quinta-feira, 9 de abril de 2015

A sinuca de bico de Fortunati.




Mas báh tchê! Que sinuca de bico a Câmara de Vereadores de Porto Alegre colocou o prefeito José Fortunati.

Os edis municipais aprovaram duas polêmicas leis para o transporte coletivo urbano. A primeira, que Fortunati já anunciou que irá vetar, determina que todos os ônibus tenham ar-condicionado. A justificativa do veto? O bem estar que beneficiaria os milhares de usuários provocaria um aumento de treze centavos no valor da tarifa, que hoje é de R$ 3,25. Ou seja, mais vale o suor e o desconforto dos passageiros, que passam horas enfornados (isso mesmo, de forno) em veículos abarrotados de gente, do que os R$ 0,13 gastos para o desfrute de um ônibus climatizado, prazer esse que a grande maioria não tem condições de usufruir nas suas residências. Além disso, o silencio da comunidade porto-alegrense sobre a aprovação da nova lei indica que ela foi bem recebida. Mas então a negativa do prefeito pode ser classificada de insensibilidade ou excesso de zelo? Já que inconstitucional ela não é?

A outra lei, aprovada ontem, autoriza o transporte de gatos e cachorros de pequeno e médio porte, acompanhados de seus responsáveis, em ônibus, táxis e lotações. As únicas exigências são de os animais estejam devidamente limpos, vacinados e acondicionados em recipientes apropriados. E agora? Será que Fortunati, que é adepto da causa animal e que tem como esposa a deputada Maria Regina Becker, totalmente identificada com a defesa dos direitos dos animais, irá manter a coerência, já que a transporte dos animais irá reduzir a capacidade de passageiro, afetando diretamente o custo do sistema, vetando essa nova lei? No caso de homologação, a dúvida será: Para Fortunati, mais vale atender o interesse dos donos dos animais de estimação do que o bem estar das pessoas que necessitam utilizar o transporte coletivo?


O taco, digo, a responsabilidade, está nas mãos do prefeito. 

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