A
gerentona está de aviso prévio.
Imagine
uma empresa familiar. Daquelas onde o pai, com pouco estudo mas com
muita habilidade no trato com os clientes, conseguiu fazer o
empreendimento crescer e se fortalecer como um prestador de serviços
eficiente e identificado com o seu público-alvo. Passado alguns
anos, o pai, premido pelas exigências do mercado e do avanço
tecnológico, se vê obrigado a repassar o comando do negócio para o
seu filho. Com mais estudo, mas com pouca experiência e aptidão
para o relacionamento com a clientela e com a concorrência, o filho
adota um novo estilo de gestão. Passa a ser mais rigoroso com os
seus funcionários. Promete mais do que pode entregar e passa a
frustar a clientela. Se aventura na diversificação dos negócios e
passa a emprestar dinheiro para amigos. Vê as críticas como manobra
daqueles que não concordam com as mudanças implementadas. E o
negócio começa a dar prejuízo. Acostumado a fase de “bois
gordos”, o filho não percebe os sinais de alerta e, quando se dá
conta, a empresa está à beira da falência. E aí vem a dúvida. O
que fazer? Reconhecer os equívocos e mudar a gestão? Mudar o
público-alvo? Ou vender a empresa?
Pois bem.
Transporte a situação acima para uma empresa pública. Mais ainda,
para o gerenciamento do país. E coloque na posição do novo dono da
empresa a presidente Dilma Rousseff. Pois é exatamente isso que está
acontecendo hoje no país. Com a exceção de que não há como
decretar a falência do Brasil, nem vendê-lo e muito menos trocar o
público-alvo. Sobra, então, a alternativa da troca de gestão,
trocando o gerente. Mas como? O PT não optou por Dilma justamente
pela sua imagem de gerentona? De alguém capaz de pegar os projetos
sociais de Lula (o fundador da era populista do PT) e colocá-los em
prática, consolidando o poder nas mãos do PT. Pois é. Parece que o
planejamento teórico não aconteceu na prática. Exatamente como
ocorreu no exemplo acima. Mas será que foi o caso da pessoa errada
no lugar certo ou o contrário? Bem, o que importa é que o império
petista nunca esteve tão próximo da falência. Pelo menos é o que
as pesquisas de opinião dizem, ao mostrar o declínio de Dilma e a
ascensão dos seus concorrentes, no caso Aécio Neves e Eduardo
Campos.
E essa
situação faz com que o PT já projete a substituição de Dilma por
Lula. Possibilidade essa negada por enquanto pela direção do
partido, mas com muita aceitação na base petista. Mas como? A
novidade será o retorno do antigo? O mesmo do mesmo? Mas será que
as vozes das ruas não foram claras o suficiente para o PT entender
que os brasileiros estão cheios do blá blá blá político e que
exigem serviços públicos de qualidade? O PT é esperto demais para
cometer um erro desses. Por isso, toda essa movimentação petista só
tem uma explicação: desespero. E aí o nome de Lula surge como
“salvador da pátria”. Da nação petista, claro. Mas como, se a
mudança do candidato na véspera da eleição faz parecer a imagem
do fracasso da gestão Dilma? Talvez seja essa a razão pelo qual
o PT parece disposto a lhe dar a oportunidade de defender seu
governo. E aí dê-lhe saco de bondades. Reajuste do valor do
bolsa-família e promessas mil.
Não sei
se as urnas conseguirão, nesta eleição, por fim ao domínio
petista. Mas que isso nunca esteve tão próximo ninguém pode negar.
Neste caso, será que o novo gerente, seja ele Aécio ou Campos,
saberá lidar com o novo perfil exigido pelos brasileiros? Impedindo
o retorno da inflação? Reduzindo o crescente índice de
criminalidade? Fazendo sobrar recursos para realizar os investimentos
nas áreas da infraestrutura, logística e da saúde e da educação?
Estagnando definitivamente o mal da corrupção na esfera pública?
Colocando pessoas capazes nos locais certos, ao invés de amigos ou
incompetentes indicados pela base aliada? E muito mais. O que não
pode é trocar seis por meia dúzia. Menos ainda deixar tudo como está. Que a trajetória decadente do
PT, doravante, sirva de exemplo para aqueles que irão sucedê-lo no
comando do país, dos estados e dos municípios. E que mais do que
nunca o povo se conscientize, definitivamente, de que realmente “todo
poder emana do povo e em seu nome é (ou precisa ser) exercido”.

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