quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

 

O recado do tempo




 

Uma relação conflitante entre jovens e idosos, que embora silenciosa é cada vez mais perceptível, serve de alerta para uma realidade inquestionável: a população brasileira está envelhecendo em uma velocidade nunca antes vista. Estima-se que até 2050 o Brasil terá mais de 30% dos seus habitantes com 60 anos de idade ou mais. Atualmente esse percentual é de 18%. E já foi 5% em 1950 e 8% em 2000. Basicamente três fatores contribuíram para esse rápido crescimento: o avanço da medicina, a melhoria da qualidade de vida e a diminuição do número de nascimentos. Nos estados do Sul e particularmente no Rio Grande do Sul, projeta-se que em 2100 cerca de metade da população seja composta por idosos.

Aos poucos podemos observar a adaptação das instituições públicas e privadas a essa nova realidade. Atendimento preferencial, vagas de estacionamento, reservas no transporte público, são alguns dos “privilégios” concedidos à terceira idade. Mas se podemos considerar isso um avanço civilizatório, por outro é preciso lamentar a falta de uma maior conscientização coletiva sobre tudo o que envolve o envelhecimento, especialmente dos mais jovens.

É comum, lamentavelmente, observar idosos serem ofendidos e destratados por suas lentidões no trânsito; por suas dificuldades de locomoção, audição e visão; por seus desconhecimentos e dificuldades com a utilização de equipamentos tecnológicos, como caixas eletrônicos; e outras tantas adversidades próprias de quem já viveu bastante. Dói na alma ver adolescentes e jovens desrespeitarem pais e avós como se fossem cidadãos de segunda classe, um estorvo social. Com raras e elogiáveis exceções.

Vamos demorar um bom tempo, sei bem, para atingirmos o estágio japonês de respeito e valorização dos idosos. Mas se eles conseguiram, por que não perseguir o bom exemplo? Estamos vendo diariamente a cobrança pública, especialmente através das redes sociais, da necessidade de cuidados especial para com os animais, para com a igualdade de gênero e raça, da defesa dos direitos LGBTQIA+ e outros, por que então não direcionar esse ganho civilizatório também para com os idosos?

Não fosse por humanidade e justiça, por uma questão de obviedade, já que se os jovens tiverem sorte irão envelhecer. Afinal, estudos especializados demonstram que atualmente a expectativa de vida no Brasil subiu para quase 77 anos. E aí juventude, como fica? Vão engrossar a fila dos negacionistas, fazendo de conta que a realidade etária não faz parte da sua existência? O destino é implacável e um dia a conta vai chegar. Pensem nisso. O jovem de hoje será o velhinho(a) de amanhã.

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