O tsunami do desenvolvimento populista.
Por está o PT não esperava. A
política de benesses às classes menos favorecidas, criada pelos governos Lula e
Dilma Rousseff, baseada na implantação de programas populares, do tipo Bolsa
Família, teve efeito bumerangue. Isso porque o aumento da classe média, fruto
do crescimento e do fortalecimento da economia, não se refletiu apenas no aspecto
consumista. Adentrou o segmento de serviços.
A nova classe média também quer
um atendimento de saúde rápido eficiente. Quer segurança para o seu patrimônio recém-adquirido.
E quer proporcionar uma educação qualificada para os seus filhos. Que lhes
proporcione condições de disputar espaços privilegiados e bem remunerados no
mercado de trabalho. Quer, enfim, tudo aquilo que a tradicional classe média,
consciente do desequilíbrio do custo x benefício gerado pelo pagamento de
impostos tanto tem clamado e reclamado. Ou
seja, caridade com o dinheiro alheio também gera dependência predatória.
E agora? Esses novos bem-sucedidos
da economia brasileira vão poder comprar jornal e revista. Ver TV. Ouvir rádio.
Vão, enfim, se informar e formar consciência. E ai vão ficar sabendo do Mensalão e outras
mazelas dos seus “padrinhos benfeitores”. Vão tomar conhecimento do risco que o
país corre de ter um apagão por falta de investimentos no setor elétrico. Vão
tremer de medo de ter que procurar socorro hospitalar e não encontrar leitos disponíveis para si ou para sua família. Vão ter medo de sair à rua a noite e ser assaltado
ou assassinado, por falta de policiamento. Vão saber que o diploma que orgulhosamente
ornamenta a parede da sala não lhes garante o pleno exercício da profissão, por
não ter tido uma educação superior de qualidade.
Epa! Mas e se essa tal de classe
média acabar sendo a maioria dos eleitores? O que fazer com os programas
populares? Bem, falta apenas dois anos para a eleição para presidente da República.
Muito pouco para gerar uma maioria que possa ameaçar o atual domínio petista. Mas se não existe
tempo suficiente para conscientizar a maioria do eleitorado de que as “bolsas petistas”
são quase nada em se tratando das necessidades básicas da população, o mesmo vale
para o conhecimento das denúncias que começam a cair sobre Lula, o todo
poderoso do PT e tido como novo “pai dos pobres”.
Mas tem a campanha eleitoral e
seus espaços democráticos de rádio e TV. É, mas para desmascarar a política
populista do PT é preciso ter uma oposição de verdade. E sem “rabo”. Bem, ai é que o caldo engrossa. A maioria dos partidos já foi cooptado pelo PT e hoje desfruta
de espaço no poder. Mas deve ter alguém que possa desempenhar o verdadeiro
papel de estadista. Que coloque a educação como prioridade máxima de seu
governo. Que saiba cercar-se de assessores sérios, honestos e capacitados. Que
seja companheiro de todos os brasileiros e não apenas dos seus correligionários.
Que saiba colocar o interesse público acima do interesse pessoal ou partidário.
Enquanto isso não acontece, a crescente
classe média, tal qual um tsunami, aumenta não apenas seu tamanho, mas também
seu nível de conscientização, ameaçando sobremodo o projeto petista de
dominação do cenário político e de perpetuação no poder.

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