Os palcos da vida.
Multipalco
Quem acompanhou a verdadeira
novela que foi a recuperação do auditório Araújo Vianna não se surpreendeu com
a reportagem publicada hoje (26/12) no Segundo Caderno do jornal Zero Hora. É
que o atraso de obras públicas se transformou numa cultura gerencial em
projetos cuja execução dependa de recursos públicos. Mais ainda quando se trata
de obras que beneficiem a área da Cultura, historicamente relegada a segundo
plano dentre as prioridades governamentais.
Ora, se a Educação não é tida
como prioridade, como esperar que a Cultura fosse? Mas quem disse que dois
erros constroem um acerto? Pobre do país que menospreza a Educação e a Cultura.
Sem elas o cidadão se transforma num ser humano insensível, desconectado com a
realidade. Com elas, torna-se um ser pensante, crítico e seletivo. Talvez ai esteja
o motivo do desinteresse governamental. A cultura produz identidade e coesão
social, abrindo novas oportunidades para a crítica, a empatia e a política. E a
quem interessa um povo que não se deixa manipular? Que sabe escolher seus
representantes pelo seu histórico de competência, seriedade, ética e bons
serviços prestados?
Claro que investir em
infraestrutura de transportes e energia, por exemplo, é importante. Mas porque
não dar o mesmo significado da obra física para as obras que ajudam o ser
humano a se desenvolver na sua plenitude intelectual e comportamental? É a tal
dúvida inquietante: O que vale mais? Ser ou ter? A resposta correta é: ser. Mas
por que não incluir o ter? OK, o correto então é ser e ter. Sendo assim, por que nossos governantes, na
hora de investir, não dão igual atenção para todas as áreas. Por que Educação e
Cultura tem que ser o “patinho feio” do orçamento público, seja ele municipal,
estadual ou federal? E mais, por que não dar a mesma agilidade da construção de
um estádio de futebol à recuperação de uma casa de espetáculo cultural? Cultura
padrão FIFA, quem sabe?
É por isso que a reportagem da
Zero Hora adquire importância no atual momento por que passa o país. Não apenas
por ser véspera de eleição. Até por que no discurso fácil, educação e cultura
sempre estiverem presentes. Refiro-me ao sentimento popular de que, pressionando,
os governos tomam atitudes mais ágeis. Essa, por sinal, foi uma das lições das
ruas, retiradas dos protestos de junho. Cobremos, portanto, uma rápida
conclusão das obras da sala Sinfônica da Ospa, do Multipalco do Teatro São
Pedro, da Cinemateca Capitólio e da Casa de Cultura Mário Quintana, dentre
outras tantas. Afinal, não basta responsabilizar apenas os governos (embora
sejam os principais culpados). É preciso que o cidadão faça a sua parte.
Iniciando, quem sabe, por escolher melhor seus protagonistas das eleições de 2014?
Assuma seu papel no palco da vida.

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