O PT vai mal? A culpa é da imprensa.
Tem momentos na vida que o melhor
é pensar uma, duas, dez, cem vezes antes de transformar um pensamento em
palavras. Hoje é um desses. Acabo de ler no site Sul21 uma entrevista de Tarso
Genro onde ele destila toda a sua arrogância e desfaçatez. Disse, com todas as letras possíveis, que a
campanha eleitoral vai permitir que os gaúchos fiquem sabendo da excelência do
seu governo, até então ignorado pela mídia. Até parece (e é) coisa orquestrada.
Há poucos dias Lula, de passagem pelo estado, disse que nunca um presidente da
República foi tão maltratado pela imprensa como Dilma Rousseff está sendo. Ou seja, o PT já tem montada a sua estratégia
para explicar seus fracassos e desvios de conduta. A culpa é da imprensa.
Como assim, cara-pálida? Então
foi a imprensa que inventou o Mensalão, que Lula e o PT dizem não ter existido?
Foi a mídia que realizou a transação lesa-pátria que resultou num enorme
prejuízo financeiro à Petrobrás e aos cofres da nação? Para ficar apenas nesses
dois casos. E a nível regional? Foi a imprensa que prometeu implantar o piso salarial
para o magistério? Foi a mídia gaúcha que transformou as estradas conservadas
em vias esburacadas, usando como argumento a mentira de que o pedágio público traria mais
benefícios que o pedágio privado? É a
imprensa que está afundando o estado em dívidas cada vez maiores?
Então que história é essa de por
a responsabilidade na imprensa pela ameaça do fim da era petista na imprensa? Eleição
existe para que o eleitor faça um balanço do acerto e dos erros de seus
representantes. Que culpa tem a imprensa se os erros foram maiores que os
acertos. É natural que todos os governos se queixem da imprensa. Ainda mais o
PT, que se acha mais realista que o rei. Mas em nenhuma época a imprensa foi
apontada como culpada pelos fracassos governamentais.
A régua para medir um bom governo
não é a centimetragem alcançada nos jornais. Muito menos o tempo de exposição
nos telejornais e de radiojornalismo. O que mede a eficiência de um governo é o
índice de aceitação popular gerada pelos
bons serviços públicos prestados. Ou o PT ainda considera que o eleitor é
apenas um detalhe, matéria-prima de fácil manipulação? Os tempos mudaram. E nisso
a imprensa tem realmente sua participação. O eleitor, graças a Deus, já está
pensando no que lê, ouve e vê. E, por
isso, não acredita mais nos falsos messias e nem nas promessas milagrosas.
O PT, que pensa que o dinheiro
compra tudo, esquece que consciência não tem preço. E que apesar de investir
muito pouco em Educação tem gente que aprendeu a pensar. As pesquisas de
opinião mostram claramente que a imprensa é uma das instituições de maior
credibilidade, ao contrário da política e dos políticos. Nada contra estes dois
segmentos. Pelo contrário, eles são imprescindíveis para a existência da
democracia. Mas que políticos corruptos, mentirosos e com outros deméritos não
merecem mais a confiança do eleitor, isso é inquestionável. Não precisa que imprensa
faça campanha para isto.
O PT bateu no fundo do poço. Sem
ter mais discurso para criticar o neoliberalismo, o FHC, o FMI, e outros
chavões clássicos, escolheu como ultima bala na agulha a imprensa. Tudo indica
que o tiro sairá pela culatra. Acabará virando manchete de jornal e abertura do
noticiário de rádio e TV. Aí, na oposição, o PT irá perdoar todos os equívocos
midiáticos e passará a ser a o melhor amigo da imprensa. Agora, se permanecer
no poder, certamente irá derramar toda a sua ira sobre o atual maior rival. É
ver para crer.

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