segunda-feira, 27 de junho de 2016


Governo ruim é aquele cuja base
política se sobrepõe a eleitoral.

O que mais me aborrece, enquanto jornalista, é essa mania dos detentores de mandato "confundirem" delegação de poder com procuração. Delegação é distribuir tarefa. Procuração é outorgar poder para alguém decidir por outrem.
Assim, quando alguém, seja um parlamentar ou governante, é votado, ele está recebendo uma delegação para realizar algo que se comprometeu a executar.

É por isso que não dá para entender, e muito menos aceitar, que alguém eleito resolva atuar com independência. Fazendo o que lhe interessa e não o que interessa aos seus eleitores.
Digo isso porque perdi a paciência com os discurso daqueles que, após as eleições, ao optarem por compor a chamada base aliada governista, abdicaram de suas delegações populares ou, espertamente, transformam-nas, indevidamente, em procurações particularizadas (suas ou do governo que integra).

Se o governo sai-se bem no seu período, enchem o peito é falam "o nosso governo". Se vai mal, é o governo dos outros, cuja participação teve por objetivo o bem do Rio Grande.

O atual governo estadual, sob o rótulo da crise econômica, tem sido pródigo em adotar medidas impopulares. E tem obtido êxito graças a maioria da base governista no Parlamento gaúcho. Muitas vezes descumprindo compromissos de campanha, como foi o caso do aumento de impostos.
Agora a imprensa informa que um novo pacote de medidas está para ser encaminhado pelo Executivo ao Legislativo. Ninguém sabe exatamente do que se trata. Mas sabe-se, de antemão, que serão aprovados em plenário. Boatos dão conta de que um dos projetos pretende acabar com a aposentadoria especial dos policiais, prolongando suas permanências na atividade. Tudo indica que o próximo pacote de medidas impopulares busque o mesmo com o magistério.

Ai eu pergunto: alguém ouviu na campanha eleitoral o Sartori propor tal coisa? Ou ouviu algum candidato a deputado estadual aventar tal possibilidade? Claro que não! Mas então como podem agirem de forma independente, rasgando a delegação recebida de seus eleitores, e forjando uma procuração inválida?

Digamos que a iniciativa seja imprescindível (coisa que eu não acredito), mesmo assim o assunto deveria ter tido a transparência indispensável. Precedida de um amplo debate popular, especialmente, com as categorias diretamente envolvidas.

Mas não foi o que aconteceu. Pelo contrário, o pacote de medidas será encaminhado à Assembleia Legislativa em caráter de urgência e durante a convocação extraordinária de Julho.

Assim fica muito difícil acreditar nas boas intenções de nossos representantes. Quando a
base governista se sobrepões a base eleitoral não há como acreditar em justiça social e muito menos em interesse de Estado.

Lamentavelmente.




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