Quem
acompanha as sessões do STF no julgamento do chamado Mensalão tem observado
coisas que vão além do embate jurídico, e que até então eram desconhecidas pela
maioria dos brasileiros. Refiro-me às divergências pessoais entre ministros e suas
interrelações funcionais. Especificamente na ação referida, é notória a
contrariedade recíproca, na forma como tratam a acusação da Procuradoria-Geral
da República, entre os ministros Joaquim Barbosa (relator) e Ricardo
Lewandowski (revisor). Sempre que possível os dois se digladiam em
pronunciamentos que em outro local poderia ser classificado de bate-boca.
Independente
das razões, tal procedimento não se apresenta como um bom exemplo da mais alta
corte do país. No mínimo o que se pode observar é que existe um certo
despreparo de alguns ministros para o julgamento de processos de grande apelo
midiático e social. Não é
à toa que alguns advogados defensores dos réus envolvidos no caso tenham se encorajado
a criticar alguns dos integrantes do egrégio colegiado.
Espero,
sinceramente, que no transcorrer da manifestação dos votos eu me convença de
que estou errado. Mas até lá o sentimento que me afeta é mais de medo do que
respeito. Medo de que o destempero de alguns ministros ponha em risco a
esperança da população de ver esclarecida a suspeita de que o dinheiro público
fora utilizado indevidamente por aqueles que o representavam no Palácio do
Planalto e no Congresso Nacional.
É
preciso que o STF se convença de que sendo a última instância da Justiça
brasileira é necessário que o respeito e a confiança sejam reflexos da sua boa
imagem perante a nação brasileira. E deixe de lado as questões pessoais, os
egos exacerbados, etc. Nesse ínterim, é importantíssimo que este convencimento
chegue até o ministro Joaquim Barbosa, até agora o mais exaltado de todos, pois
a partir de dezembro será ele o presidente do STF.
Vamos
torcer para – como disse Lula na campanha que lhe conduziu à presidência da República
– que “a esperança vença o medo”. E que a Justiça seja feita.
Imagem: has02.blogspot.com

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