sábado, 18 de abril de 2015

Minha droga, minha vida.



O título escolhido para esse comentário bem que poderia classificar mais um programa de “caráter social” implementado pelo poder público, seja ele federal, estadual ou municipal. Refiro-me aos milhares de jovens, adolescentes e até crianças, que cada dia mais engrossam o universo de pedintes nas sinaleiras, ruas, saída de estabelecimentos comerciais e bancários, praças, enfim, por todo o ligar onde há circulação de pessoas e, consequentemente, de doadores de dinheiro fácil.

Não me refiro à pobreza. Aos que catam lixo e sucata para vender e sustentar suas famílias. Refiro-me ao exército de zumbis, seres humanos destruídos pela droga, que perambulam pelas cidades a procura de um subsídio financeiro popular para atenuar a fissura pelo crack. E por isso que digo que poderia se tratar de um programa governamental? Porque ao não atacar o problema da drogadição infanto-juvenil os governos só fazem piorar o problema.

Como mendigagem por ociosidade não é mais crime, esse crescente manancial de desocupados circula e importuna livremente todo e qualquer cidadão. E mais. Desesperados pela busca de dinheiro para a compra da “pedra”, apelam para a criminalidade. Aí celular, correntes e brincos de maior valor, relógio, tênis, boné, óculos, camiseta e principalmente dinheiro, se transformam, na mão do dependente de crack, em solução para o troca-troca do bem valiosos pela “pedra”.

Pode parecer lugar comum dizer isso, mas falta vontade política dos governantes para atacar esse grave problema social. Pior. A omissão governamental só faz piorar a situação, tanto do lado do dependente, que mesmo que queira não tem apoio para se tratar e largar o vício, como do cidadão comum, que só vê agravar o seu sentimento de insegurança.

Ei seu governador! Ei seu prefeito! Lugar de criança e adolescente é na escola. Lugar de jovem é no mercado de trabalho. Então que história é essa de dar uma de avestruz, fazendo de conta que não vê a gravidade do fato? Aí quando um desesperado pela droga mata um filho de gente famosa não adianta tentar sensibilizar a sociedade de que se trata de um problema social de difícil solução. Ora, se nada for feito a tendência é de agravamento da tal complexidade.


Por isso, quando lhe perguntarem de quem é a culpa por você ter medo de andar pelas ruas da cidade, não titubeie, diga que é do governo. Se estão roubando, matando e seduzindo nossos jovens para a droga, a culpa não é sua, minha, ou da família, como querem que acreditemos. Tanto os zumbis urbanos como a sociedade organizada são vítimas do descaso e/ou da incompetência nossos pseudos representantes, encastelados no poder.

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