Mulheres brasileiras ocupam a 152ª posição
no mundo em participação política
No Congresso
Nacional, apesar das mulheres serem a maioria da população, apenas 10,5% das 513
cadeiras são ocupadas por elas.
Sempre
que algum político toma uma atitude impopular ou aparece nos noticiários como suspeito
da pratica de alguma ilicitude, logo reacendem os debates sobre a necessidade
do eleitor escolher melhor seus representantes. Dentre as teses mais defendidas
está a necessidade das pessoas incluírem a política entre seus interesses
cotidianos e aqueles que tiverem vocação e espírito público, participarem das
eleições como candidatos.
Embora
se trate de um assunto oportuno e necessário, o aprimoramento da classe
política, faz tempo, se tornou uma pauta permanente nas sociedades
democráticas. É de Platão a frase profética, dita há mais de 2,5 anos, de que
“o castigo dos bons que não fazem política é ser governados pelos maus”. E
nessa escassez de bons candidatos um segmento se faz notar: o das mulheres.
Apesar
do voto feminino ter sido conquistado há muito pouco tempo – o primeiro país a
garantir o sufrágio feminino foi a Nova Zelândia, em 1893, – é cada vez mais incontestável
as aptidões das mulheres para a atividade política. Que o diga as grandes
lideranças femininas mundiais, como Margaret Thatcher, Indira Gandhi, Golda
Meir, Eva Perón, Michelle Bachelet, Angela
Merkel, entre outras. Da mesma forma, no Brasil, diversas mulheres já
demonstraram suas aptidões políticas. Dentre elas, destacam-se:
Alzira
Soriano, uma professora
potiguar (RN) que em 1928 quebrou barreiras de uma sociedade extremamente
machista, racista e conservadora, elegendo-se como primeira prefeita da América
Latina.
Carlota
Pereira de Queirós, uma
médica e escritora paulista que em 1934 se tornou a primeira deputada federal
da América Latina e que alcançou destaque como única representante feminina num
Congresso majoritariamente branco e masculino.
Antonieta
de Barros, uma
jornalista e professora catarinense que em 1934 se tornou a primeira deputada
estadual negra do país.
Eunice
Michiles, uma
amazonense, professora e ex-deputada estadual, que em 1979 se tornou a primeira
senadora do Brasil.
Iolanda
Fleming, uma acreana,
professora que em 1986 se tornou a primeira mulher brasileira a assumir o cargo
de governadora.
Dilma
Rousseff, mineira e
economista, foi a primeira mulher brasileira a se tornar presidente da República.
A
população feminina no Brasil é de 100,5 milhões, equivalente a 51,5% do total
de habitantes. Quando se trata da totalização dos números de eleitoras, a
maioria se repete. 52% do universo de eleitores é composto por mulheres, o que
equivale a 77 milhões de pessoas. E o que se vê na composição dos legislativos
não é nem sombra dessa maioria.
Em
2018, segundo dados estatísticos do IBGE, o Brasil, apesar de ser a sexta maior
nação em número de habitantes e a nona maior economia do mundo, ocupava a 152ª
posição no ranking da participação feminina na política, sendo o último
colocado na América do Sul em presença feminina na Câmara dos Deputados,
ocupando apenas 10,5% (54) das 513 cadeiras da Casa.
Para
tentar alterar esse cenário amplamente desfavorável as mulheres, a Justiça
Eleitoral, através do Tribunal Superior Eleitoral, buscando uma sociedade mais
justa e igualitária, vem promovendo iniciativas para ampliar a presença das
mulheres nos diversos espaços de poder. Dentre elas destacam-se reserva de
gênero, a partir da eleição de 2018, de 30% das vagas dos candidatos às
eleições proporcionais, percentual este que vale também para o tempo da propaganda
eleitoral gratuita de rádio e televisão.
Outra
medida importante e estimuladora, adotada recentemente, estabelece que os
partidos devem destinar no mínimo 30% do montante do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha (FEFC), também conhecido como Fundo Especial, para
ampliar as campanhas de suas candidatas.
Como
se não bastasse, a Corte Eleitoral também tem promovido diversas campanhas
sobre o tema em suas redes sociais e nas emissoras de rádio e TV de todo o
Brasil. A mais recente, intitulada “Mais mulheres na política: a gente pode, o
Brasil precisa”, tem a finalidade de inspirar mulheres a ocuparem cargos
políticos e mostrar que o aumento de lideranças femininas é bom para toda a
sociedade.
Bem,
mas todo este esforço será inútil se não houver interesse das mulheres em
aumentar sua representação na política e, principalmente, participar das
eleições como candidatas a cargos executivos e legislativos. E isso se chama
convencimento, ou se quiserem, convicção. Uma luta necessária, não por empoderamento,
uma expressão em voga que não substituiu em sua plenitude e complexidade o
conceito de pertencimento.
E
ainda acrescento, de identidade e de engajamento. Identidade por representar a
maioria da população brasileira e engajamento por assumir a condição de ente
político num dos momentos mais desafiadores da política nacional. Ainda não
temos os números de mulheres que participarão das eleições municipais deste ano,
mas pelo que se tem visto, tudo indica que o despertar já começou.







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