pois se com uma arrecadação maior as empresas privadas
não tiveram condições de fazer investimentos de grande vulto, como isso será possível com uma arrecadação reduzida? E ainda. O preço
baixo irá se justificar com a supressão dos serviços de socorro médico e
mecânico, anteriormente praticados? E não adianta dizerem que a SAMU e os
bombeiros irão suprir essa necessidade. Numa situação de “cobertor curto”, se
levarem as escassas ambulâncias e carros de bombeiros para as estradas, quem
irá atender as ocorrências urbanas? Outra. Se a arrecadação da praça pública é
suficiente para fazer os serviços de conservação, por que o governo do Estado
está se socorrendo de recursos do caixa único (obtido pela cobrança de tributos
de toda a população, inclusive de quem não tem carro) para que a EGR possa
realizar serviços emergenciais? Apesar de todas estas indagações, o certo é que
vai ter festa e discurso hoje em Carazinho.
Existe uma máxima nacional que
diz que “governar é construir estradas”. Se isso é verdadeiro, é possível afirmar
que o Rio Grande do Sul carece, havia muito tempo, de administrações
competentes. De bons gestores, diria eu. Simples. Atualmente o RS é o estado brasileiro
com menor percentual de estradas pavimentadas em relação a sua malha rodoviária
total. Apenas 7,3%. Sabem o que é isso? Que proporcionalmente temos menos
rodovias asfaltadas que o estado de Rondônia. Então como alguém, sendo o estado lanterna em
rodovias asfaltadas, pode se sentir alegre a ponto de soltar foguetes
pelo troca do comando de uma praça de pedágio de privado para público? Ah, mas faltam recursos para
construir estradas. Bulhufas! O RS é a quarta unidade mais rica da Federação.
Nada justifica sua humilhante posição nacional no ranking que compara as malhas
rodoviárias estaduais.
Se o dia de hoje realmente
significa uma nova fase para o rodoviarismo gaúcho só o tempo dirá. Mas a
julgar pela situação das nossas estradas o tempo será curto. Do tamanho da
paciência dos usuários. E se os discursos de hoje não se transformarem rapidamente
em realidade, é bem provável que a retórica se transforme em decepção. E ai a
coisa vai para o buraco. Não das estradas. Mas das urnas. Bem, ai a conversa é
outra.

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