sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


A classe média do feijão com arroz.



O pobre sonha,
Mas o sonho do pobre é tão pobre!
Sonha com casa própria,
Sonha com um bom salário,
Sonha com boa comida,
Sonha subir na vida...
(Cícero Alvernaz, poeta).

O governo brasileiro tem dito, reiteradamente, do seu orgulho de estar contribuindo para que um número cada vez maior de cidadãos deixe a classe pobre e ingresse na classe média. E não por acaso. Até slogan produziram para isso: “País rico é país sem pobreza”. Bota sinceridade nisso!

Sob esta ótica enquadram-se os programas sociais que estão oportunizando que os menos favorecidos economicamente possam desfrutar de casa, comida e dinheiro no bolso. Ou seja, prontos para se sentirem classe média. E como tal, tiveram acesso, mediante queda ou congelamento de juros e tributos (mesmo que temporários), a compra do primeiro automóvel, viagem de avião, TV de 40 polegadas, computador, etc.

E tudo isso fez a roda da economia andar. E os cofres públicos se abarrotarem de recursos. E claro, como toda classe média que se preste, serviu para endividar o “novo rico”. Pode-se chamar literalmente isto de evolução (ou será revolução)? De melhora de vida? A julgar pela popularidade da presidenta e de seu governo, medida pelas pesquisas, sim. Mas o que de fato mudou para melhor na vida do cidadão? Na sua qualidade de vida? Os serviços básicos e gratuitos de saúde, educação e segurança melhoraram? A infraestrutura de transportes, energia e comunicações receberam as melhorias necessárias? Muito pouco. Aquém das necessidades e da urgência necessária.

O que se percebe é que quem conseguiu alçar um novo patamar de bem-estar o fez basicamente por conta própria. As suas custas. Utilizando planos de saúde, ensino particular e segurança privada, dentre outros. Mas é este o paraíso prometido? Se é, então não existe diferença entre socialismo e ou capitalismo, pois tudo acaba tendo o mesmo destino: o bolso do contribuinte.

Ah! Mas tem o futebol e o carnaval, dirão alguns pouco exigentes, satisfeitos com o “Curinthians” campeão do mundo e com o fato da Copa de 2014 ser realizada no Brasil. Carnaval então nem se fala. Dura apenas uma semana, mas leva um ano se preparando para a folia. E isso demanda tempo e dedicação. E quem ousa pedir mais é taxado de exigente ou politicamente incorreto.

Ou seja, tudo está a indicar que o que importa mesmo é fazer com que o cidadão se sinta integrante da classe média, mesmo que desfrutando das “benesses” de um governo que, podendo fazer mais e melhor, só oferece o trivial feijão com arroz. 

Imagem: eleojamal.blogspot.com

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