segunda-feira, 2 de junho de 2014

A verdadeira mudança começa pelo eleitor.



Toda eleição é a mesma coisa. Os candidatos, inclusive os da situação, abusam de expressões do tipo mudança, renovação e outras mais. É o que tudo indica estará acontecendo no Rio Grande do Sul nos meses que antecedem as eleições gerais de outubro. Pelo menos é o que se depreende das manifestações geradas pelos já declarados pré-candidatos ao governo do Estado. O interessante é que todos os partidos, com exceção do PSol, já governaram o Estado. Mesmo assim, pelo que se lê, ouve e vê, Psol e renovação não combinam muito bem. E o que mudou? Quais foram os graves problemas estruturais que tiveram solução, ou pelo menos encaminhamento de solução, no período em que estiveram no Palácio Piratini? Que eu me lembre nenhum. Pelo menos na esfera de responsabilidade do Estado, em áreas como a educação, saúde e segurança.

Pelo contrário, os estudos realizados nestas áreas demonstram uma regressão progressiva governo após governo. E olha que a rotatividade nos últimos trinta anos, desde o retorno das eleições diretas, foi intensa. No Rio Grande, o PP (então PDS) governou uma vez (1983 – 1987); o PMDB três vezes (1987 – 1990, 1995 – 1998 e 2003 – 2007); o PDT uma vez (1991 – 1994); e o PT duas vezes (1999 – 2002 e 2011 – 2014).

Mas houveram algumas propostas bem intencionadas que não germinaram graças a cultura do “não fui eu que fiz então não presta”, como o piso salarial de 2,5 salários mínimos para o magistério fixado pelo então governador Jair Soares (PP) e que foi derrubado na justiça pelo seu sucessor, Pedro Simon (PMDB). Da mesma forma, a implantação de uma política de atração de investimentos baseada na parceria estado-iniciativa privada, promovida no governo Britto (PMDB), foi desmantelada no governo seguinte, de Olívio Dutra (PT). E ficamos por aí.

Claro que houveram avanços pontuais, como a implantação do Polo Petroquímico, a montadora da GM, em Gravataí, e o Polo Naval de Rio Grande. Mas isso é muito pouco para um período que envolve três décadas. Mas não é isso que preocupa os gaúchos. E as manifestações das ruas mostram claramente. É a baixa oferta de serviços públicos de qualidade. Se a economia do Rio Grande não consegue aumentar, apesar das safras agrícolas recordes, pelo menos o dinheiro arrecadado poderia ter sido melhor utilizado nas áreas da saúde, saneamento, educação e segurança. Mas não foram.

Mas então quem está falando a verdade quando se refere a mudança para melhor? Bem, ai vai da consciência de cada um. Será o PMDB que nos últimos 30 anos governou 12 e pouco fez? Será o PT, especialista em campanha política mas comprovadamente deficiente em gestão governamental? Ou será que a sedução do eleitor se dará pelo nome do candidato e não pelo partido? Se for assim, a novidade, a mudança, será Ana Amélia (PP), que de todos foi a única que ainda não concorreu a nenhum cargo executivo, como governador e prefeito. Todos os demais já concorreram. Alguns diversas vezes, como é o caso de Roberto Robaina (PSol).

Mas não são estes os critérios que, ao meu ver, devam ser considerados pelo eleitor. Óbvio que o currículo pessoal e político dos candidatos deva ser considerado na hora da escolha. Prometeu e não cumpriu? Está eliminado. Teve oportunidade de fazer e não fez? Fora. Da mesma forma o histórico de cada sigla (na oposição e no governo) deve ser analisado na hora de votar. Mas se a expressão mudança para melhor for realmente a prioridade da eleição, o eleitor deve se ater aos planos de governo, as propostas viáveis de gestão e, principalmente, com a coerência do candidato na sua postura  cidadã, antes e depois de ingressar na política. Está mais do que provado de que ser um político profissional não significa ser um gestor eficiente e responsável. Pode até ser, nada impede, mas não é pré-requisito básico.

Por tudo isso é que recomendo cautela quando você ouvir a palavra mudança. Pode ser que a palavra mudança signifique apenas estratégia de campanha e não sinceridade. O eleitor brasileiro está demonstrando nas ruas que tem maturidade e sensibilidade suficiente para captar essa diferença. Pense nisso. Converse sobre isso. Pode ser o verdadeiro começo da mudança desejada.


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