quinta-feira, 8 de maio de 2014

Inaptidão para o poder.




É sempre assim. Toda vez que o discurso demagógico e oportunista precisa ser colocado em prática a verdade aparece. É o que está acontecendo no conflito envolvendo índios e pequenos produtores rurais no município de Faxinalzinho, no norte do estado. Refiro-me a postura do governo Dilma (entenda-se PT) diante do grave enfrentamento que, além de ameaças e agressões físicas, já gerou a morte de duas pessoas.

Responsável direto pelas políticas indígenas e agrária o Governo Federal, através do Ministério da Justiça, Funai e Secretaria do Desenvolvimento Rural, se mostra paciencioso demais para a busca de uma solução que permita, com a urgência necessária, o apaziguamento dos ânimos e a busca de uma definição objetiva para o motivo gerador do conflito. Será por que a situação envolve dois segmentos considerados prioritários para o discurso ideológico do PT? Ou por que estando em ano eleitoral não quer correr o risco de perder aliados e votos?

Não vejo outra alternativa. Pelo menos é o que se depreende da impaciência demonstrada pelo presidente das Organizações Indígenas do RS, Zaqueu Kaigang, que reclama que é a quinta vez que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, marca uma audiência na região e não comparece. Enquanto o impasse não se resolve, os habitantes de Faxinalzinho participam como protagonistas de um roteiro digno de um filme de terror. Tudo sob a rotineira complacência do governo do Estado, como se tudo isso fosse responsabilidade apenas da União.

O episódio de Faxinalzinho, apesar de lamentável, é esclarecedor. Mostra a estratégia que o PT usa para obter os votos das classes menos favorecidas economicamente, mediante a aplicação de um discurso demagógico onde afirma ter solução para todos os problemas. E que enquanto isso não acontece, tem um saco de bondades infinito, capaz de coloca-las (as classes mais baixas) na sonhada condição de classe média.  E aí dê-lhe esmolas oficiais, pagas com dinheiro público, do tipo Bolsa-Família.

E o tempo passa. No caso do governo Lula/Dilma já são quase doze anos e as tais soluções estruturais e definitivas não chegam. Mas o discurso enganador continua firme e forte. E os “brindes” do saco de bondades também. Mas agora com menos poder de sedução. A máscara do PT está caindo com a mesma rapidez com que outras máscaras de protesto são empunhadas pela população nas ruas e, pelo que tudo indica, nas aldeias indígenas.

De uma coisa se pode ter certeza. Nesta eleição um contingente significativo de eleitores vai depositar seu voto na urna sabendo que o PT é capaz de tudo numa campanha eleitoral, mas que ao chegar ao poder toda essa eficiência política se transforma numa enorme ineficiência gerencial. 




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