Apertem o cinto que a coerência sumiu!
E a política brasileira e a gaúcha seguem em queda
livre para o fundo do poço. Coerência e ideologia passaram a ser meros
integrantes de um verdadeiro “Vale Tudo” (MMA) político, onde a troca de “porradas”
é cada vez mais intensa durante a campanha eleitoral, mas que, após a
proclamação do resultado (por nocaute ou não), vencedor e vencidos se abraçam e
trocam gentilezas incompreensíveis. Ou
não é exatamente isto que ocorre na montagem dos governos?
O exemplo mais recente acontece em Porto Alegre. Para obter uma maioria expressiva na Câmara de
Vereadores e amenizar críticas a sua administração, José Fortunati compôs uma
base governista de nada menos que nove partidos. E para chutar de vez o “balde
da coerência” o prefeito arrebanhou, na nova composição, o apoio de antigos
desafetos de campanha: o PSB, que esteve ao lado de Manuela D’Ávilla, e o
candidato do PSDB, Wambert Di Lorenzo, algoz maior da EPTC. É ou não é um "espetáculo"?
E o pior de tudo é que Fortunati não está inovando.
Lula e Dilma já fazem isto há muito tempo. E o eleitor acha que ao votar está
definindo quem será situação e quem será oposição. Pobre eleitor! Não sabe que
é apenas um simples peão no complexo jogo de xadrez da política. Enquanto isto,
os espertos de plantão seguem sua senda de vitórias, extirpando quase que
completamente o importante papel da oposição, responsável pela fiscalização dos
mandos e desmandos dos governos “legitimamente” eleitos.
Mas os descaminhos da política não se resumem
apenas ao Poder Executivo. Também o Legislativo segue célere na contramão da
ética e dos bons costumes. Querem ver? Como explicar a ambição de Renan
Calheiros (dada como certa) para se tornar presidente da Câmara dos Deputados,
em substituição a José Sarney, seis anos após ter renunciado ao mesmo cargo
para evitar sua cassação por denúncias de corrupção? Como explicar a ascensão de José Genuíno ao
cargo de deputado titular da Câmara dos Deputados, gerada pela renúncia do
deputado Carlinhos Almeida (PT-SP), após ter sido condenado pelo STF a quase
sete anos de prisão, por formação de quadrilha e corrupção ativa no episódio do
Mensalão?
E por falar em STF, como não se surpreender com as
declarações do ministro Luiz Fux de que para buscar apoio à sua nomeação para a
suprema corte brasileira utilizou do prestígio político de José Dirceu? Sim,
o mesmo Zé Dirceu tido pelo procurador-geral da República (reiterado pelo STF)
como chefe da quadrilha do Mensalão, e que Fux ajudou a condenar, para surpresa
do secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que
imaginava que Fux iria retribuir a sua indicação para o cargo com um tratamento
menos belicoso aos réus ligados ao PT.
Por tudo isso, há que se indagar o estaria pensando
Clístenes, pai da democracia grega, se estivesse vivo? Certamente estaria se
questionando sobre o que a Constituição brasileira estaria tentando dizer com a máxima “todo poder emana do povo e em seu nome é exercido”. Como não dá
para parar o mundo e descer, o que certamente seria a vontade de muitos, a
solução é mudar o mundo. Mudando a política e os políticos. Pense nisso. Tem
eleição daqui a um ano e meio.
Imagem: universoracionalista.wordpress.com

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