A
seringueira e o mateiro.
Finalmente
foi desfeito o nó da dúvida de quem seria o cabeça de chapa da
aliança PSB e Rede para a campanha à presidência da República.
Será o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, apesar do nome
da ex-senadora Marina da Silva aparecer com maior percentual de
preferência nas pesquisas eleitorais.
Em seu
primeiro pronunciamento como pré-candidata a vice-presidente na
chapa de Campos, Marina saiu-se com essa pérola: “Aprendi a não
me colocar à frente, porque aprendi que em uma mata virgem, com
animais ferozes, é preciso sempre ir ao lado de um mateiro e não se
colocar atrás, mas ao lado”.
Mas o que
essa declaração um tanto rústica e cifrada quis dizer? Que a
campanha eleitoral para a presidência da República é um terreno
perigoso? Que os adversários se caracterizam por atitudes
animalescas e perigosas? E que Eduardo Campos, por ser exímio
conhecedor desse terreno aterrorizador seria uma espécie de
desbravador dos obstáculos que irão se sobrepor aos interesses da
aliança PSB-Rede?
Em
primeiro lugar é de se perguntar onde está o desconhecido (mata
virgem) da campanha eleitoral? De tão manjada e criticada o que não
falta são iniciativas (embora inférteis) de promover uma reforma
política onde o alvo principal é justamente as campanhas
eleitorais. Em segundo, é de surpreender que uma pessoa que se diz
religiosa e humilde trace um comparativo tão belicoso onde os
adversários são vistos como animais ferozes. Seria resquícios de
sua passagem pelo PT? E por último, como julgar a capacidade de
Eduardo Campos como experiente desbravador de obstáculos eleitorais
se é a primeira vez que ele se aventura a uma disputa presidencial?
É
justamente por ser desconhecido nacionalmente que aparece nas
pesquisas atrás da própria Marina. Talvez a estrutura do PSB seja
mais vantajosa, em termos de organização partidária, do que a da
Rede, o que justificaria sua indicação para a cabeça da chapa.
Por tudo
isso que considero arriscada a aliança entre as duas siglas. Eleição
não é um exercício de aritmética. Não se projeta o crescimento
de uma candidatura pela acréscimo provocado pela adesão de uma
outra pré-candidatura. E é isso que parece pensar os adeptos da
chapa Campos – Marina. Além disso, há que se ressaltar que dois
candidatos com temperamento forte numa mesma chapa é sinônimo de
tempestade. Esperemos a próxima pesquisa para saber qual será o
resultado dessa alquimia política.
Mas o que
ao meu ver mais se abstrai da primeira manifestação de Marina da Silva
como pré-candidata a vice-presidente é justamente o potencial de
divisão e não de agregação que suas declarações públicas
normalmente provocam. O eleitor brasileiro já demonstrou por
diversas vezes que não tolera campanhas que tenham o foco na
desconstituição pessoal e/ou política do adversário. Atitude
perfeitamente compreensível haja visto a necessidade de solução
para os grandes problemas estruturais que impedem o desenvolvimento
do país e, consequentemente, a melhoria da qualidade de vida da
população.
Menos
ideologia e mais propostas. Menos politicagem e mais gestão. Menos
ranço histórico e mais avanço econômico e social. “É disso que
o povo gosta, e isso que o povo quer”, plagiando a intérprete
gaúcha, Berenice Azambuja. .

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