terça-feira, 7 de agosto de 2012


Julgamento paralelo


 Bastou apenas o primeiro dia de manifestações das defesas dos réus do Mensalão para se constatar que: 1) A estratégia dos advogados dos envolvidos é praticamente a mesma: negar a existência, nos autos, de comprovação de que houve a compra de votos dos parlamentares em troca de apoio às ações do governo do PT. 2) A existência de um julgamento indireto, paralelo, onde os principais suspeitos são o Ministério Público, a Polícia Federal, a Justiça Eleitoral e a Imprensa.

No primeiro caso a explicação é óbvia, dado a semelhança dos arrazoados apresentados aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Até mesmo com vistas a uma possível condenação de seus representados as argumentações dos advogados convergem para uma mesma posição: a pena terá que ser branda por envolver apenas a formação de Caixa 2 e não corrupção e desvio de dinheiro público, como disse a Procuradoria-Geral da União.

No segundo, a vingar a tese da defesa, a ocorrência de um julgamento indireto se dá pela conseqüente suspeição que se abaterá sobre a seriedade do Ministério Público como defensora dos diretos da sociedade; sobre a competência da PF para realizar investigações eficientes e verdadeiras; sobre a eficácia da Justiça Eleitoral no combate as irregularidades praticadas por partidos e/ou candidatos; e sobre a credibilidade da Imprensa, enquanto meio de informação confiável junto à população.  

Como se vê, estão certos aqueles que conceituam o Mensalão como o “julgamento do século”. É que o que está em jogo não é apenas desvio ilegal de dinheiro público, mas a imagem de dois dos pilares da democracia brasileira: a Justiça e a Imprensa.  Como as duas instituições já comprovaram, pela sua exitosa trajetória, serem dignas de crédito popular (de população), prefiro acreditar que são procedentes as acusações formuladas pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Sendo assim, mais do que nunca, o grande momento do processo será a proclamação dos votos dos ministros e a decisão final do STF. No mais, como se diz aqui no pampa gaúcho, será “manotaço de afogado”. Ou seja, tentativa desesperada dos réus (através dos seus defensores) de se livrarem a todo custo (inclusive com o desgaste das mais caras instituições do país) da condenação a que fazem jús. 

Imagem: portalexamedeordem.com.br

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