O ciclo involutivo da
educação gaúcha.
A reportagem investigativa
realizada pelo jornal Zero Hora na turma 11F do Colégio Júlio de Castilhos
comprovou o que já se imaginava. Os problemas da Educação no RS ultrapassam os
limites do piso do magistério e chegam ao subsolo de um ensino desgastado pelo
tempo e por gestões corrosivas aos interesses dos alunos, professores e do
estado. Agora, pergunte aos alunos quem são os responsáveis por essa situação.
Eles responderão: os professores. Pergunte aos professores o mesmo. Eles
responderão: o Estado. Pergunte ao Estado e a resposta será: porque faltam
recursos, tempo, por culpa do governo anterior, etc. Ninguém, provavelmente, irá
dar a resposta correta. A de que a culpa é sua. Nossa. De todos. Inclusive dos
pais, que também tem suas responsabilidades, apesar de cada vez mais abdicá-las.
Assumir a sua responsabilidade pelo que está dando errado. Este é o primeiro
passo para a melhora a necessária.
É por isso que a reportagem tem
valia. Sacode o problema. Que a situação não se restringe ao Rio Grande do Sul
é óbvio. Mas a julgar pelas pesquisas que mostram o estado com uma das piores
avaliações do país, é nele que os problemas se mostram mais relevantes. Da
mesma forma não se pode por a culpa exclusivamente no atual governo. O declínio
do ensino público, tal qual uma avalanche, tem crescido governo após governo.
Mas não resta dúvida de que o não pagamento do piso do magistério, após ter
prometido na campanha eleitoral, foi a pá de cal no ânimo dos professores.
Sem aprimoramento profissional,
resultante do incentivo do Estado pela qualificação, e atropelados pela
tecnologia, que colocou a Internet como ferramenta preferencial do aluno, os
docentes, em sua imensa maioria, se acomodaram num estágio de complacência funcional,
do tipo eu finjo que ensino e você finge que aprende. E para facilitar, o
governo adota o sistema de ciclos e a progressão continuada, que extingue a
figura da reprovação.
Diante desse quadro, cabe ao
aluno a decisão de estudar ou não. Mas e a família? Essa também se omite.
Prefere creditar toda a responsabilidade à escola. Mas como? Não se trata de um
assunto de grande relevância? Vital para o futuro do filho? Pois é. Mas já faz
algum tempo que impor limites deixou de ser uma tarefa atrativa para os pais. É
mais fácil por a culpa no professor e na escola. Ledo engano. É deles a
responsabilidade de fazer com o(a) filho(a) passe mais tempo nos cadernos e
livros do que na Internet ou vendo TV. É da família que vem o exemplo de que
para receber é preciso fazer jus. E muito mais.
Enquanto esta fase de descaso
permanecer vigendo, a Educação nunca conseguirá se transformar na mola
propulsora do desenvolvimento do país e do estado e da melhoria da qualidade de
vida das pessoas. Já é hora de fazer a Educação sair das páginas dos jornais e
entrar para os projetos dos governantes e, principalmente, para as folhas dos
livros e telas dos computadores.

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