terça-feira, 7 de abril de 2015

A revolução dos caranguejos.



Na data em que se comemora o Dia do Jornalista, convido os colegas a fazerem uma reflexão sobre os compromissos que regem essa importante profissão. A saber: a busca permanente da verdade e a obstinação de servir a sociedade com ética. E atuar priorizando a verdade e valorizando a ética significa agir com coerência. Sob pena de, se assim não proceder, perder aquelas que são a maior das suas virtudes e o seu maior patrimônio profissional: a credibilidade e a confiabilidade.

Faço essas referências pela constatação de que alguns jornalistas estão utilizando seus espaços para, a meu ver, destilar, digamos assim, sentimentos pouco jornalísticos em relação a Rede Brasil Sul de Comunicação. E digo isso com a isenção de quem não trabalha e não tem qualquer relação comercial com o Grupo RBS.

Tais críticos, poucos, mas contumazes, alguns ex-funcionários da RBS, outros atuando em empresas concorrentes, e alguns na condição de franco-atiradores, por motivos diversos, aproveitam a inclusão da RBS no rol de suspeitos da Operação Zelites para rotulá-la como predatória aos interesses da categoria e do Rio Grande.

Claro que não eximo a RBS das suas responsabilidades no caso. Não tenho como fazer isso. Só sei o que sai na mídia. Por isso não absolvo e nem a condeno previamente. Lamento inclusive, como gaúcho e jornalista, vê-la na condição de suspeita. Quem critica mal feitos tem que dar o exemplo. Mas a prudência recomenda que aguardemos o desfecho do caso.

O que me causa estranheza, na verdade, é a total falta de referência à situações passadas e presentes, envolvendo outros grupos de comunicação. Lembro-me da época do poderio econômico e político da Companhia Jornalística Caldas Júnior, do então todo poderoso Breno Caldas. A situação de fogo amigo era a mesma. Monopólio, compadrio ideológico com os governos, descaso para com os interesses dos seus funcionários, eram alguns dos ataques realizados.

Por isso, dizer que os grandes grupos de comunicação, sejam eles regionais ou nacionais, são suspeitos de envolvimento não recomendável com o Poder é chover no molhado. Trata-se de uma dependência gerada inicialmente pelo sistema de concessão imposto para o setor de comunicações e depois pela pressão pela liberação das verbas publicitárias. A seriedade da relação depende de todos os envolvidos. Governo e concessionários.

Mas o que mais me aborrece mesmo nesse fuzilamento intempestivo contra a RBS é o descaso dos críticos ferrenhos para com o interesse dos funcionários da casa, seus colegas de profissão, que serão os primeiros a sofrerem com os ataques a imagem da empresa. Dizer que só os conchavos econômicos são os responsáveis pelo crescimento e pelo prestígio da RBS junto aos gaúchos e catarinenses é subestimar a qualificação profissional dos funcionários da empresa.

No ramo da comunicação social, empresa com imagem enfraquecida é sinônimo de perda de leitor, ouvinte e telespectador e, consequentemente, perda de anunciante. E tudo isso resulta em perda de receita. E perda de receita na iniciativa privada significa redução da folha de pagamento. Ou seja, demissões. E quem é do ramo sabe que o mercado de trabalho para jornalistas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina já é bem escasso.


E é isso que os críticos de plantão contra a RBS devem considerar. Ao bater na empresa estão atingindo também os seus funcionários. Seus companheiros de profissão. Para acabar com o máxima do “balde de caranguejos” ou da mística do “prego que se destaca” é preciso primeiro mudar esse tipo de mentalidade. E a imprensa e os jornalistas são fundamentais para essa revolução. Quem sabe não seja essa a pauta ideal e mais produtiva?

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