quarta-feira, 9 de abril de 2014

A estranha vida humana dos animais.



Passei boa parte da minha vida ao lado de animais. Cachorros, pássaros, tartarugas, peixes de aquário, coelhos e outros que não lembro. E é curioso como a gente se apega aos bichinhos. A ponto de pensar que podemos nos comunicar e entender seus sentimentos e desejos. “Parece até que é gente”, chegamos a dizer. E muitos são os motivos para esse apego emocional. Pela companhia nos momentos de solidão. Pela fidelidade no trato com o dono. Pela energia boa que geram na casa. E outros mais.

Mas essa sensação de complementariedade está mudando. De coadjuvantes os animais estão virando protagonistas. Tratados como pessoas. Literalmente. Com direito a dog sitter (babá de cachorro) ou cat sitter (babá de gato). Ida semanal (as vezes mais de uma vez) a Pet Shop (salões de beleza para animais). Nutricionista. Dogwalker (passeador). Estilista. Etc.

A dúvida que fica é se todo esse tratamento não é um exagero. Para os donos e para os animais. Pelo que me consta cachorros e gatos não estão na lista de animais em extinção. Pelo contrário, nunca se viu tantos espécimes. Então o que justifica tal comportamento humano? A ponto de superar o tratamento proporcionado as pessoas? Querem um exemplo? Observem o comportamento de uma pessoa ao ver um animal sendo maltratado. Será de revolta e indignação. Dificilmente você verá o mesmo comportamento se o agredido for uma pessoa adulta (crianças e idosos não valem). O mesmo ocorre quando nos deparamos com um animal doente ou faminto. Recebe socorro imediato. Por que não fazemos a mesma coisa quando nos deparamos com mendigos? Ou com crianças pedintes nas sinaleiras?

Não estou fazendo a apologia ao destrato dos animais. Já disse que convivo bem com eles. Minha intenção é chamar a atenção para os exageros que começam a ser praticados. Claro que ter animais de estimação tem muitas vantagens. Já citei algumas. Outra, por exemplo, é o benefício que eles trazem às crianças para que saibam lidar com a perda (morte). Do aprendizado sobre a importância do companheirismo. E outras mais. Só que acho injusto para com os animais dar-lhes tratamento como se humano fossem. Não são. E nunca serão. São seres diferenciados. Com características próprias. Geradas por uma evolução de milênios, senão milhões de anos.

Eles possuem seus próprios habitats. Como um apartamento pode ser considerado o melhor local para a criação de cachorros (especialmente os de maior porte)? Como uma ração industrializada podem ser melhor do que um alimento natural? Se assim fosse, como explicar que gatos se alimentem de pequenos roedores? Animais, por mais que queiramos tratá-los como pessoas, são animais. Parece óbvio mais não é. Pelo menos é que se está observando no convívio diário.

Um animal jamais superará a presença de um filho. E como existem crianças esperando pela adoção. A indústria de produtos para cães, gatos, aves, etc, prolifera no mesmo ritmo que a miséria nas zonas de pobreza. Não pode faltar ração para os animais, mas milhares de toneladas de ração (comida) humana são jogadas fora diariamente. Indigentes passam frio nos meses de inverno, mas o desfile de animais bem agasalhados é contínuo. É a grife das pet shops.

Que bom que a humanidade está evoluindo no trato com os animais. Que pena que esteja involuindo no trato com a sua própria espécie. Essa é a minha preocupação. Desejo igualdade entre homens e animais. Se quem não gosta de bicho não pode ser boa gente, quem não gosta de gente, o que é?

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