quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Falta a hidrovia


Embora ainda estejam no campo das boas intenções, os anúncios da presidente Dilma Rousseff dando conta da realização de obras de infraestrutura na área dos transportes do Rio Grande do Sul são alentadores e incentivadores. Alentadores porque apesar de atrasados continuam imprescindíveis para desatar os nós que impedem o pleno desenvolvimento do Estado. Incentivadores porque permite a participação da iniciativa privada, o que garante a rapidez na execução das obras. Neste elenco de investimentos estão as duplicações da BR-116, entre Guaíba e Pelotas, da BR-290, entre Eldorado e Pantano Grande, e da BR-386 entre Tabaí e Lajeado; a construção da segunda ponte do Guaíba; a implantação do metrô de Porto Alegre; a ampliação do polo naval de Rio Grande; e agora a construção da ferrovia São Paulo – Rio Grande. 

Neste último caso, há que saudar o retorno do investimento no modal ferroviário, praticamente abandonado nas últimas décadas, fundamental para o escoamento de cargas volumosas, como grãos, minérios e combustíveis. Se o modal rodoviário tem desempenhado este papel com eficiência, o faz com altos custos. Não me refiro apenas ao valor do frete, mas as mortes no trânsito, o congestionamento das principais estradas e a poluição ambiental, dentre outros. Com o trem todos esses problemas serão minimizados e a economia revitalizada.

Mas se a comemoração se dá pela reativação da ferrovia e da ampliação das rodovias, não menos importante é a valorização do modal hidroviário. E o Rio Grande do Sul, nesse aspecto, possui a malha hidroviária mais privilegiada do país. E pouco utilizada. Além das vantagens do trem a hidrovia possui um significado avanço na proteção ao meio ambiente, já que polui menos que o trem. Sem falar no frete mais em conta. Outra vantagem é que a via não precisa ser implantada, pois a natureza já fez isto. E onde não fez a “mão do homem” já executou. Refiro-me as barragens e eclusas do Rio Jacuí e os portos de Rio Grande, Porto Alegre, Estrela e Cachoeira do Sul. O que falta, basicamente, é o aprofundamento (dragagem) dos canais por onde trafegam ou poderiam trafegar os navios e outras embarcações.

Por isto, nesta hora, ao agradecermos a presidente da República pelo apoio ao Rio Grande do Sul, gostaria de deixar mais um pedido: não se esqueça da hidrovia.

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