Minha droga, minha vida.
O título escolhido para esse comentário bem que poderia
classificar mais um programa de “caráter social” implementado pelo poder público,
seja ele federal, estadual ou municipal. Refiro-me aos milhares de jovens,
adolescentes e até crianças, que cada dia mais engrossam o universo de pedintes
nas sinaleiras, ruas, saída de estabelecimentos comerciais e bancários, praças,
enfim, por todo o ligar onde há circulação de pessoas e, consequentemente, de
doadores de dinheiro fácil.
Não me refiro à pobreza. Aos que catam lixo e sucata para
vender e sustentar suas famílias. Refiro-me ao exército de zumbis, seres
humanos destruídos pela droga, que perambulam pelas cidades a procura de um
subsídio financeiro popular para atenuar a fissura pelo crack. E por isso que
digo que poderia se tratar de um programa governamental? Porque ao não atacar o
problema da drogadição infanto-juvenil os governos só fazem piorar o problema.
Como mendigagem por ociosidade não é mais crime, esse
crescente manancial de desocupados circula e importuna livremente todo e
qualquer cidadão. E mais. Desesperados pela busca de dinheiro para a compra da “pedra”,
apelam para a criminalidade. Aí celular, correntes e brincos de maior valor,
relógio, tênis, boné, óculos, camiseta e principalmente dinheiro, se
transformam, na mão do dependente de crack, em solução para o troca-troca do
bem valiosos pela “pedra”.
Pode parecer lugar comum dizer isso, mas falta vontade
política dos governantes para atacar esse grave problema social. Pior. A omissão
governamental só faz piorar a situação, tanto do lado do dependente, que mesmo
que queira não tem apoio para se tratar e largar o vício, como do cidadão
comum, que só vê agravar o seu sentimento de insegurança.
Ei seu governador! Ei seu prefeito! Lugar de criança e
adolescente é na escola. Lugar de jovem é no mercado de trabalho. Então que
história é essa de dar uma de avestruz, fazendo de conta que não vê a gravidade
do fato? Aí quando um desesperado pela droga mata um filho de gente famosa não
adianta tentar sensibilizar a sociedade de que se trata de um problema social
de difícil solução. Ora, se nada for feito a tendência é de agravamento da tal
complexidade.
Por isso, quando lhe perguntarem de quem é a culpa por você
ter medo de andar pelas ruas da cidade, não titubeie, diga que é do governo. Se
estão roubando, matando e seduzindo nossos jovens para a droga, a culpa não é
sua, minha, ou da família, como querem que acreditemos. Tanto os zumbis urbanos
como a sociedade organizada são vítimas do descaso e/ou da incompetência nossos
pseudos representantes, encastelados no poder.

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