segunda-feira, 8 de agosto de 2022

 

Sobre o debate dos candidatos ao governo do RS na Band

 


Realizar um debate com oito candidatos é um exercício de tolerância e paciência. Para quem participa e para quem assiste. Com o pouco tempo disponível repartido entre tantos candidatos não tem como detalhar propostas, ficando o foco do debate centrado nos ataques pessoais, preferencialmente naqueles melhores colocados nas pesquisas. Foi o que vimos no primeiro debate promovido pela Band RS. Mas já deu para formular algumas considerações e tendências. Dentre elas:

1.      A repetição de temas abordados em eleições anteriores, como a privatização do Banrisul, a educação em tempo integral, o Regime de Recuperação Fiscal, dentre outros.

2.      A atuação dos governos federal e estadual na pandemia é um tema novo mas que vai servir de amplo debate com criticas de parte a parte. O mesmo serve para o crescimento do desemprego, da miséria e da fome.

3.      Que a eleição presidencial será cavalo de batalha entre os candidatos pró-Lula e pró-Bolsonaro, no caso Edegar Pretto (Lula), e Onyx Lorenzoni e Luis Carlos Heinze (Bolsonaro). A surpresa ficou por conta de Onyx e Heinze, que apesar de disputarem o mesmo eleitorado, escolheram não se confrontar nos debates.

4.      Outro que defendeu seu líder máximo, embora já falecido, foi Vieira da Cunha (PDT), que empunhou a bandeira da Educação como um legado de Leonel Brizola.

5.      Os empresários Ricardo Jobim (Novo) e Roberto Argenta (PSC) deixaram claro suas divergências quanto a forma como vem sido gerido o Estado. Para eles o ideal é adotar na administração pública um viés empresarial focado, principalmente, na privatização dos serviços públicos.

6.      Como sempre ocorre no caso dos candidatos a reeleição - embora não seja o caso específico do candidato Eduardo Leite, que abriu mão de parte do seu mandato para concorrer – o ex-governador foi alvo preferencial das criticas dos seus oponentes, especialmente no que tange ao não cumprimento da promessa de que não concorreria a reeleição.

7.      Por fim, o candidato do PSB e ex-vice-governador Vicente Bogo, ungido a cabeça de chapa na undécima hora, mostrou-se experiente nos temas afetos a administração pública o que certamente fará com que os assuntos dos futuros debates oportunizem a apresentação dos respectivos planos de governo.

Desempenho

Na avaliação do colunista as duas participações que mais se destacaram foram as de Eduardo Leite e Edegar Pretto. O primeiro pela tranquilidade com que lidou com as críticas dos adversários, aproveitando suas respostas para mostrar os feitos da sua gestão, e o segundo, por ter uma narrativa de fácil identificação com o eleitor, fazendo observações pontuais sobre temas de interesse de grande parte da população e que são abordados com frequência nos meios de comunicação e nas redes sociais.

Causou espécie a ausência de um debate mais propositivo sobre os dois grandes temas do momento que são a defesa da democracia e do sistema eleitoral vigente que adota as urnas eletrônicas. Talvez tenha sido pela limitação de tempo imposta pelo regramento do debate.

Resumindo, foi um bom começo de caminhada. Esperemos pelos próximos debates. Que o bom nível entre os candidatos perdure durante toda a campanha.

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