domingo, 12 de abril de 2015

Desta vez eu não fui às ruas.

Carnaval

Protesto?

Desta vez não fui para às ruas. E até tinha me preparado para ir. Mas quando vi na Globo News pessoas distribuindo bandeiras plastificadas do Brasil e faixas com designer profissional e acabamento gráfico, desisti. Concluí que ao contrário das manifestações espontâneas do Fora Collor e contra a Copa do Mundo, esta do Impeachment de Dilma é fake. E não me refiro a intenção. Muita gente está participando na boa fé.  Falo da organização.

Está na cara que tem o dedo de algum segmento com interesse ainda não transparentemente identificado. E neste caso, o equívoco dos controles políticos dos movimentos populares se repete, desta feita por interesses supostamente apartidários. No fundo o que se vê é uma disputa fundamentalista pelo poder. Baseada na lógica simplista do sai Dilma entra Aécio. Fora PT, bem-vindo PSDB. Mas não seria defender mais do mesmo?

O que os brasileiros conscientes e insatisfeitos querem é eficiência e comprometimento. Eficiência na prestação dos serviços públicos e comprometimento com a vontade popular (prioridades). Ah, e claro, engajamento com tudo o que diz respeito a honestidade e a ética. E não vai ser com manifestações folclóricas, com gente desfilando como se estivesse num cortejo carnavalesco, que as coisas irão melhorar. Protesto popular é coisa séria. Muito séria. E não um programa dominical. Para isso existem outros locais, como os parques, por exemplo.

Desse jeito os esperançosos vão se desiludir e os maus políticos se fortalecerem. As manifestações vão minguar. E tudo vai ficar como está. Chega de fingir que estamos buscando aquilo que sequer sabemos bem o que é. Os protestos precisam de metas. De objetivos concretos. Tirar Dilma para por Temer no seu lugar? Convocar nova eleição e eleger Aécio? É isso? Apenas isso? Não minha gente. Antes de escolher o novo presidente é preciso definir o perfil desejado. E isso só se obtêm através de manifestações espontâneas. Chega de servir de marionete para falsos messias.

Eu não vou tirar a “armadura” de combatente das boas causas, como o fim da corrupção e a moralidade na administração pública, mas não vou sair às ruas como se estivesse participando de um desfile de fantasia. Quando a face da preocupação voltar aos rostos dos brasileiros, quando o desejo de mudança sair pela boca, através de um grito forjado pelo sentimento de inconformidade, e quando os cartazes forem escritos artesanalmente por mãos calejadas e esperançosas, eu voltarei ao fronte. Digo, às ruas. 

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