quinta-feira, 30 de abril de 2015

A esperança oriundi.




Eu confio em gringo oriundi. Por vário motivos. O maior deles é a trajetória de luta e de conquistas dos imigrantes italianos que vieram se instalar no extremo sul do Brasil. Foram eles que desbravaram as difíceis encostas da serra gaúcha e lá, com o suor do seu lavoro, construíram cidades e empresas que hoje são sinônimos de desenvolvimento e de prosperidade. Cases de sucesso no Rio Grande do Sul e no Brasil.

Otimistas por natureza e necessidade, aprenderam que uma casa sólida se constrói colocando uma pedra, uma tábua, de cada vez. Com zelo e capricho. Para durar. E que dia de fartura é época de economizar para o período de escassez. Vem daí a fama de pão-duro. De só gastar o que tem para evitar ficar devendo. Por isso não promete o que não pode cumprir.

Mas nem tudo é positivo num oriundi. São teimosos e desconfiados. Deficiências essas compensadas pela alegria de viver, eloquência verbal, gesticulação teatral, sinceridade e franqueza.

Pois José Ivo Sartori é um oriundi nato. Nas virtudes e nos defeitos. E foi através da utilização adequada das características dos descendentes de italianos que consolidou sua vitoriosa trajetória política. Inicialmente como líder estudantil, depois vereador, deputado, prefeito e agora governador.

Conhecedor dos desafios que teria pela frente, Sartori fez uma campanha e faz um governo de poucas palavras. Sem espetacularização, como costuma dizer. Sabe que para chegar onde deseja precisa primeiro remover os obstáculos, semear o terreno, para só depois colher os frutos.

Mas os desafios do gringo do Palácio Piratini não se restringem apenas na superação dos números assustadores que tem sido divulgados. Referem-se também a construção da sua imagem de empreendedor. Outra marca do oriundi.

Para tanto, precisa conquistar a confiança da sociedade gaúcha. Fazer ver que simplicidade não é sinônimo de ingenuidade, mas de responsabilidade. Que honestidade hoje em dia, mais do que um dever, é uma virtude. E de que até características pouco valorizadas, como a teimosia e a desconfiança, podem sim ter o significado de determinação e zelo.

O Rio Grande, em sua maioria, confiou mais uma vez na capacidade de superação de um oriundi. Que a saga vitoriosa dos imigrantes italianos se confirme.

E a marcha, ré?



Tal qual as manifestações de junho de 2013, os grandes protestos do início de 2015 devem ter os ânimos e a adesão arrefecidos com o passar do tempo. Pelo menos é o que indica a redução do número de manifestantes no protesto pro-impeachment de Dilma Rousseff, realizado dia 12 de abril, na comparação com o anterior, efetuado em 15 de março. Alheio a esse fato o Movimento Brasil Livre, que se auto intitula promotor das passeatas anti-PT, marcou um novo protesto, desta feita em Brasília, denominado “Marcha pela Liberdade”. A escolha da capital federal baseia-se, com certeza, na estratégia da logística. Se não estão conseguindo reunir multidões em diversos locais, centrar os protestos numa única cidade representa a possibilidade de uma visualização massiva de maior amplitude.

Mas o que leva essas iniciativas extemporâneas à oscilação quantitativa, destoando de outras manifestações de grande porte, bem sucedidas, como o das Diretas Já e Fora Collor? Ao meu ver, por várias razões. A primeira pela falta de um foco, uma meta, um objetivo, uma causa definida. E isso pode ser comprovado pelos cartazes exibidos nos protestos. Uns pediam o impeachment, alguns clamavam pela volta do regime militar, outros o fim da corrupção, a reforma política, etc.  

Coerente com esse caos temático, que segundo o MBL se propõe organizado, a entidade divulgou sua pauta de reivindicações para o evento de Brasília. Dez itens! Desde o impeachment, a redução do número de ministérios, a CPI para o programa Mais Médicos, até a concessão de asilo político à Leopoldo Lopez, principal figura da ala mais radical da oposição venezuelana.

A outra razão diz respeito ao impedimento da participação de partidos e de políticos nas manifestações. Pelo menos tidos como de esquerda, já que parlamentares da direita, especialmente os mais radicais, tem sido acolhidos pelo movimento. Ora, não existe democracia sem partido político. Isso é primário. São eles (os partidos) que representam a diversificação da sociedade e o pensamento de cada segmento da população sobre como o país deve ser governado. Ou será que o MBL se julga no direito de representar a população como um todo?

Além disso, todo movimento popular que se diz democrático precisa de líderes que o representem, orientem e comandem. Foi assim na mobilização pela Diretas Já, capitaneado por Ulysses Guimarães, o Senhor Diretas, e apoiado por grandes nomes da política nacional, como Tancredo Neves, Leonel Brizola, Lula, FHC, Luís Carlos Prestes e outros mais. Da mesma forma, os bem sucedidos protestos do Fora Collor, que apesar de terem a iniciativa dos movimentos estudantis (UNE, UBES, DCEs, Centros Acadêmicos e Grêmios Livres) foram apoiados e endossados por instituição de grande credibilidade, como a OAB, a ABI e a CUT. Ou seja, foram iniciativas que tiveram voz, face e causa.

Pois bem, e quem lidera o Movimento Brasil Livre? Se podemos considerar como líder aquele que tem maior exposição midiática, então é Kim Kataquiri. Um blogueiro de 19 anos que largou a universidade no primeiro ano do curso de Economia e que soube aproveitar seu domínio das redes sociais (Internet) e o clima de insatisfação popular gerado pelas denúncias de corrupção apresentadas pela Operação Lava-Jato, para reavivar as grandes manifestações de junho de 2013. Longe de ser um messias, o garoto, neto de japoneses, está mais para oportunista do que qualquer outra coisa. Sua pouca expressividade sequer rendeu-lhe um perfil no Wikipédia, que dirá a alcunha de líder nacional. Sua rápida ascensão, por outro lado, comprova o descrédito da classe política e dos partidos. O que é deveras preocupante.


Claro que toda e qualquer iniciativa popular de grande proporção precisa ser considerada. Afinal, se todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido, querer que a participação da sociedade fique restrita apenas ao comparecimento às urnas é fazer pouco caso do verdadeiro significado e da importância da cidadania. E as recentes mobilizações populares, embora com resultados ainda pouco expressivos, tem mostrado que o brasileiro não aceita mais a condição de espectador do seu destino. Quer ser agente da transformação. E isso é alvissareiro. Falta-lhe, entretanto, organização e representatividade. Em outras palavras, causa e líder. Mas um líder que represente à todos e não apenas uma parte. Sem isso o futuro das marchas terá apenas e tão somente um direcionamento: à ré. Ou como disse o gaúcho ao ver a tosa de um porco, “muito grito e pouco pelo”.

sexta-feira, 24 de abril de 2015




RS à beira de um ataque de nervos.


Corajosa e ousada a decisão do governador Sartori de atrasar o pagamento da parcela de abril da dívida para com a União e assim manter em dia o pagamento do funcionalismo. Mas mal comparando, significa o mesmo que reduzir a febre de um paciente terminal. Digo isso baseado nas palavras do próprio governador, que afirmou que tal providência só irá acontecer uma vez. Ou seja, para suprir as deficiências de caixa nos próximos meses o governo terá que encontrar outras soluções.
Ocorre que a situação ruim tende a piorar. Primeiro porque em maio terá que fazer dois repasses para a União. Depois, porque também em maio terá que pagar a parcela do reajuste salarial dos servidores da segurança pública autorizado pela Assembléia Legislativa.
A menos que as projeções de crescimento da receita se confirmem (supersafra e produção industrial) ou que o Governo Federal finalmente resolva pagar o que deve ao Estado, a situação do erário tende a ficar insuportável. E a considerar a declaração do secretário da Fazenda vai mesmo: "Se o Rio Grande do Sul não conhecia o caos, agora vai conhecer". Durma-se com um barulho desse.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Minha coluna do Sul 21 desta quinta-feira (23/04).

O Estado vai mal. A culpa é do trabalhador?




A sina de todo trabalhador parece ser mesmo a de servir de bode expiatório. Basta surgir uma crise financeira para que a culpa recaia sobre os ombros dele. Seja empregado privado ou público. No privado, toda vez que a lucratividade do patrão diminui a primeira medida tomada é a redução de custos. E aí começam as demissões e/ou a redução de salários. Para impedir injustiças e abusos, foi criada a CLT, que passou a reger a relação empregado-empregador. Mas quem estabeleceu esse regramento? O poder público, através dos parlamentos e com a concordância do poder Executivo. O que significa que o senhor todo poderoso, o juiz da relação patrão-empregado, é o Estado. Isso explica, por exemplo, a intervenção ditatorial do poder público na fixação do teto salarial dos inativos e da definição do tempo de serviço necessário para que os servidores se aposentem pelo INSS. E mais recentemente as modificações nas regras de concessão do seguro-desemprego.

Pois bem, vejamos então como o Estado trata os seus próprios trabalhadores. Excetuando o regramento individualizado de cada estado da federação (regime estatutário), boa parte do funcionalismo público é regido pela CLT, o que significa que seu ingresso no serviço público se deu através de concurso público. Mas então o que diferencia o trabalhador público do privado? A estabilidade. Com exceção, é claro, dos motivos previstos pela Constituição. Pois é justamente essa garantia de emprego que faz com que o servidor público estadual seja alvo de críticas e de incompreensões infundadas.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, o servidor público é frequentemente citado como um dos principais responsáveis pelo agravamento das finanças do Estado. E o principal argumento é o desequilíbrio nas folhas de pagamento dos servidores ativos e inativos. Seja porque o número se aposentados já ultrapassou o de servidores em atividade. Seja pelo fato de que isso acarreta um contínuo e crescente déficit previdenciário, que por necessitar ser complementado pelo erário, faz com que faltem recursos para investimentos em obras e serviços.

 Mas então a culpa pela estagnação econômica do Rio Grande é do funcionalismo? Óbvio que não. Um servidor público ao ser contratado pelo Estado, mediante concurso, firma um pacto de relacionamento com regras definidas. O servidor trabalha e o Estado paga pela trabalho realizado. Tanto na ativa como na aposentadoria. Se estão faltando recursos para o pagamento dos servidores a culpa não é deles. Eles fazem ou fizeram a sua parte. Cabe ao poder público realizar uma administração eficiente e rentável. Se a despesa pesou no fim do mês é porque a receita foi insuficiente. Como o Estado não pode reduzir salários e nem demitir aleatoriamente, não resta outra solução senão aumentar a receita ou diminuir as despesas naquilo que for possível. Ou mudar a lei, sem mexer nos direitos adquiridos dos servidores.

Responsabilizar o funcionalismo pelas mazelas econômicas é dar um tiro no pé. O segundo maior apelo das multidões que saíram às ruas recentemente foi a melhoria dos serviços públicos. O primeiro foi o fim da corrupção. Mas como melhorar o serviço público com servidores desmotivados, seja pelas críticas infundadas ou, principalmente, mal remunerados. E nesse caso enquadram-se trabalhadores de áreas vitais para a população como a educação, a segurança e a saúde, justamente o contingente que abrange o maior número de servidores públicos.

É por isso que se torna pouco compreensível a tentativa de conscientização do funcionalismo de que ele precisa dar a sua cota de sacrifício para a busca de soluções para a crise financeira do Estado. Isso equivale a dizer a tolerância pelo possível atraso no pagamento dos seus salários e em alguns casos, a renegociação de parcelas de reajustes salariais anteriormente estabelecidas. Mas como esperar receptividade do magistério gaúcho que sequer recebe o piso salarial nacional? Como ter a simpatia dos servidores da segurança pública para a diluição dos reajustes salariais assegurados se até as horas extras da corporação foram cortadas? Tudo isso sem falar na desmotivação provocada pela superposição de funções e sobrecarga de trabalho, fruto da constante redução do quadro de pessoal, apesar do cadastro de concursados disponível. E pensar que em época de campanha eleitoral boa parte das promessas é voltada aos servidores públicos.


Se o funcionalismo é assim tão danoso aos interesses do Estado pensem como seria o seu dia-a-dia sem eles. Quem lhes proporcionaria educação, saúde e segurança pública? Ou será que educar nossos filhos, proteger suas integridades físicas e patrimoniais e lhes oportunizar atendimento médico, podem ser consideradas atividades dispensáveis? Bem, nesse caso, seria necessário fazer outro corte. O do pagamento de impostos. E aí a questão seria outra. Para que serve o Estado?

sábado, 18 de abril de 2015

Minha droga, minha vida.



O título escolhido para esse comentário bem que poderia classificar mais um programa de “caráter social” implementado pelo poder público, seja ele federal, estadual ou municipal. Refiro-me aos milhares de jovens, adolescentes e até crianças, que cada dia mais engrossam o universo de pedintes nas sinaleiras, ruas, saída de estabelecimentos comerciais e bancários, praças, enfim, por todo o ligar onde há circulação de pessoas e, consequentemente, de doadores de dinheiro fácil.

Não me refiro à pobreza. Aos que catam lixo e sucata para vender e sustentar suas famílias. Refiro-me ao exército de zumbis, seres humanos destruídos pela droga, que perambulam pelas cidades a procura de um subsídio financeiro popular para atenuar a fissura pelo crack. E por isso que digo que poderia se tratar de um programa governamental? Porque ao não atacar o problema da drogadição infanto-juvenil os governos só fazem piorar o problema.

Como mendigagem por ociosidade não é mais crime, esse crescente manancial de desocupados circula e importuna livremente todo e qualquer cidadão. E mais. Desesperados pela busca de dinheiro para a compra da “pedra”, apelam para a criminalidade. Aí celular, correntes e brincos de maior valor, relógio, tênis, boné, óculos, camiseta e principalmente dinheiro, se transformam, na mão do dependente de crack, em solução para o troca-troca do bem valiosos pela “pedra”.

Pode parecer lugar comum dizer isso, mas falta vontade política dos governantes para atacar esse grave problema social. Pior. A omissão governamental só faz piorar a situação, tanto do lado do dependente, que mesmo que queira não tem apoio para se tratar e largar o vício, como do cidadão comum, que só vê agravar o seu sentimento de insegurança.

Ei seu governador! Ei seu prefeito! Lugar de criança e adolescente é na escola. Lugar de jovem é no mercado de trabalho. Então que história é essa de dar uma de avestruz, fazendo de conta que não vê a gravidade do fato? Aí quando um desesperado pela droga mata um filho de gente famosa não adianta tentar sensibilizar a sociedade de que se trata de um problema social de difícil solução. Ora, se nada for feito a tendência é de agravamento da tal complexidade.


Por isso, quando lhe perguntarem de quem é a culpa por você ter medo de andar pelas ruas da cidade, não titubeie, diga que é do governo. Se estão roubando, matando e seduzindo nossos jovens para a droga, a culpa não é sua, minha, ou da família, como querem que acreditemos. Tanto os zumbis urbanos como a sociedade organizada são vítimas do descaso e/ou da incompetência nossos pseudos representantes, encastelados no poder.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

 MST do PT.



Apesar de classificada como uma das ações do chamado Abril Vermelho, a invasão dos 1,8 mil integrantes do MST a uma fazenda de cultivo de eucalipto e pinus, no município de Tapes, precisa ser vista como algo mais complexo e politicamente estratégico. Quem invadiu a propriedade privada? O Exército Vermelho, como Lula classifica os comandados de Stédile, ou os pequenos agricultores sem-terra? E mais. Trata-se de uma coincidência que a invasão aconteça um dia depois da prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto?

E não me venham com a tese de que existe uma neurose coletiva contra Dilma e seu partido. Se tem uma coisa que os brasileiros aprenderam é que no PT não existe casuísmos. É tudo muito bem pensado e maquiavelicamente planejado. Mudar o foco em momentos de crise é uma das especialidades do PT. Mas eu acrescento outro ingrediente a esse cardápio de maldades.


A curiosidade do PT, através de ações do MST, de como o governador Sartori (entenda-se Brigada Militar) irá se comportar nesses episódios? Com a tolerância e passividade quase que permissiva de Tarso ou com o rigorismo legal, até mesmo com o uso da força, quando necessário? Lembro que houveram tiros por ocasião da invasão da fazenda em Tapes. Êta açãozinha que caiu em boa hora essa! Justamente quando o estrago financeiro provocado pelo governo Tarso está sendo apresentado para a sociedade gaúcha. 

Nunca antes na história do Movimento os pequenos e enganados produtores rurais mereceram ser chamados de MST do PT.
Ser brasileiro. Crime ou castigo?




Pode haver prioridade maior para uma pessoa do que a manutenção da sua vida? Óbvio que não. De que adianta acumular fama, poder e riqueza se não há garantias da preservação da vida? E não me refiro aos cuidados e as atitudes individuais. Refiro-me aos cuidados com o ser humano como ente social, na sua relação interpessoal e coletiva. Em outras palavras, o cuidado do Estado com o cidadão. Sim, a intermediação de quem foi escolhido, democraticamente, para zelar pelos interesses da coletividade. Mas então por que então nossos governantes deixam tanto a desejar no controle e combate à criminalidade e a mortalidade no trânsito?

Em nenhum momento da história do país, mesmo nas guerras, tantos brasileiros tiveram suas vidas abreviadas por uma bala ou por um acidente de trânsito como nas últimas décadas. E o pior, de maneira constante e crescente.  A ponto de um assassinato de seis pessoas em Cidreira, no litoral gaúcho, ser visto como algo cotidiano, rotineiro nas manchetes da imprensa. O mesmo pode ser dito da morte das treze pessoas que perderam a vida nas estradas no último final de semana. Incompreensível banalizar a violência que abrevia a vida de um ser humano? Não é essa a ordem natural das coisas.

A seriedade com que o assunto é tratado e a obstinação pela busca de soluções para estes problemas é que diferencia o desenvolvimento de um país em relação ao outro. E nesse aspecto o mundo avança e o Brasil retrocede. Na Alemanha, as mortes em acidentes de trânsito caíram 81% nos últimos quarenta anos. A Austrália reduziu a mortandade nas ruas e estradas em 40% ao longo de duas décadas. A China precisou de apenas dez anos para reverter uma situação calamitosa em que os acidentes de trânsito haviam se tornado a principal causa de morte entre os cidadãos de até 45 anos de idade.

Enquanto isso, aqui no Brasil, segundo levantamento feito pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, mais de 60 mil pessoas morrem anualmente em acidentes de trânsito. Uma estatística macabra que cresce ano após ano. Ou seja, no Brasil morre-se mais em acidentes de trânsito do que por doenças como o câncer.  Dados atualizados do Ministério da Saúde mostram que a cada hora o trânsito mata mais de cinco pessoas no país. Isso sem falar nos casos de invalidez permanente, que havia tempo já ultrapassou os 350 mil casos/ano.

E a outra causa mortis mais frequente? Os homicídios? Outro recorde negativo. O Brasil, segundo dados do Mapa da Violência 2014, baseado num trabalho similar realizado pela Unesco, atingiu em 2012 o maior número de homicídios da sua história: 56.337 mortes. Para se ter uma ideia, isso significa mais assassinatos do que a perda total de vítimas no conflito da Chechênia, entre 19994 e 1996.  Tal quantitativo, segundo a Organização Mundial da Saúde, coloca o Brasil como o país com maior número de homicídios no mundo. De cada 100 assassinatos no planeta, 13 são no Brasil, informa a OMS.

Há quem diga que isso são apenas números. Que a complexidade dos temas é muito maior que uma simples constatação aritmética. E é mesmo. Qualquer um com o mínimo de conhecimento e inteligência pode constatar isso. Mas aí é que está o impasse. Como atacar o problema pela raiz? Através da educação. Diria mais, pelo conhecimento. E é ai que se encontra a culpabilidade de nossas governantes. Seja federal, estadual ou municipal. Seja em que esfera for. Valorizar a vida passa pela cidadania. Pela valorização do próximo. E isso começa a acontecer na família e se fortalece e consolida nos bancos escolares. Governo que não prioriza a educação não prioriza a vida e, consequentemente, mata seu povo nos enfrentamentos com o crime e com o duelo do trânsito.

Claro que estamos enfrentando uma situação é emergencial. Diria mais, uma questão de vida ou morte. Uma das principais causas, se não a principal, é a drogadição. Mas de onde vem a maioria das drogas e das armas? De outros países. Mas então por que não patrulham adequadamente nossas fronteiras, nossos portos e nossos aeroportos?

Da mesma forma, porque os governos investem tão pouco em educação para o trânsito? Seja em programas educacionais ou em propaganda institucional? Por que não investem mais em melhoria da circulação viária? Seja na cidade ou nas estradas, duplicando, por exemplo, as que já estão com seu trânsito suturado?
Por que não adequam os efetivos policiais ao crescimento da população? Por que não pagam salários dignos para professores e servidores da segurança pública?

Mas como? Diriam alguns. Para isso precisa de dinheiro, e ele está escasso. Mas para desviar bilhões de reais para os bolsos dos corruptos que se escondem por detrás dos seus cargos e mandatos, não? Para investir bilhões em obras de menor importância social, a maioria superfaturada ou de conclusão indefinida, têm.

Se cuidar da vida das pessoas, investindo adequadamente em educação, segurança e saúde, não fosse uma questão de responsabilidade, que fosse pelo menos de justiça, uma vez que os governos arrecadam (e bem) para isso. O que significa dizer que o cidadão paga, através dos impostos, por serviços públicos que, ou não recebe, ou que é insuficiente e insignificante.

E esse é o maior de todos os crimes praticados por nossos representantes nos palácios, nos plenários legislativos e nos tribunais. O de iludir e ludibriar os brasileiros, fazendo-os pensar que vivem numa nação que preza a ordem e o progresso.

Triste do país que para se apresentar ao mundo como prospero e justo precisa escrever isso em sua bandeira.

Artigo publicado no Sul21 de 16.04.2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015


Vaccari deu uma de papagaio e foi parar na gaiola.


Sabe aquele antigo ditado de que em boca fechada não entra mosca? Pois é, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, resolveu desafiar a máxima e acabou preso pela Polícia Federal. Talvez por se sentir amparado pelo poder petista, algo que beira a impunidade, Vaccari resolver divergir das atitudes dos outros petistas que calaram-se diante dos integrantes da CPI da Petrobrás. Falou demais. Ou melhor, falou o que não devia. Negou o seu envolvimento e o envolvimento do PT nas denúncias apresentadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Ora, todos os brasileiros sabem, pela robustez das provas apresentadas, que realmente houve fraude da grossa na Petrobrás. E que houve conluio entre partidos, políticos, empresário e servidores públicos. E foi aí que Vaccari escorregou na prepotência. Ao negar os fatos o tesoureiro petista fez pouco caso do trabalho da PF e do MP. Melhor, desafiou as duas instituições que despontam como as de maior credibilidade dentre os brasileiros.


Só podia dar no que deu. Vai para a prisão refrescar a memória. Claro que não estou aqui fazendo a apologia do silêncio. Pelo contrário. Defendo que os envolvidos falem tudo o que sabem, desde que digam a verdade. Ou será que depois do Mensalão ainda tem gente que não acredita que “a casa caiu”.

domingo, 12 de abril de 2015

Desta vez eu não fui às ruas.

Carnaval

Protesto?

Desta vez não fui para às ruas. E até tinha me preparado para ir. Mas quando vi na Globo News pessoas distribuindo bandeiras plastificadas do Brasil e faixas com designer profissional e acabamento gráfico, desisti. Concluí que ao contrário das manifestações espontâneas do Fora Collor e contra a Copa do Mundo, esta do Impeachment de Dilma é fake. E não me refiro a intenção. Muita gente está participando na boa fé.  Falo da organização.

Está na cara que tem o dedo de algum segmento com interesse ainda não transparentemente identificado. E neste caso, o equívoco dos controles políticos dos movimentos populares se repete, desta feita por interesses supostamente apartidários. No fundo o que se vê é uma disputa fundamentalista pelo poder. Baseada na lógica simplista do sai Dilma entra Aécio. Fora PT, bem-vindo PSDB. Mas não seria defender mais do mesmo?

O que os brasileiros conscientes e insatisfeitos querem é eficiência e comprometimento. Eficiência na prestação dos serviços públicos e comprometimento com a vontade popular (prioridades). Ah, e claro, engajamento com tudo o que diz respeito a honestidade e a ética. E não vai ser com manifestações folclóricas, com gente desfilando como se estivesse num cortejo carnavalesco, que as coisas irão melhorar. Protesto popular é coisa séria. Muito séria. E não um programa dominical. Para isso existem outros locais, como os parques, por exemplo.

Desse jeito os esperançosos vão se desiludir e os maus políticos se fortalecerem. As manifestações vão minguar. E tudo vai ficar como está. Chega de fingir que estamos buscando aquilo que sequer sabemos bem o que é. Os protestos precisam de metas. De objetivos concretos. Tirar Dilma para por Temer no seu lugar? Convocar nova eleição e eleger Aécio? É isso? Apenas isso? Não minha gente. Antes de escolher o novo presidente é preciso definir o perfil desejado. E isso só se obtêm através de manifestações espontâneas. Chega de servir de marionete para falsos messias.

Eu não vou tirar a “armadura” de combatente das boas causas, como o fim da corrupção e a moralidade na administração pública, mas não vou sair às ruas como se estivesse participando de um desfile de fantasia. Quando a face da preocupação voltar aos rostos dos brasileiros, quando o desejo de mudança sair pela boca, através de um grito forjado pelo sentimento de inconformidade, e quando os cartazes forem escritos artesanalmente por mãos calejadas e esperançosas, eu voltarei ao fronte. Digo, às ruas. 

sábado, 11 de abril de 2015

Plagiando o velho e nada saudoso Che Guevara, que disse que é preciso endurecer sem jamais perder a ternura (hay que endurecerse, pêro sin perder Ia ternura jamás), meu artigo de hoje na ZH aborda a necessidade do governo Sartori adotar medidas realistas sem abdicar da alegria das novas conquistas. Para quem não leu:


sexta-feira, 10 de abril de 2015



O apagão de Porto Alegre





Tudo indica que o prefeito Fortunati foi para o PDT mas não esqueceu a prática petista. Bastou a imprensa criticar o total abandono do Parque Farroupilha (Redenção), há meses em total escuridão noturna, para ele tentar minimizar a importância do problema anunciando, através do seu secretário da SMOV, que SERÃO instalados novos postes e pontos de iluminação no Centro Histórico da Capital. Demorou! Antes tarde do que nunca. Tomara aconteça ainda em seu mandato. Mas é o fim do breu da Redenção? Quanto tempo ainda ficará nas mãos da marginalidade? Pô, que demore a construção de viadutos e outras obras viárias ainda vá lá, mas demorar para trocar lâmpadas é inadmissível. Mais atitude prefeito.O cidadão paga para ter iluminação pública através do IPTU.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A sinuca de bico de Fortunati.




Mas báh tchê! Que sinuca de bico a Câmara de Vereadores de Porto Alegre colocou o prefeito José Fortunati.

Os edis municipais aprovaram duas polêmicas leis para o transporte coletivo urbano. A primeira, que Fortunati já anunciou que irá vetar, determina que todos os ônibus tenham ar-condicionado. A justificativa do veto? O bem estar que beneficiaria os milhares de usuários provocaria um aumento de treze centavos no valor da tarifa, que hoje é de R$ 3,25. Ou seja, mais vale o suor e o desconforto dos passageiros, que passam horas enfornados (isso mesmo, de forno) em veículos abarrotados de gente, do que os R$ 0,13 gastos para o desfrute de um ônibus climatizado, prazer esse que a grande maioria não tem condições de usufruir nas suas residências. Além disso, o silencio da comunidade porto-alegrense sobre a aprovação da nova lei indica que ela foi bem recebida. Mas então a negativa do prefeito pode ser classificada de insensibilidade ou excesso de zelo? Já que inconstitucional ela não é?

A outra lei, aprovada ontem, autoriza o transporte de gatos e cachorros de pequeno e médio porte, acompanhados de seus responsáveis, em ônibus, táxis e lotações. As únicas exigências são de os animais estejam devidamente limpos, vacinados e acondicionados em recipientes apropriados. E agora? Será que Fortunati, que é adepto da causa animal e que tem como esposa a deputada Maria Regina Becker, totalmente identificada com a defesa dos direitos dos animais, irá manter a coerência, já que a transporte dos animais irá reduzir a capacidade de passageiro, afetando diretamente o custo do sistema, vetando essa nova lei? No caso de homologação, a dúvida será: Para Fortunati, mais vale atender o interesse dos donos dos animais de estimação do que o bem estar das pessoas que necessitam utilizar o transporte coletivo?


O taco, digo, a responsabilidade, está nas mãos do prefeito. 
Minha coluna desta semana no Sul 21.

Afinal, para que serve o Estado?


A declaração do secretário estadual do Planejamento, Cristiano Tatsch, divulgada pelo Correio do Povo do dia 8 de abril, de que “o que atrapalha o enriquecimento do Rio Grande do Sul é o Estado”, traz à tona uma histórica indagação. Qual a função do Estado? Trata-se de uma indagação que, cíclica e sistematicamente, tem despertado o interesse e o debate generalizado, especialmente em momentos de crise financeira, como a enfrentada pelos últimos governos e pelo atual.
Mas será esta conjuntura emergencial o campo fértil para tal discussão? Há quem diga que sim. Que é nos momentos de crise que se revelam as melhores soluções. Será? Fosse assim, como explicar, por exemplo, o agravamento do déficit público do Estado após os governos “transformadores” de Antônio Britto e Yeda Crusius? Em ambos o foco de gestão foi o saneamento das finanças públicas.
No governo Britto a tentativa fixou-se na redução do tamanho do Estado. Para tanto, foram realizadas reformas administrativas que incluíram a privatização das grandes autarquias de serviços públicos, como a CRT e a CEEE, a incorporação da Caixa Econômica Estadual pelo Banrisul, e a cobrança de pedágio nas rodovias, dentre outras. Se por um lado tais medidas oxigenaram momentaneamente as finanças, por outra, a renegociação desfavorável à médio e longo prazo da dívida do Estado para com a União não só sufocou o erário como agravou a saúde financeira do Rio Grande.
Já no governo Yeda, eleito sob o slogan “Um novo jeito de governar”, a proposta para a redução do déficit foi a de dar um choque de gestão através do corte de cargos de confiança, reestruturação da máquina pública, contenção de despesas e racionalização da receita. Era o propalado “Déficit Zero”. Se por um lado, a exemplo dos governos que a antecederam, tais medidas permitiram uma sobrevida das finanças públicas, por outro, a falta de ações estruturantes de maior impacto econômico e social, acabou mantendo a ameaça de insolvência do Estado.
Então as estratégias governistas que antecederam o governo Sartori estavam equivocados? Sob a ótica da sobrevivência financeira dos respectivos momentos, não. Mas se considerarmos que o Estado não tem partido e, portanto, deve ser visto pelos governantes como um bem a ser preservado e aprimorado para as futuras gerações, sim. E esse é o dilema do atual governo. Equilibrar as contas para fazer o mínimo indispensável ou fazer o que precisa ser feito, pensando no futuro, mesmo que isso possa representar um prejuízo às futuras pretensões políticas de Sartori e do seu partido?
Até o momento, pelo que se tem visto, tem sido a repetição de iniciativas já testadas, quase todas voltadas à arrumação da casa. Retenção da dívida para com fornecedores e prestadores de serviço; contingenciamento de CCs e das verbas orçamentárias; redução do número de secretarias; diminuição dos gastos com viagens, diárias e horas extras; dentre outras. Tudo feito com muita transparência e sinceridade, o que é elogiável. Mas pouco para o tamanho do problema.
Mas então o que esperar dessa mistura de iniciativas? Do ponto de vista do governo, o equilíbrio das contas. Mas e do ponto de vista do cidadão, que clama pela melhoria na prestação dos serviços públicos? No mínimo coragem, ousadia e criatividade para enfrentar e superar os atuais entraves do desenvolvimento. Pelo menos nas áreas de responsabilidade direta do Estado, como as da saúde, educação e segurança.
Mas não se produz educação de qualidade sem professores motivados. Não se passa sensação de segurança com um efetivo policial defasado. E não se tranquiliza a população com hospitais ameaçando suspender o atendimento pelo atraso nos repasses dos recursos públicos. Mas mesmo que isso seja solucionado, o que já seria um grande avanço, será muito pouco para um Estado que já foi pujante economicamente e que precisa investir na atração de novas empresas, na melhoria da sua infraestrutura de transportes, energia e saneamento e na geração de novos postos de trabalho, pra poder se desenvolver.
Sartori e todos os gaúchos sabem que não será possível fazer tudo o que é necessário em apenas quatro anos. Mas convenhamos, apenas equilibrar financeiramente o Estado também é muito pouco. É por isso que a realidade dos números, mostrada pelo governo por todo o estado, não pode ser confundida com estagnação. O ideal é mesclar o que pode com o que deve ser feito. Ou seja, arrumar a casa sem abrir mão da meta de reformá-la.
Esse é o desafio e essa é a missão de quem se elegeu prometendo fazer do Rio Grande o seu partido. Mostrar, com atitudes, que ao contrário do que pensa o secretário estadual do Planejamento, o Estado pode sim atuar como o agente impulsionador do enriquecimento e do desenvolvimento do Rio Grande do Sul.

terça-feira, 7 de abril de 2015

A revolução dos caranguejos.



Na data em que se comemora o Dia do Jornalista, convido os colegas a fazerem uma reflexão sobre os compromissos que regem essa importante profissão. A saber: a busca permanente da verdade e a obstinação de servir a sociedade com ética. E atuar priorizando a verdade e valorizando a ética significa agir com coerência. Sob pena de, se assim não proceder, perder aquelas que são a maior das suas virtudes e o seu maior patrimônio profissional: a credibilidade e a confiabilidade.

Faço essas referências pela constatação de que alguns jornalistas estão utilizando seus espaços para, a meu ver, destilar, digamos assim, sentimentos pouco jornalísticos em relação a Rede Brasil Sul de Comunicação. E digo isso com a isenção de quem não trabalha e não tem qualquer relação comercial com o Grupo RBS.

Tais críticos, poucos, mas contumazes, alguns ex-funcionários da RBS, outros atuando em empresas concorrentes, e alguns na condição de franco-atiradores, por motivos diversos, aproveitam a inclusão da RBS no rol de suspeitos da Operação Zelites para rotulá-la como predatória aos interesses da categoria e do Rio Grande.

Claro que não eximo a RBS das suas responsabilidades no caso. Não tenho como fazer isso. Só sei o que sai na mídia. Por isso não absolvo e nem a condeno previamente. Lamento inclusive, como gaúcho e jornalista, vê-la na condição de suspeita. Quem critica mal feitos tem que dar o exemplo. Mas a prudência recomenda que aguardemos o desfecho do caso.

O que me causa estranheza, na verdade, é a total falta de referência à situações passadas e presentes, envolvendo outros grupos de comunicação. Lembro-me da época do poderio econômico e político da Companhia Jornalística Caldas Júnior, do então todo poderoso Breno Caldas. A situação de fogo amigo era a mesma. Monopólio, compadrio ideológico com os governos, descaso para com os interesses dos seus funcionários, eram alguns dos ataques realizados.

Por isso, dizer que os grandes grupos de comunicação, sejam eles regionais ou nacionais, são suspeitos de envolvimento não recomendável com o Poder é chover no molhado. Trata-se de uma dependência gerada inicialmente pelo sistema de concessão imposto para o setor de comunicações e depois pela pressão pela liberação das verbas publicitárias. A seriedade da relação depende de todos os envolvidos. Governo e concessionários.

Mas o que mais me aborrece mesmo nesse fuzilamento intempestivo contra a RBS é o descaso dos críticos ferrenhos para com o interesse dos funcionários da casa, seus colegas de profissão, que serão os primeiros a sofrerem com os ataques a imagem da empresa. Dizer que só os conchavos econômicos são os responsáveis pelo crescimento e pelo prestígio da RBS junto aos gaúchos e catarinenses é subestimar a qualificação profissional dos funcionários da empresa.

No ramo da comunicação social, empresa com imagem enfraquecida é sinônimo de perda de leitor, ouvinte e telespectador e, consequentemente, perda de anunciante. E tudo isso resulta em perda de receita. E perda de receita na iniciativa privada significa redução da folha de pagamento. Ou seja, demissões. E quem é do ramo sabe que o mercado de trabalho para jornalistas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina já é bem escasso.


E é isso que os críticos de plantão contra a RBS devem considerar. Ao bater na empresa estão atingindo também os seus funcionários. Seus companheiros de profissão. Para acabar com o máxima do “balde de caranguejos” ou da mística do “prego que se destaca” é preciso primeiro mudar esse tipo de mentalidade. E a imprensa e os jornalistas são fundamentais para essa revolução. Quem sabe não seja essa a pauta ideal e mais produtiva?
Que falta faz a dona Palmira.




Enquanto o Rio Grande inteiro clama por melhores serviços públicos e o novo governo faz de tudo para enfrentar a grave crise financeira, a deputada pedetista Maria Regina Becker prioriza seus esforços no combate ao sacrifício religioso de animais. Dessintonia ou despreparo? Pode haver desrespeito maior para com os animais do que o sua utilização para fins políticos? Queria ver ela brigando com os grandes frigoríficos, como a Friboi por exemplo, que abarrota os supermercados gaúchos com seus produtos de origem animal. Saudade da Dona Palmira.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

E não é que Jardel deu uma de Fabrício.




Coincidências a parte, nesta segunda-feira um jogador de futebol em atividade e um ex-jogador tiveram seus destinos profissionais definidos pelo descontentamento com as críticas da torcida e com a falta de apoio dos seus assessores. O primeiro caso envolveu o lateral esquerdo do Sport Club Internacional, Fabrício, que após ter feito gestos obscenos e xingado com palavrões a torcida colorada, além de jogar no gramado a camisa do clube, foi dispensado pela direção do Internacional.

O outro caso envolveu o ex-centroavante Jardel, ídolo da torcida gremista, e atual deputado estadual pelo PSD. Insatisfeito com o tratamento recebido pela maioria dos seus assessores, o deputado Mario Jardel de Almeida Ribeiro demitiu 21 dos seus 25 funcionários do gabinete e entrou em licença de saúde. Ao contrário de Fabrício, do Inter, que reclamou ter ouvido demais, a queixa de Jardel é de que não era ouvido e respeitado por sua equipe. Seu futuro como parlamentar e como filiado ao PSD ainda é incerto.

O que salta aos olhos nos dois episódios é o despreparo dos principais envolvidos para o exercício de atividades públicas.  Mas a presença deles nas funções não se deu de maneira unilateral ou arbitrária. Ocorreu por interferência de terceiros. No caso de Fabrício, da direção do clube e da escalação do treinador. No de Jardel, do convite do PSD, especialmente do seu ex-colega de clube, deputado federal Danrlei de Deus.


Precisou que o comportamento latente de Fabrício e Jardel se manifestasse em toda a sua plenitude para que o despreparo dos dois se transformasse num episódio de conduta comprovadamente inadequada.  E agora, como ocorre nesses casos, os principais prejudicados são as pessoas que nada tem a ver com isso. Refiro-me ao time e a torcida do Internacional, e os mais de 41.227 eleitores que votaram em Jardel. Fica a experiência e a confirmação da máxima de que realmente “ovelha não é pra mato”.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Novo Cpers, velhos defeitos.


O Cpers, que pretende usar o diálogo como ferramenta de construção de soluções para a área da educação, precisa se decidir. Ou faz apenas política sindical ou se apresenta à sociedade como uma entidade universal, de caráter cidadão. Digo isso pela dualidade de conduta que representantes do Cpers vem adotando no debate da dívida pública do Estado. No dia em que a entidade anuncia que irá seguir os passos de Sartori, promovendo uma ampla discussão sobre a busca de soluções para a crise financeira e para a melhoria do ensino gaúcho, um pequeno grupo e professores tumultua a reunião promovida pelo governo do Estado, em Santa Maria, vaiando a manifestação do governador Sartori. Ou a direção do Cpers orienta seus filiados sobre a verdadeira causa que move os interesses da categoria ou a entidade, já desgastada perante a sociedade gaúcha, tende a cair em total descrédito. Quem não sabe aonde quer chegar não vai a lugar nenhum.