Sobre o debate dos candidatos ao
governo do RS na Band
Realizar um debate com oito candidatos é um exercício de
tolerância e paciência. Para quem participa e para quem assiste. Com o pouco
tempo disponível repartido entre tantos candidatos não tem como detalhar
propostas, ficando o foco do debate centrado nos ataques pessoais,
preferencialmente naqueles melhores colocados nas pesquisas. Foi o que vimos no
primeiro debate promovido pela Band RS. Mas já deu para formular algumas considerações
e tendências. Dentre elas:
1.
A
repetição de temas abordados em eleições anteriores, como a privatização do
Banrisul, a educação em tempo integral, o Regime de Recuperação Fiscal, dentre
outros.
2.
A
atuação dos governos federal e estadual na pandemia é um tema novo mas que vai
servir de amplo debate com criticas de parte a parte. O mesmo serve para o crescimento
do desemprego, da miséria e da fome.
3.
Que
a eleição presidencial será cavalo de batalha entre os candidatos pró-Lula e
pró-Bolsonaro, no caso Edegar Pretto (Lula), e Onyx Lorenzoni e Luis Carlos
Heinze (Bolsonaro). A surpresa ficou por conta de Onyx e Heinze, que apesar de
disputarem o mesmo eleitorado, escolheram não se confrontar nos debates.
4.
Outro
que defendeu seu líder máximo, embora já falecido, foi Vieira da Cunha (PDT),
que empunhou a bandeira da Educação como um legado de Leonel Brizola.
5.
Os
empresários Ricardo Jobim (Novo) e Roberto Argenta (PSC) deixaram claro suas divergências
quanto a forma como vem sido gerido o Estado. Para eles o ideal é adotar na
administração pública um viés empresarial focado, principalmente, na
privatização dos serviços públicos.
6.
Como
sempre ocorre no caso dos candidatos a reeleição - embora não seja o caso específico
do candidato Eduardo Leite, que abriu mão de parte do seu mandato para
concorrer – o ex-governador foi alvo preferencial das criticas dos seus
oponentes, especialmente no que tange ao não cumprimento da promessa de que não
concorreria a reeleição.
7.
Por
fim, o candidato do PSB e ex-vice-governador Vicente Bogo, ungido a cabeça de
chapa na undécima hora, mostrou-se experiente nos temas afetos a administração
pública o que certamente fará com que os assuntos dos futuros debates oportunizem
a apresentação dos respectivos planos de governo.
Desempenho
Na avaliação do colunista as duas participações que mais se
destacaram foram as de Eduardo Leite e Edegar Pretto. O primeiro pela tranquilidade
com que lidou com as críticas dos adversários, aproveitando suas respostas para
mostrar os feitos da sua gestão, e o segundo, por ter uma narrativa de fácil identificação
com o eleitor, fazendo observações pontuais sobre temas de interesse de grande parte
da população e que são abordados com frequência nos meios de comunicação e nas
redes sociais.
Causou espécie a ausência de um debate mais propositivo sobre
os dois grandes temas do momento que são a defesa da democracia e do sistema
eleitoral vigente que adota as urnas eletrônicas. Talvez tenha sido pela
limitação de tempo imposta pelo regramento do debate.
Resumindo, foi um bom começo de caminhada. Esperemos pelos
próximos debates. Que o bom nível entre os candidatos perdure durante toda a
campanha.

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