segunda-feira, 9 de junho de 2014

O PT vai mal? A culpa é da imprensa.




Tem momentos na vida que o melhor é pensar uma, duas, dez, cem vezes antes de transformar um pensamento em palavras. Hoje é um desses. Acabo de ler no site Sul21 uma entrevista de Tarso Genro onde ele destila toda a sua arrogância e desfaçatez.  Disse, com todas as letras possíveis, que a campanha eleitoral vai permitir que os gaúchos fiquem sabendo da excelência do seu governo, até então ignorado pela mídia. Até parece (e é) coisa orquestrada. Há poucos dias Lula, de passagem pelo estado, disse que nunca um presidente da República foi tão maltratado pela imprensa como Dilma Rousseff está sendo.  Ou seja, o PT já tem montada a sua estratégia para explicar seus fracassos e desvios de conduta. A culpa é da imprensa.

Como assim, cara-pálida? Então foi a imprensa que inventou o Mensalão, que Lula e o PT dizem não ter existido? Foi a mídia que realizou a transação lesa-pátria que resultou num enorme prejuízo financeiro à Petrobrás e aos cofres da nação? Para ficar apenas nesses dois casos. E a nível regional? Foi a imprensa que prometeu implantar o piso salarial para o magistério? Foi a mídia gaúcha que transformou as estradas conservadas em vias esburacadas, usando como argumento  a mentira de que o pedágio público traria mais benefícios que o pedágio privado?  É a imprensa que está afundando o estado em dívidas cada vez maiores?

Então que história é essa de por a responsabilidade na imprensa pela ameaça do fim da era petista na imprensa? Eleição existe para que o eleitor faça um balanço do acerto e dos erros de seus representantes. Que culpa tem a imprensa se os erros foram maiores que os acertos. É natural que todos os governos se queixem da imprensa. Ainda mais o PT, que se acha mais realista que o rei. Mas em nenhuma época a imprensa foi apontada como culpada pelos fracassos governamentais.

A régua para medir um bom governo não é a centimetragem alcançada nos jornais. Muito menos o tempo de exposição nos telejornais e de radiojornalismo. O que mede a eficiência de um governo é o índice de  aceitação popular gerada pelos bons serviços públicos prestados. Ou o PT ainda considera que o eleitor é apenas um detalhe, matéria-prima de fácil manipulação? Os tempos mudaram. E nisso a imprensa tem realmente sua participação. O eleitor, graças a Deus, já está pensando no que lê, ouve e vê.  E, por isso, não acredita mais nos falsos messias e nem nas promessas milagrosas.  

O PT, que pensa que o dinheiro compra tudo, esquece que consciência não tem preço. E que apesar de investir muito pouco em Educação tem gente que aprendeu a pensar. As pesquisas de opinião mostram claramente que a imprensa é uma das instituições de maior credibilidade, ao contrário da política e dos políticos. Nada contra estes dois segmentos. Pelo contrário, eles são imprescindíveis para a existência da democracia. Mas que políticos corruptos, mentirosos e com outros deméritos não merecem mais a confiança do eleitor, isso é inquestionável. Não precisa que imprensa faça campanha para isto.


O PT bateu no fundo do poço. Sem ter mais discurso para criticar o neoliberalismo, o FHC, o FMI, e outros chavões clássicos, escolheu como ultima bala na agulha a imprensa. Tudo indica que o tiro sairá pela culatra. Acabará virando manchete de jornal e abertura do noticiário de rádio e TV. Aí, na oposição, o PT irá perdoar todos os equívocos midiáticos e passará a ser a o melhor amigo da imprensa. Agora, se permanecer no poder, certamente irá derramar toda a sua ira sobre o atual maior rival. É ver para crer. 

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