sábado, 28 de dezembro de 2013

O ciclo involutivo da educação gaúcha.



A reportagem investigativa realizada pelo jornal Zero Hora na turma 11F do Colégio Júlio de Castilhos comprovou o que já se imaginava. Os problemas da Educação no RS ultrapassam os limites do piso do magistério e chegam ao subsolo de um ensino desgastado pelo tempo e por gestões corrosivas aos interesses dos alunos, professores e do estado. Agora, pergunte aos alunos quem são os responsáveis por essa situação. Eles responderão: os professores. Pergunte aos professores o mesmo. Eles responderão: o Estado. Pergunte ao Estado e a resposta será: porque faltam recursos, tempo, por culpa do governo anterior, etc. Ninguém, provavelmente, irá dar a resposta correta. A de que a culpa é sua. Nossa. De todos. Inclusive dos pais, que também tem suas responsabilidades, apesar de cada vez mais abdicá-las. Assumir a sua responsabilidade pelo que está dando errado. Este é o primeiro passo para a melhora a necessária.

É por isso que a reportagem tem valia. Sacode o problema. Que a situação não se restringe ao Rio Grande do Sul é óbvio. Mas a julgar pelas pesquisas que mostram o estado com uma das piores avaliações do país, é nele que os problemas se mostram mais relevantes. Da mesma forma não se pode por a culpa exclusivamente no atual governo. O declínio do ensino público, tal qual uma avalanche, tem crescido governo após governo. Mas não resta dúvida de que o não pagamento do piso do magistério, após ter prometido na campanha eleitoral, foi a pá de cal no ânimo dos professores.

Sem aprimoramento profissional, resultante do incentivo do Estado pela qualificação, e atropelados pela tecnologia, que colocou a Internet como ferramenta preferencial do aluno, os docentes, em sua imensa maioria, se acomodaram num estágio de complacência funcional, do tipo eu finjo que ensino e você finge que aprende. E para facilitar, o governo adota o sistema de ciclos e a progressão continuada, que extingue a figura da reprovação.

Diante desse quadro, cabe ao aluno a decisão de estudar ou não. Mas e a família? Essa também se omite. Prefere creditar toda a responsabilidade à escola. Mas como? Não se trata de um assunto de grande relevância? Vital para o futuro do filho? Pois é. Mas já faz algum tempo que impor limites deixou de ser uma tarefa atrativa para os pais. É mais fácil por a culpa no professor e na escola. Ledo engano. É deles a responsabilidade de fazer com o(a) filho(a) passe mais tempo nos cadernos e livros do que na Internet ou vendo TV. É da família que vem o exemplo de que para receber é preciso fazer jus. E muito mais.

Enquanto esta fase de descaso permanecer vigendo, a Educação nunca conseguirá se transformar na mola propulsora do desenvolvimento do país e do estado e da melhoria da qualidade de vida das pessoas. Já é hora de fazer a Educação sair das páginas dos jornais e entrar para os projetos dos governantes e, principalmente, para as folhas dos livros e telas dos computadores.


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