sexta-feira, 17 de agosto de 2012



Quem acompanha as sessões do STF no julgamento do chamado Mensalão tem observado coisas que vão além do embate jurídico, e que até então eram desconhecidas pela maioria dos brasileiros. Refiro-me às divergências pessoais entre ministros e suas interrelações funcionais. Especificamente na ação referida, é notória a contrariedade recíproca, na forma como tratam a acusação da Procuradoria-Geral da República, entre os ministros Joaquim Barbosa (relator) e Ricardo Lewandowski (revisor). Sempre que possível os dois se digladiam em pronunciamentos que em outro local poderia ser classificado de bate-boca.

Independente das razões, tal procedimento não se apresenta como um bom exemplo da mais alta corte do país. No mínimo o que se pode observar é que existe um certo despreparo de alguns ministros para o julgamento de processos de grande apelo midiático e social.  Não é à toa que alguns advogados defensores dos réus envolvidos no caso tenham se encorajado a criticar alguns dos integrantes do  egrégio colegiado.  

Espero, sinceramente, que no transcorrer da manifestação dos votos eu me convença de que estou errado. Mas até lá o sentimento que me afeta é mais de medo do que respeito. Medo de que o destempero de alguns ministros ponha em risco a esperança da população de ver esclarecida a suspeita de que o dinheiro público fora utilizado indevidamente por aqueles que o representavam no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional.

É preciso que o STF se convença de que sendo a última instância da Justiça brasileira é necessário que o respeito e a confiança sejam reflexos da sua boa imagem perante a nação brasileira. E deixe de lado as questões pessoais, os egos exacerbados, etc. Nesse ínterim, é importantíssimo que este convencimento chegue até o ministro Joaquim Barbosa, até agora o mais exaltado de todos, pois a partir de dezembro será ele o presidente do STF.  

Vamos torcer para – como disse Lula na campanha que lhe conduziu à presidência da República – que “a esperança vença o medo”. E que a Justiça seja feita. 

Imagem: has02.blogspot.com

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